“Guerra não, paz sim”: a uma só voz, Partido Comunista Português demarca-se de Putin

6 mar, 18:06

Jerónimo de Sousa queixou-se de campanha anticomunista e reafirmou: "O pcp não tem nada a ver com o governo russo e o seu presidente”

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, demarcou o partido do poder russo liderado por Vladimir Putin e apelou à paz na Ucrânia, queixando-se de que esta guerra tem sido "pretexto para uma nova campanha anticomunista".

A uma só voz, os militantes presentes no comício comemorativo do 101.º aniversário do PCP, no Campo Pequeno, em Lisboa, gritaram "guerra não, paz sim".

Durante a sua intervençao, Jerónimo de Sousa começou por lembrar que “a guerra surge cada vez mais como resposta à crise em que o sistema capitalista mergulhou", exemplificando com conflitos da palestina à Síria, do Iraque à Líbia, da Jugoslávia ao Afeganistão, povos que conheceram o drama da destruição e da guerra. “Vivemos no leste da Europa, na Ucrânia, uma situação de guerra", continuou.

"Uma guerra que urge parar e que nunca deveria ter começado. São acontecimentos dramáticos que se vivem ali e que causam preocupação. Acontecimentos com trágicas consequências que comportam sérios perigos e importantes repercussões por todo o mundo e que tem sido pretexto para uma nova campanha anticomunista assente em grosseiras falsificações por parte daqueles que foram cúmplices com a política de ingerência e agressão que está agora na origem da grave situação que se vive na Europa e no mundo. O pcp não apoia a guerra e isso é uma vergonhosa calúnia.", adiantou Jerónimo de Sousa, reafirmando que o Partido Comunista Português tem um património inigualável na luta pela paz e nada tem a ver com o governo e presidente russos.

Em seguida, o secretário-geral do PCP acusou os Estados Unidos da América de há muito levarem a cabo uma "estratégia de escalada armamentista e de dominação imperialista" e de terem promovido um golpe de Estado na Ucrânia, em 2014, que instaurou um poder xenófobo e belicista. O secretário-geral do PCP disse, por isso, que o partifdo apela ao povo português para a mobilização e a ação pela paz, e não para a escalada da guerra, assim como à solidariedade e ajuda humanitária às populações, "que não se podem confundir com o apoio a grupos fascistas ou neonazis".

“O posicionamento do PCP é ditado pela defesa da paz e pela solidariedade com os povos que sofrem a violência e as consequências da guerra. É por nunca abdicar destes princípios, que o PCP alerta há muito para os perigos que representa a política de contínuo alargamento da NATO  para o resto da Europa e provocatórias manobras em instalações e meios militares junto às fronteiras da Rússia e abandono de importantes tratados de desarmamento, visando a paz na Europa e no mundo", continuou, deixando uma questão à qual viria de seguida a responder: "a quem serve a guerra?"

“Não serve ucranianos nem russos, tão pouco aos restantes povos europeus. Serve sim a administração norte-americana e o seu complexo militar industrial para desviar a atenção dos problemas internos, para vender armas em larga escala, para se aproveitar económica e militarmente de uma guerra a milhares de quilómetros das suas fronteiras. O PCP está do lado da paz e não da guerra”, rematou.

Para além de no seu discurso reforçar a luta do partido contra o fascismo e a guerra, assim como contra a escalada de confrontação e agressões, Jerónimo de Sousa lembrou ainda durante o comício comemorativo a importância do partido para a democracia em Portugal e as lutas que têm sido estabelecidas ao longo dos últimos anos.

“Este partido orgulha-se de ter uma história ímpar na defesa dos interesses, do povo e do País. O único partido que se manteve ao longo de quase meio século de fascismo, agindo e lutando interruptamente com dedicação e empenho revolucionário apesar das perseguições, prisões, torturas, assassinatos. O único que não cedeu, nem renunciou à luta. Que se entregou com audácia na procura e construção nos caminhos da liberdade", disse, falando do desemprego e da pobreza no país e revelando ainda ser o partido de grandes causas no "combate à exploração, opressão e desigualdades".

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