Explosões, cocktails molotov e distribuição de armas: Kiev na manhã do segundo dia de guerra

25 fev, 12:27

A Ucrânia fez explodir uma ponte para evitar o avanço russo, que acabou por ocorrer na mesma. Na capital são esperadas milhares de armas para que todos possam combater. Até os civis.

Continuam a soar as sirenes na cidade de Kiev, onde existe uma batalha entre ucranianos e russos pela maior cidade da Ucrânia. Várias explosões foram ouvidas durante a madrugada, e as primeiras horas do segundo dia de guerra confirmaram a tese norte-americana: os russos já estão na capital.

Kiev é agora uma cidade em estado de sítio, onde os que conseguem fugir fazem-no, e os que não conseguem procuram abrigo onde podem, como algumas das estações de metropolitano. Aqui procuram refúgio sobretudo dos ataques aéreos.

Ucranianos passam a noite no metro de Kiev (EPA)

A entrada russa deu-se pela zona de Obolon, a nove quilómetros do centro da capital. A confirmação foi dada pelo Ministério da Defesa da Ucrânia, que fez um apelo desesperado aos cidadãos: “Façam cocktails molotov, neutralizem o ocupante!”.

Para atrasar ao máximo a entrada russa, até porque o exército russo está a entrar em Kiev pelo este, norte e sul, os responsáveis ucranianos decidiram fazer explodir uma ponte em Ivankiv, a 50 quilómetros da capital, travando o avanço de tanques russos pelo rio Teteriv.

A vice-ministra da Defesa da Ucrânia, Hanna Malyar, informou que vários militares russos se apoderaram de veículos militares ucranianos e se disfarçaram de soldados do país, tendo conduzido a partir de Obolon para Kiev seguidos de uma coluna de veículos russos. Acabaram por ser intercetados.

Esta informação foi também confirmada pelo tenente-general Valerii Zaluzhniy em declarações ao site das forças armadas ucranianas.

Exército ucraniano prepara-se para a chegada russa a Kiev (Emilio Morenatti/AP)

Para evitar o avanço russo na capital, o governo e o exército ucranianos anunciaram que vão distribuir cerca de 18 mil armas aos reservistas, numa altura em que a lei marcial foi instituída, e qualquer homem com idade entre os 18 e os 60 anos pode ser chamado para a guerra. Em comunicado conjunto, Defesa e Forças Armadas disseram que iam receber, "em breve", apoio adicional com "armas modernas e outros recursos".

Até ao momento não há contabilização oficial de vítimas mortais na cidade de Kiev, sendo que o último balanço fala em 137 mortes em todo o país.

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