No total, a Rússia lançou 600 drones e 90 mísseis contra a Ucrânia durante a noite de sábado, segundo a Força Aérea ucraniana, que indicou que as defesas aéreas conseguiram com sucesso 604 abates
A Rússia utilizou um novo míssil balístico hipersónico num dos seus maiores bombardeamentos na região de Kiev desde o início da guerra, um ataque que deixou pelo menos quatro pessoas mortas.
Os Estados Unidos classificam o Oreshnik, que pode transportar várias ogivas convencionais ou nucleares, como um míssil de alcance intermédio. A sua velocidade e trajetória tornam-no quase impossível de intercetar pelos sistemas de defesa aérea disponíveis na Ucrânia. Esta é apenas a terceira vez que a Rússia utiliza este míssil.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que o míssil caiu perto da cidade de Bila Tserkva, no centro da Ucrânia, acrescentando: “Estão mesmo fora de si. É vital que isto não fique impune para a Rússia.”
Enquanto isso, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andrii Sybiha, referiu que o míssil disparado transportava uma ogiva simulada.
“Segundo relatos, o uso por Moscovo de mísseis balísticos de alcance intermédio Oreshnik — sistemas concebidos para transportar ogivas nucleares — é uma tática política de intimidação e uma perigosa escalada de risco nuclear”, escreveu a chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, numa publicação na rede X.
O presidente francês, Emmanuel Macron, condenou o ataque russo durante a noite, afirmando que o uso do Oreshnik representa uma “escalada” na “guerra de agressão da Rússia”, também numa publicação na rede X.
Ao mesmo tempo, o chanceler alemão Friedrich Merz classificou o uso do Oreshnik por parte da Rússia como uma “escalada imprudente” e reiterou o compromisso da Alemanha em “manter-se firmemente ao lado da Ucrânia”.
No total, a Rússia lançou 600 drones e 90 mísseis contra a Ucrânia durante a noite, segundo a Força Aérea ucraniana, que indicou que as defesas aéreas abateram 604 destes armamentos. Sybiha descreveu o ataque como “um dos maiores” contra a capital.
Os serviços de emergência da Ucrânia indicaram que pelo menos 87 pessoas ficaram feridas nos ataques a Kyiv, incluindo três crianças.
“Infelizmente, nem todos os mísseis balísticos foram abatidos. Kyiv sofreu o maior número de impactos e foi o principal alvo deste ataque russo”, afirmou Zelensky.
O ataque noturno contra a capital ocorreu depois de o presidente russo, Vladimir Putin, ter ordenado retaliação por um ataque ucraniano mortal numa zona ocupada pela Rússia na Ucrânia.
Putin acusou a Ucrânia de um ato “terrorista”, afirmando que drones ucranianos atingiram um dormitório de um colégio em Starobilsk, uma cidade ocupada pela Rússia na região oriental de Luhansk, na sexta-feira.
A agência estatal russa TASS noticiou no sábado que o número de mortos de “crianças mortas no ataque de drones ucranianos” subiu para 18, citando o Ministério das Situações de Emergência da Rússia. Outras três pessoas estarão presas sob os escombros.
O Ministério da Defesa russo afirmou no domingo que o uso do Oreshnik e de outros mísseis balísticos foi “uma resposta aos ataques terroristas da Ucrânia contra alvos civis em território russo”.
As forças armadas da Ucrânia rejeitaram a alegação de Putin e reiteraram que atingem “infraestruturas militares e instalações utilizadas para fins militares”.
Acrescentaram que entre os alvos atingidos na madrugada de sexta-feira estava “uma das sedes da unidade ‘Rubicon’ na área de Starobilsk”.
O Centro Rubicon de Tecnologias Avançadas Não Tripuladas, uma unidade de elite, tem sido pioneiro no desenvolvimento de tecnologia de drones e sistemas de ataque russos desde a sua criação em 2024.
Enquanto se abrigava da retaliação russa numa estação de metro em Kyiv na madrugada de domingo, Nataliia Zvarych descreveu uma noite de “horror”.
“Caminhámos por baixo das explosões, vimos coisas a voar lá em cima. Foi terrível, assustador, estamos aqui há mais de três horas a ouvir as explosões”, contou a financeira de 62 anos à agência Reuters, descrevendo o ataque russo como “horrível”.
Numa referência crítica a Putin, Zelensky afirmou no domingo que “são necessárias decisões dos Estados Unidos da América, da Europa e de outros, para que este velho rabugento em Moscovo pronuncie a palavra ‘paz’”.
*Victoria Butenko, Aleena Fayaz e Max Saltman contribuíram para este artigo
