Psicologia em tempos de guerra: o sentido da esperança

13 mar, 18:29

"Psicologia em tempo de guerra", uma rubrica para ler no site da CNN Portugal

Vivemos tempos difíceis, vivemos tempos de guerra. São tempos que se fazem acompanhar da sensação de imprevisibilidade, incerteza e incontrolabilidade. São tempos de tristeza, angústia e desesperança. É disto que ouvimos falar diariamente nas televisões, nas rádios, nos jornais, nas redes sociais, na fila do supermercado ou à entrada do café. Acontecimentos de guerra invadem o nosso espaço, os nossos pensamentos e sentimentos.

Porquê, então, falar em esperança em tempos de guerra? Entendemos a esperança como uma emoção orientada para um objetivo específico e significativo no futuro, que nos conduz a uma situação diferente da que nos encontramos no presente. Ora, como não falar de esperança? Em primeiro lugar, na esperança há futuro, na esperança há a expectativa de um futuro melhor. Na esperança, compreendemos o passado e o presente, mas partimos do presente para o futuro com um sentido pessoal de propósito, de missão. Face a acontecimentos negativos, a esperança permite-nos acreditar na mudança, neste caso, no fim da guerra. Em segundo lugar, na esperança há ação, na esperança encontramos a energia necessária para planear ações dirigidas a um futuro melhor e para agir. Face a acontecimentos negativos, a esperança foca-nos no que podemos fazer, por nós e pelos outros. E nestes tempos de guerra, encontramos sinais de esperança em pequenos nadas e em grandes ações.

O Duarte, 4 anos, diz ao pai “Ah pois, há uma guerra na Rússia. As crianças tiveram que sair de lá e agora não têm os seus brinquedos. Eu queria levar-lhes os meus brinquedos, mas não sei onde vivem.” Pai e filho prosseguem na conversa acerca de como podem fazer chegar os brinquedos aos novos amigos do Duarte.

Maher Georges Elmashhara e Susana Costa e Silva, professores universitários, organizam iniciativa de apoio a estudantes ucranianos. Esta iniciativa, “United for Knowledge - Initiative to help Ukrainian Students”, pretende disponibilizar apoio a estudantes do Ensino Superior para que possam manter-se ativos nas suas atividades académicas.

O governo português lançou também a plataforma “Portugal for Ukraine”, disponível no endereço www.portugalforukraine.gov.pt, que visa congregar todas as respostas e ações em curso tendo em vista o apoio a pessoas deslocadas da Ucrânia, dentro e fora de Portugal, nas dimensões de ação internacional, do envio de apoio humanitário e da integração e acolhimento em Portugal.

Estas e outras iniciativas individuais, locais, nacionais e internacionais proliferam pelo mundo, dando-nos lições diárias de esperança que nos orientam para um futuro melhor. Que possa cada um de nós ter esperança, nos pequenos nadas ou em ações maiores. Que possa cada um de nós, em tempos de guerra, alimentar a esperança e mudar o mundo. Afinal, “uma criança, um professor, um livro, uma caneta podem mudar o mundo” (Malala Yousafzai, Prémio Nobel da Paz).

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