Em contrapartida, os avanços russos registados nos últimos dias nas imediações de Pokrovsk e Myrnohrad foram bastante limitados
As forças ucranianas estão a avançar nas regiões de Dnipropetrovsk e Zaporizhzhia, no sudeste da Ucrânia, numa manobra que implica aceitar perdas mais a norte, em Donetsk, onde os militares russos continuam a progredir. A opção estratégica de Kiev traduz-se num cálculo simples: ceder terreno em torno de Pokrovsk para travar a pressão sobre Zaporizhzhia.
A contraofensiva no sudeste, segundo o Euromaidan, permitiu aliviar a ameaça sobre a cidade de Zaporizhzhia, que voltou a estar sob risco depois de as forças russas do Grupo Dnipro terem conquistado, em dezembro, a localidade de Huliaipole, um ponto logístico crucial situado a cerca de 80 quilómetros a leste.
Além disso, na mente dos ucranianos estará certamente aquilo que continuam a ser as negociações de paz. É que, de acordo com aquilo que vai sendo dito pela Rússia, mas sobretudo pelos Estados Unidos, parece difícil acabar a guerra sem a cedência total do Donbass, do qual faz parte Donetsk, à Rússia. Na prática, a Ucrânia acaba por abdicar de algo que sabe que dificilmente será seu no fim de todas as reuniões.
Em contraste, os avanços russos registados nos últimos dias nas imediações de Pokrovsk e Myrnohrad, cerca de 100 quilómetros a nordeste de Huliaipole, limitam-se a consolidar o controlo sobre essas áreas, sem contribuírem de forma decisiva para o objetivo estratégico de Moscovo em Donetsk, que passa por alcançar as cidades de Kramatorsk e Sloviansk, situadas a 50 quilómetros mais a nordeste.
With Rodynske now back under Russian control, Russian forces have officially established full control over the Pokrovsk agglomeration.
— AMK Mapping 🇳🇿 (@AMK_Mapping_) February 16, 2026
The Pokrovsk Agglomeration is made up the cities of Rodynske, Pokrovsk, Myrnohrad, Novohrodivka, and the village of Hrodivka.
The fighting… https://t.co/CbFiieoIYc pic.twitter.com/eLJeUF2mxy
Esta manobra tornou-se viável há duas semanas, quando o empresário Elon Musk desativou os terminais Starlink que a Rússia teria obtido de forma ilegal ou por contrabando, afetando o funcionamento de muitos drones ucranianos e comprometendo comunicações de comando.
Em simultâneo, o Kremlin, numa tentativa de controlar dissidências e limitar comunicações, bloqueou o acesso militar a redes sociais populares, incluindo a aplicação Telegram, utilizada por muitas tropas russas para comunicação na linha da frente.
O impacto destas decisões foi significativo. A vigilância, os ataques aéreos e os sistemas de comando e controlo russos ficaram desorganizados ao longo dos 1.200 quilómetros da frente de guerra, que já dura há 48 meses.
De recordar que tanto Donetsk como Zaporizhzhia foram duas das quatro regiões que a Rússia anexou num referendo não reconhecido internacionalmente.