"Os vossos exércitos estão prontos?": Zelensky insiste na ameaça russa (ainda este ano) e apela à criação de exército europeu

15 fev 2025, 10:42

Zelensky acredita que a Rússia vai enviar “entre 100 mil a 150 mil” soldados para a Bielorrúsia ainda este ano

Está na hora de criar um exército europeu. O aviso é do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, que voltou a pressionar os aliados europeus com uma ameaça russa que se está a aproximar. Segundo diz, esta pode mesmo concretizar-se ainda este ano.

"Se a Rússia lançar um ataque ou uma operação de falsa bandeira os vossos exércitos estão prontos?", questiona, dirigindo-se aos líderes europeus este sábado na Conferência de Segurança de Munique. Zelensky garante ter informações claras de que a Rússia está a planear enviar tropas para a Bielorrússia este verão.

"Insto-vos a agir para vosso próprio bem", continua. Zelensky avisa que chegou a altura de a Europa criar as suas próprias Forças Armadas para enfrentar o adversário, Segundo ele é tempo do continente decidir o seu próprio futuro, afirmando ainda que as tropas ucranianas não são suficientes para garantir a segurança do país e da região. "O nosso exército sozinho não é suficiente, precisamos do vosso apoio", apela, dizendo que as armas devem ser totalmente produzidas na Europa.

Citado pelo Politico na sexta-feira, o presidente ucraniano já tinha avançado que a Rússia está se estava a preparar para enviar “entre 100 mil a 150 mil” soldados para a Bielorrússia ainda este ano, criando, para tal, “15 divisões para treinar e fortalecer a situação na direção bielorrussa”. Estes soldados, disse ainda, podem vir a ser usados ​​contra países da NATO, enfatizando a teoria de que uma escalada do conflito continua nos planos de Vladimir Putin.

Quanto à paz na Ucrânia, o presidente admite esperar um acordo ainda este ano mas recusa aceitar qualquer plano que seja celebrado nas suas costas. "Nunca aceitaremos acordos feitos nas nossas costas, sem a nossa participação", garante. "Não podemos concordar com um cessar-fogo sem garantias reais de segurança", diz ainda, pedindo aos aliados europeus uma diplomacia coordenada para que o fim do conflito seja "o primeiro sucesso partilhado".

As exigências de Zelensky acontecem depois de Donald Trump ter falado com Vladimir Putin na quarta-feira, ordenando o início as negociações para a paz na Ucrânia.  "Acordámos que as nossas equipas vão começar imediatamente as negociações", escreveu na sua rede social, a Truth Social. Só depois o presidente dos EUA contactou Volodymyr Zelensky para o "informar sobre o conteúdo desta conversa".  

Em Munique, o presidente ucraniano diz que é "perigoso" se Trump se encontrar com Putin em primeiro lugar, numa altura em que o russo e o norte-americano têm um encontro marcado na Arábia Saudita num "futuro não muito distante.

Zelensky diz ainda aos líderes europeus que não vai desistir da adesão da Ucrânia à NATO e até deixou críticas. "Agora o membro mais influente da NATO parece ser Putin", insinuou este sábado na Conferência de Segurança de Munique. "Não vou tirar de cima da mesa a adesão da Ucrânia à NATO", garantiu.

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