Ataque insere-se na estratégia ucraniana de atingir não apenas os sistemas de armas no terreno, mas também a cadeia de abastecimento da indústria militar russa.
As forças ucranianas atacaram uma fábrica de semicondutores situada em Voronezh, na Rússia, responsável pelo fornecimento de componentes eletrónicos utilizados em alguns dos mísseis mais usados por Moscovo.
O ataque, realizado esta segunda-feira, provocou um incêndio nas instalações da Voronezh Semiconductor Devices Plant (VZPP-S), uma unidade já alvo de sanções internacionais, segundo o canal ucraniano Exilenova+.
A unidade é uma das principais fábricas russas de semicondutores, microchips integrados e módulos de potência, abastecendo diretamente várias linhas de produção militar. Entre os equipamentos que dependem dos seus componentes estão os mísseis de cruzeiro Kh-101, para os quais produz conjuntos de transístores utilizados na unidade de controlo "UVK-208", os mísseis de cruzeiro 9M727 do sistema Iskander-K, através de matrizes de semicondutores destinadas ao computador de bordo, e ainda o sistema de defesa antiaérea Pantsir-S1, ao qual fornece díodos e conjuntos de transístores para o canal TVK-2.
De acordo com a mesma fonte, este tipo de componentes eletrónicos é precisamente um dos setores onde a Rússia enfrenta maiores dificuldades devido às sanções internacionais. Apesar de Moscovo continuar a contornar restrições e a adquirir tecnologia no estrangeiro, parte destes equipamentos continua a ser produzida internamente, tornando estas infraestruturas um alvo estratégico.
O ataque insere-se na estratégia ucraniana de atingir não apenas os sistemas de armas no terreno, mas também a cadeia de abastecimento da indústria militar russa.
Ao destruir fábricas responsáveis pelo fabrico de componentes essenciais, Kiev procura, segundo o mesmo jornal, atrasar simultaneamente várias linhas de produção e aumentar o tempo necessário para que a Rússia consiga substituir o armamento perdido nos ataques às cidades ucranianas.
