ONU confirma: desminar os portos da Ucrânia demorará meses

9 jun, 03:01
Desminagem ao largo do porto de Mariupol

"Mesmo que os portos quisessem reabrir amanhã, levaria algum tempo até os navios poderem entrar ou sair", diz consultor da agência de segurança marítima da ONU

A agência das Nações Unidas responsável pela segurança marítima confirma aquilo que tem sido dito pelas autoridades ucranianas: desminar os portos da Ucrânia, para os tornar seguros para a exportação de cereais, é uma tarefa que demorará vários meses.

"Mesmo que os portos quisessem reabrir amanhã, levaria algum tempo até os navios poderem entrar ou sair", diz Peter Adams, consultor especial sobre segurança marítima da Organização Marítima Internacional, da ONU. "A remoção completa das minas marítimas nas zonas portuárias levaria vários meses", assegurou aquele responsável em entrevista à Bloomberg.

Os navios de guerra russos bloquearam o acesso da Ucrânia ao Mar Negro, impedindo as exportações marítimas de cereais e rações à base de cereais, o que está a ter um forte impacto nos preços globais de alimentação, pois a Ucrânia é um dos principais exportadores de cereais do mundo.

A Ucrânia e os seus aliados ocidentais - bem como a ONU e diversas organizações não-governamentais com presença no terreno - responsabilizam a Rússia por este bloqueio naval, e por ter minado as águas dos portos ucranianos no Mar Negro. Mas Moscovo nega qualquer responsabilidade, diz que foi a Ucrânia a minar as águas, para impedir a aproximação de navios russos, e Sergei Lavrov disse ontem que cabe à Ucrânia fazer a desminagem dessas águas. A Turquia e a ONU têm trabalhado para uma solução, ainda sem resultados.

Nos primeiros dias da invasão russa alguns navios foram atingidos por minas, o que fez disparar o custo dos seguros, e levou diversos armadores a evitar o Mar Negro. Em março, escreve a Bloomberg, três minas foram detetadas a flutuar livremente, duas ao largo da costa da Turquia e uma perto da Roménia.

Segundo Peter Adams, no noroeste do Mar Negro, na área mais perto da Ucrânia, os navios comerciais simplesmente deixaram de operar. O mesmo se passa no Mar de Azov, desde que a Rússia ocupou os territórios próximos. Noutras áreas do Mar Negro, a navegação comercial estará já em níveis considerados normais.

O consultor da agência da ONU diz ainda que haverá atualmente cerca de 450 tripulantes estrangeiros retidos em mais de 80 navios que não podem sair dos portos ucranianos - mas esse número já esteve quase nos dois mil. Um terço são das Filipinas, e muitos são da Turquia, Síria e Azerbaijão.

A Ucrânia tem acusado os russos de estarem a roubar cereais para a Rússia, mas também a desviá-los para outros destinos, como a Síria. Têm sido divulgadas imagens do que parecem ser navios sírios a abastecer-se com cereais ucranianos que depois descarregam na Síria. Segundo a Braemar ACM Shipbroking, uma das maiores empresas globais de fretamento e corretagem naval, a quantidade de navios de bandeira líbia que fazem escala em portos russos aumentou desde 1 de abril, em comparação com o mesmo período do ano passado.

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