Três relatos de violência extrema e uma declaração: "Nunca esquecerei". Bucha, a nova cidade-mártir da guerra

5 abr, 17:59

Volodymyr Zelensky, Rosemart DiCarlo e Dmytro Kuleba expuseram em poucos dias atos do exército russo que a Ucrânia e grande parte do mundo querem ver julgados como crimes de guerra. As descrições são gráficas: "Nunca esquecerei", reagiu Guterres. Depois de Mariupol, Bucha é a nova cidade-mártir

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky descreveu esta terça-feira, durante as declarações no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova Iorque, crimes de guerra do exército russo na cidade de Bucha, chegando mesmo a comparar as forças russas com o grupo terrorista Daesh.

Zelensky aproveitou para lembrar a memória dos civis “alvejados na nuca depois de dias de tortura”, alguns deles mortos na rua. O presidente ucraniano revelou que os militares da Rússia fizeram todos aqueles crimes por "prazer", relatando que muitas mulheres "foram violadas e mortas em frente às crianças". "As suas línguas foram puxadas só porque os agressores não as queriam ouvir. Cortaram membros, cortaram gargantas", continuou Zelensky.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, anunciou que já foi pedida uma investigação independente à situação ocorrida em Bucha. "Nunca esquecerei as imagens horríveis de civis mortos em Bucha", disse Guterres.

Também a subsecretária-geral da ONU para assuntos políticos e de construção da paz, Rosemary DiCarlo, falou no conselho, revelando os testemunhos de violência sexual cometidos pelas forças russas. "Violações em grupo e violações à frente de crianças”, adiantou Rosemary DiCarlo, explicando que também há denúncias de "violência sexual por parte das forças ucranianas e milícias de defesa civil.”

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Dmytro Kuleba, denunciou no domingo um “massacre deliberado” em Bucha, a cidade que fica a poucos quilómetros de Kiev e foi recapturada pelos ucranianos ao exército russo. Foram descobertos muitos cadáveres de civis. As reportagens feitas pelos repórteres da CNN Portugal mostraram um cenário de completa destruição. 

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