Jornalista morre em bombardeamento russo em Kiev. Já é a sexta na guerra

Cláudia Évora , Notícia atualizada às 14:36
24 mar, 11:16
Oksana Baulina (AP Photos/Pavel Golovkin/2017)

Oksana Baulina trabalhava para o site The Insider

Morreu mais uma jornalista no conflito entre a Rússia e a Ucrânia que faz esta quinta-feira, precisamente, um mês. Oksana Baulina, de 42 anos, trabalhava para o site independente The Insider e terá perdido a vida durante um bombardeamento em Kiev. 

A jornalista russa foi atingida enquanto filmava a destruição do centro comercial em Podilskyi. A informação foi avançada pela plataforma Repórteres sem Fronteiras no Twitter. 

O site The Insider confirmou, entretanto, esta morte e disse que houve mais um civil que também perdeu a vida durante o ataque. Nesta mesma publicação, garantem: "Vamos continuar a cobrir a guerra na Ucrânia, incluindo os crimes de guerra russos, como bombardeamentos indiscriminados a zonas residenciais que resultam na morte de civis e jornalistas". 

Também o diretor do sindicato dos jornalistas ucranianos, Sergiy Tomilenko, assinalou esta morte num comunicado no Facebook. 

Oksana começou a sua carreira a trabalhar em revistas de lifestyle, como a Time Out Moscow e a In Style, mas, cerca de dez anos depois, mudou e dedicou-se mais ao jornalismo político, tornando-se produtora na Fundação Anticorrupção do opositor russo Alexei Navalny. É, oficialmente, a sexta jornalista a morrer em trabalho desde que a invasão russa da Ucrânia começou, a 24 de fevereiro. 

As autoridades da Ucrânia registaram, até agora, 148 crimes contra repórteres e meios de comunicação social no primeiro mês de guerra, anunciou esta quinta-feira o Centro Ucraniano para a Segurança Estratégica da Comunicação e da Informação, citado pela agência espanhola EFE.

Além dos jornalistas mortos, outros ficaram feridos, seis foram raptados e um foi dado como desaparecido. Esta centro registou também a ocorrência de cinco incidentes com armas de fogo e 11 ameaças de morte contra jornalistas.

Os jornalistas que já morreram durante a guerra

Pierre Zakrzewski, de 55 anos, repórter de imagem Fox News, morreu quando o carro em que seguia, com a colega Oleksandra Kurshynova, foi baleado perto de Kiev.

Oleksandra Kurshynova, 24 anos, produtora da Fox News, morreu no interior do carro de reportagem depois deste ter sido baleado pelas tropas russas, durante uma reportagem perto de Kiev. 

Brent Renaud, 50 anos, jornalista norte-americano morto na Ucrânia, onde se encontrava ao serviço da revista Time. Foi a própria publicação que confirmou a morte, esclarecendo que Brent estava naquele país a fazer um trabalho sobre a crise de refugiados no mundo inteiro.

Viktor Dêdov, operador do canal de TV local Sigma, morreu nos sucessivos bombardeamentos a Mariupol. O sindicato dos jornalistas ucranianos fez, na altura, um comunicado

Evgeny Sakun, repórter de imagem da Kyiv Live TV, morreu na sequência do ataque russo à torre de televisão e rádio em Kiev. Este bombardeamento fez cinco mortos.

Fora do contexto profissional, houve um outro jornalista que morreu, mas como combatente. Viktor Dudar, jornalista ucraniano que se juntou às forças armadas como voluntário no primeiro dia da invasão russa da Ucrânia, foi morto em combate no sul do país, perto da cidade de Mykolaiv. Trabalhava para o jornal Express. 

Os jornalistas que já ficaram feridos

O jornalista britânico Benjamin Hall, de 39 anos, correspondente da norte-americana Fox News, foi ferido nos arredores de Kiev, durante uma reportagem. Seguia no carro com os colegas Pierre Zakrzewski e Oleksandra Kurshynova, que morreram.

O fotojornalista suíço Guillaume Briquet ficou ferido e teve de ser hospitalizado, quando viajava de carro na região de Mykolaiv, no sudeste da Ucrânia. O repórter fotográfico circulava num carro identificado como PRESS quando foi atingido a tiro pelas tropas russas. O seu passaporte foi confiscado, bem como 3.000 euros em dinheiro, um computador e material fotográfico.

Um jornalista e um fotojornalista dinamarqueses do jornal Ekstra-Bladet foram baleados durante uma reportagem no leste da Ucrânia. Stefan Weichert (jornalista) e Emil Filtenborg Mikkelsen (fotojornalista) foram atingidos enquanto seguiam num carro, à saída da cidade de Ohtyrka, a cerca de 90 a noroeste de Kharkiv.

Jornalista desaparecido

Por esta altura, há indicação de um fotojornalista ucraniano desaparecido na região de Kiev. Max Levin terá desaparecido na linha da frente da capital ucraniana, segundo a informação avançada por um amigo, Markiian Lyseiko. 

"A última comunicação aconteceu a 13 de março, na cidade de Vyshhorod, em Kiev. Ele fazia trabalhos enquanto fotógrafo na altura e viajava sempre de carro. Foi mandado parar perto da aldeia de Guta Mezhigirska, enquanto estava a caminho de uma outra aldeia, Motzhun. A última comunicação que fez com o telemóvel foi nesse dia, às 11:23", explicou o amigo em comunicado. 

Lyseiko explica ainda que, mais tarde, soube que houve forte combates nestas regiões e, por essa razão, suspeita-se que Max Levin tenho sido ferido, morto ou capturado pelas tropas russas.

Desde o início da guerra, quatro meios de comunicação social foram ocupados ou destruídos pelas forças russas e 70 suspenderam a atividade desde a invasão, de acordo com o Centro Ucraniano para a Segurança Estratégica da Comunicação e da Informação

Foram derrubadas 10 torres de televisão, registaram-se 19 ciberataques e quatro bloqueios russos ao trabalho dos meios de comunicação social locais.

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