Donald Trump deu menos de uma semana para a Ucrânia aceitar a proposta norte-americana, que tem vários pontos favoráveis à Rússia. O presidente da Ucrânia não gostou e a resposta que deu deixa isso bem patente
França, Alemanha e Reino Unido estão, juntamente com a Ucrânia, a trabalhar numa contraproposta ao plano de paz de 28 pontos apoiado pelos Estados Unidos, segundo três fontes citadas pela Reuters esta sexta-feira.
A mesma informação foi confirmada pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, através de uma mensagem publicada na rede social X. “Concordámos em trabalhar em conjunto com os EUA e a Europa ao nível dos conselheiros de segurança nacional para tornar o caminho para a paz verdadeiramente viável”, afirmou após um telefonema com J.D. Vance, acrescentando que “a Ucrânia sempre respeitou e continua a respeitar o desejo do presidente dos EUA, Donald Trump, de pôr fim ao derramamento de sangue, e vemos todas as propostas realistas de forma positiva”.
We spoke for almost an hour with U.S. @VP JD Vance and @SecArmy Dan Driscoll. We managed to cover a lot of details of the American side’s proposals for ending the war, and we’re working to make the path forward dignified and truly effective for achieving a lasting peace. I’m… pic.twitter.com/h3uVlnxv2H
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) November 21, 2025
A novidade surge um dia depois de, na quinta-feira, o jornal The Telegraph ter revelado todos os 28 pontos que compõem o plano, confirmando tratar-se de uma proposta muito mais confortável para a Rússia do que para a Ucrânia.
Entre os aspetos mais polémicos está a redução do exército ucraniano para apenas 600 mil efetivos, cerca de metade do contingente atual, bem como a obrigação de Kiev abdicar da utilização de mísseis de longo alcance, nomeadamente os capazes de atingir Moscovo ou outras zonas mais distantes do território russo. Além disso, a Ucrânia ficará impedida de recorrer à força militar nos territórios que perdeu desde 2022.
Ucrânia tem até ao dia de Ação de Graças para aceitar
Numa entrevista ao programa The Brian Kilmeade Show, da Fox News Radio, Donald Trump afirmou que considera quinta-feira, dia de Ação de Graças, como um prazo adequado para a Ucrânia aceitar uma proposta de paz apoiada pelos Estados Unidos.
“Tive muitos prazos, mas se as coisas estão a correr bem, tende-se a prolongar os prazos. Achamos que quinta-feira é um prazo adequado”, defendeu Trump esta sexta-feira, depois de ter elaborado o plano dos 28 pontos.
A declaração, no minimo repentina, obrigou Zelensky, poucos instantes depois, a alertar para o grau de pressão. “A pressão sobre a Ucrânia está agora no seu ponto mais intenso. A Ucrânia pode estar diante de uma escolha muito difícil: ou a perda da dignidade, ou o risco de perder um parceiro fundamental, ou 28 pontos de discórdia, ou um inverno extremamente rigoroso.”
O líder ucraniano acrescentou que o país “trabalhará com calma” e rapidez com os EUA e com os restantes parceiros para alcançar o fim da guerra.
Costa e von der Leyen condenam plano
Os desenvolvimentos fizeram com que Von der Leyen e António Costa entrassem em cena. Através da rede social X, a presidente da Comissão Europeia e o presidente do Conselho Europeu confirmaram que estiveram à conversa com Zelensky, tendo ficado acordado um encontro entre líderes europeus para sábado.
"Desde o primeiro dia, a Europa tem apoiado a Ucrânia face à agressão russa. Temos trabalhado por uma paz justa e sustentável com a Ucrânia e para a Ucrânia, em conjunto com os nossos amigos e parceiros”, lê-se no X.
Together with @eucopresident, we have spoken to President @ZelenskyyUA
— Ursula von der Leyen (@vonderleyen) November 21, 2025
From day one, Europe has stood with Ukraine in the face of Russian aggression.
We have been working for a just and sustainable peace with Ukraine and for Ukraine together with our friends and partners.…
Na mesma mensagem, os dois líderes europeus defenderam que nenhuma decisão poderá ser tomada sem o aval de Kiev. “Hoje discutimos a situação atual e estamos certos de que nada deve ser decidido sobre a Ucrânia sem a Ucrânia. Como próximos passos, os líderes europeus reunir-se-ão amanhã [sábado] à margem do G20 e, em seguida, em Angola, na reunião UE-UA”, acrescentaram.
Putin espera "discussão minuciosa de todos os detalhes" do plano
Era o protagonista que faltava. Também Putin já recebeu o plano de paz que tem merecido a atenção de meio mundo e que, afinal, até lhe poderá ser favorável. Assumindo que não discutiu nenhum ponto do documento com Donald Trump, o presidente russo revelou que está pronto para negociações e para "resolver os problemas através de meios pacíficos".
“[Plano] pode servir de base para uma solução definitiva e pacífica, mas este plano não foi discutido connosco de forma concreta", referiu Putin, durante uma reunião governamental transmitida na televisão russa.
O chefe do Kremlin espera "obviamente uma discussão minuciosa de todos os detalhes" do acordo proposto pelo homólogo norte-americano. "Estamos prontos para isso".