A quebra da popularidade de Putin começou em março, com o bloqueio das redes sociais e o abrandamento da internet, o que gerou indignação entre jovens, empresários e militares
O presidente russo, Vladimir Putin, continua sem conseguir recuperar nas sondagens de opinião a um mês e meio das eleições legislativas, nas quais lidera a campanha do partido do Kremlin, Rússia Unida.
Segundo uma sondagem realizada entre o final de julho e o início de agosto pelo Centro Russo de Estudos de Opinião Pública, 65,9% dos russos aprovam a gestão do chefe do Kremlin, um indicador que há alguns meses chegou aos 80%.
Desta forma, a sua popularidade continua estagnada, depois de ter caído cinco pontos em julho devido à crise de combustíveis provocada pelos ataques ucranianos às refinarias russas.
Por esse motivo, segundo avançou a agência Bloomberg, a capacidade de refinação da indústria transformadora russa caiu para níveis de 2002.
Quanto ao partido Rússia Unida, a intenção de voto é de 32,1%, embora o Kremlin confie que uma baixa participação permita revalidar, a 20 de setembro, a maioria constitucional na Duma, a câmara dos deputados.
A quebra da popularidade de Putin começou em março, com o bloqueio das redes sociais e o abrandamento da internet, o que gerou indignação entre jovens, empresários e militares.
O desgaste da guerra na Ucrânia
Além disso, segundo o Centro Levada, dois terços dos russos defendem o fim dos combates na Ucrânia e o início de negociações de paz, enquanto apenas um terço dos inquiridos apoia a continuação da guerra.
Ainda assim, Putin decidiu liderar a campanha do Rússia Unida pela primeira vez desde 2007, com o lema "Tudo pela Vitória", objetivo ao qual está subordinado tudo o resto, mas que continua longe de ser alcançado na Ucrânia.
O Kremlin não enfrentava uma situação semelhante desde que Putin aprovou a reforma das pensões praticamente em segredo, coincidindo com o jogo inaugural do Mundial de Futebol da Rússia, em 2018.
Na altura, a popularidade de Putin também caiu, em menos de dois meses, de 80% para 62%, sobretudo entre os eleitores que constituem a principal base de apoio do Kremlin, os maiores de 50 anos.
A maioria dos opositores russos no exílio já apelou ao voto no Yábloko, o único partido que se opõe à guerra, que esta sexta-feira se viu obrigado a distanciar-se desses apoios por receio de ser excluído das eleições por alegadamente beneficiar de uma ingerência externa.
