Antes do início da guerra, o jovem residia numa instituição em Oleshky, escolhida pela família por garantir os cuidados de que precisava e por ficar a poucos minutos de casa
"Só peço algum documento que prove que o meu filho está vivo." As palavras são de Anna, uma mãe ucraniana que há cinco anos vive sem respostas. O filho, Anton, foi retirado do lar de Oleshky, na região ucraniana de Kherson, pouco depois do início da invasão russa, em fevereiro de 2022. Desde então nunca mais teve qualquer confirmação do seu paradeiro.
"Sinceramente, vou confessar: quando a guerra começou, nos primeiros três dias pensei que fosse uma espécie de piada. Isto não podia estar a acontecer", confessou Anna numa entrevista ao Euromaidan.
Anton tinha mais de 18 anos quando desapareceu, mas, devido a uma deficiência causada por uma lesão à nascença, tinha capacidades mentais semelhantes às de uma criança. O jovem sofria de hidrocefalia e vivia com dois shunts implantados no cérebro para aliviar a pressão intracraniana, necessitando de acompanhamento regular por neurocirurgiões, neurologistas e outros especialistas.
Antes do início da guerra, o rapaz residia numa instituição em Oleshky, escolhida pela família por garantir os cuidados de que precisava e por ficar a poucos minutos de casa.
A invasão mudou tudo. Oleshky foi ocupada nos primeiros dias do conflito e Anna perdeu completamente o contacto com o filho. Descrito pela família como afetuoso, o jovem compreendia brincadeiras e criava facilmente laços com quem o rodeava.
A mãe garante que Anton aprendeu a identificar até as mais pequenas mudanças na sua expressão, porque suportava dores intensas sem quase nunca as demonstrar. Hoje, a maior angústia é não saber em que estado de saúde poderá estar.
A história de Anna é acompanhada pela fundação Emil, que presta apoio a famílias de ucranianos levados para território ocupado ou para a Rússia.
A organização já conseguiu trazer de volta 50 crianças ucranianas, mas admite que o destino de muitos adultos com deficiência continua desconhecido. De acordo com a fundação, estas pessoas permanecem particularmente vulneráveis e o facto de não serem libertadas constitui também uma forma de pressão psicológica sobre a população ucraniana.
Segundo Mariam Lambert, responsável pela fundação Emil, citada pelo Euromaidan, há pelo menos quatro razões que explicam porque é que a Rússia não demonstra vontade em libertar estas pessoas, e nenhuma está relacionada com o seu bem-estar.
Entre os motivos apontados estão alegados crimes sexuais, a exploração de pessoas vulneráveis como mão de obra para a montagem de drones, esquemas de fraude associados a prestações por invalidez e a intenção de infligir sofrimento psicológico à Ucrânia. A fundação afirma ter documentado vários casos de pessoas com deficiência que desapareceram durante a ocupação russa.
Apesar dos anos de espera, Anna recusa desistir. A mulher sublinha que, se voltar a encontrar o filho, a primeira coisa que fará será abraçá-lo e olhar-lhe nos olhos. Até lá, mantém apenas um desejo: que Anton "saiba que a mãe continua à sua espera e nunca deixou de o procurar".
