TRÊS ANOS DE GUERRA || Ao final de três anos de guerra total na Ucrânia, mais de 10 desde a anexação da Crimeia pela Rússia, entrámos oficialmente numa “nova e perigosa ordem mundial”. Mais do que nunca, a UE está sob pressão para se autonomizar dos EUA e definir claramente até onde está disposta a ir para apoiar Kiev face à ameaça russa, que “não vai desaparecer” com o fim deste conflito. “Já se diz, à porta fechada, que é irrealista insistir em recuperar todo o território ucraniano ocupado e voltar às fronteiras de 2014”
Como é que as coisas ficaram viradas do avesso tão depressa? Eis a pergunta na mente de todos os que prestam a mínima atenção à geopolítica atual. Ninguém tem a resposta, muito menos para uma série de outras questões que, neste momento, ocupam as diplomacias de Leste a Oeste desde que Donald Trump falou ao telefone com Vladimir Putin durante 90 minutos e decidiu, bilateralmente, que estão lançadas as negociações de paz para a Ucrânia – sem ter nem achar ucranianos e europeus.
“Há um sentimento geral de choque e traição na Ucrânia neste momento”, refere à CNN Lucian Kim, jornalista com extensa experiência na Ucrânia que acaba de regressar de mais uma viagem ao país enquanto analista sénior do International Crisis Group. “Os ucranianos têm visto os EUA como o seu maior aliado e benfeitor e, numa questão de dias, a administração Trump não só retirou o seu apoio como se aproximou do inimigo mortal da Ucrânia, a Rússia, repetindo muitas das narrativas do Kremlin.”
Como referia a diretora do Programa Europa da Chatham House à CNN Internacional, tem sido “golpe atrás de golpe” desde a famigerada primeira chamada entre Trump e Putin há 12 dias. Em duas semanas, o secretário da Defesa norte-americana, Pete Hegseth, foi à sede da NATO em Bruxelas dizer que é “irrealista” achar que a Ucrânia vai voltar às fronteiras pré-anexação da Crimeia em 2014; o vice de Trump, JD Vance, foi a Munique dizer que a grande ameaça que a Europa enfrenta “vem de dentro” (leia-se, os que tentam manter a extrema-direita fora dos círculos de poder); e a partir de Washington, o Presidente Trump dobrou a aposta e classificou Volodymyr Zelensky como um “ditador” que é responsável pela invasão em larga escala do próprio país pelos russos, faz esta segunda-feira três anos.
“Acompanho isto com a mesma sensação de confusão de todas as outras pessoas”, assume Marta Mucznik, responsável pela pasta UE no Crisis Group, quando questionada sobre que leitura faz dos mais recentes desenvolvimentos. “Está toda a gente a tentar perceber o que vai acontecer e como é que os planos de Trump de acabar com a guerra na Ucrânia rapidamente se vão concretizar, quem vai participar, quais vão ser as linhas vermelhas, quais vão ser as concessões e contrapartidas...”
Os primeiros sinais – como a exclusão da Ucrânia e da Europa ou o facto de as equipas de Zelensky e do enviado de Trump para a Ucrânia e a Rússia, Keith Kellogg, terem cancelado uma conferência de imprensa conjunta à última hora – não são os mais positivos. Mas Mucznik mantém-se cautelosamente otimista. “No fundo, a administração Trump veio abalar o status quo e isso pode ser visto como uma oportunidade para tentar avançar de alguma forma, aproveitar estas mobilizações para resolver o conflito. A Europa precisa de estar preparada para o momento de negociar.”
Retórica pública vs. conversas à porta fechada
De forma algo frenética, com a guerra total na Ucrânia a entrar esta semana no seu quarto ano, é isso que os europeus estão agora a tentar fazer. No rescaldo de todas as declarações da administração Trump, o Presidente francês convocou uma “reunião de emergência” em Paris com os líderes dos principais países da UE e também do Reino Unido, Canadá, Islândia e Noruega, à qual se seguiu uma segunda reunião, que culminou com Emmanuel Macron a dizer que a Ucrânia tem de estar envolvida em qualquer conversação de paz. O mesmo foi transmitido por Kaja Kallas e António Costa, respetivamente a chefe da diplomacia da UE e o presidente do Conselho Europeu, na véspera da sua visita conjunta a Kiev esta segunda-feira.
“A mensagem que estas reuniões convocadas por Macron têm passado é, no fundo, de hesitação, de desunião e divisão, mas tudo isto são coisas delicadas e é difícil chegar a um acordo, percebo as dificuldades dos líderes reunidos”, ressalta Mucznik. “Encaro isto mais como o início de um processo, e não é porque não saiu nada da reunião X ou Y que declaramos já derrota ou fracasso.”
Não só “Costa está a fazer o levantamento junto dos 27 Estados-membros sobre o que cada um está disposto a oferecer”, para perceber que posição conjunta consegue a UE transmitir a uma só voz, como se vê que os principais líderes europeus já não estão à espera de um acordo a 27 para agir e optaram, em vez disso, por criar uma coligação de Estados alinhados e com interesses comuns, “como é aliás o que vemos cada vez mais em situações de guerra e paz em todo o mundo”.
Como referia o Politico há dias, esqueça-se a NATO e a UE, as conversas agora são fora dessas organizações multilaterais. “De facto, estas reuniões convocadas por Macron não acontecem nem no âmbito da NATO, nem no âmbito da UE, porque nestas organizações a política de consensos é muito difícil de alcançar num contexto de guerra – as divisões constantes atrasam muito o processo de decisão e, portanto, faz mais sentido este formato de coligação de vontades”, refere Mucznik.
Para além disso, a analista do Crisis Group invoca como um bom augúrio a recente declaração de Marco Rubio, secretário de Estado de Trump, que numa visita ao continente europeu deixou garantias de que Kiev e a UE farão parte das “verdadeiras” conversações de paz – à qual se seguiu outra centelha de esperança, com Kellogg a elogiar Zelensky após uma visita oficial a Kiev, chamando-lhe “líder corajoso em apuros de uma nação em guerra” dias depois de Trump lhe ter chamado “ditador”.
“Não acho que a Europa vá ficar fora das negociações. Não tenho informações privilegiadas, mas diria que a mensagem de que não pode haver acordo de paz sem a Ucrânia e sem a Europa já deve ter passado para a administração americana pelos canais diplomáticos. Nestas situações, é preciso fazer a distinção entre o que é retórica pública e o que se passa à porta fechada.”
Publicamente, e a dois dias de os líderes europeus viajarem até Kiev numa demonstração de união e apoio, Trump voltou atrás numa das mais controversas declarações da última semana, sobre ter sido a Ucrânia a começar a guerra, e numa entrevista à rádio Fox News, reconheceu que foi a Rússia a invadir o país vizinho.
Em dezembro passado, Kim – que acompanha a situação na Ucrânia desde a revolução laranja de 2004 – publicou “Putin’s Revenge: Why Putin invaded Ukraine”, um livro em que explora as lições encerradas na guerra ainda em curso e, sobretudo, no que a precedeu, em que “tanto a Europa como os EUA não se preocuparam o suficiente com a Ucrânia, dando prioridade às boas relações com a Rússia”.
“A Rússia de Putin tem toda a responsabilidade pelo derramamento de sangue na Ucrânia, mas o Ocidente cometeu uma série de erros”, aponta o jornalista e analista à CNN Portugal. “A NATO abriu a porta à adesão da Ucrânia em 2008, sem qualquer intenção de deixar o país entrar, e isso criou expectativas entre os ucranianos, alimentou a paranoia de Putin em relação à NATO e tornou a Ucrânia extremamente vulnerável ao revanchismo russo.”
Um novo paradigma
Com tudo o que a postura de Trump tem de criticável, Marta Mucznik destaca “a evolução” na forma como o resto do Ocidente encara a guerra na Ucrânia ao final de três anos e “a consciencialização de que não podemos continuar neste esforço de guerra sem fim à vista”.
“Até onde mais pode ir a Ucrânia na luta pela sua integridade territorial? Os analistas dizem que mais vale uma Ucrânia livre, soberana e com capacidade de se defender numa parte do território. No início havia esta lógica de soma zero, de um vencedor e um derrotado, só que esse cenário não vai acontecer."
Provavelmente, adianta, "vamos ter um conflito congelado numa parte do território sob controlo russo sem reconhecimento internacional, como noutras partes da região. Até porque, no contexto da futura arquitetura de segurança europeia, a ameaça russa não termina com o fim desta guerra – que mais do que uma guerra de território, é uma guerra de influência. O que a Rússia quer é Estados vassalos como a Bielorrússia.”
Senão veja-se o relatório divulgado pelos serviços de segurança da Dinamarca há duas semanas, voltando a alertar que a Rússia estará pronta para dar início a uma guerra alargada com os europeus dentro de cinco anos, sobretudo face a uma NATO dividida e a uns EUA ausentes.
A Europa, ou uma parte dela, pode estar a tentar encontrar um rumo, mas não deixa de continuar à deriva, sem consensos quanto ao aumento dos gastos com Defesa, ao reforço da ajuda militar a Kiev e ao potencial envio de uma força de manutenção de paz para o país parcialmente ocupado.
Na semana em que se completam três anos da invasão em larga escala da Ucrânia, Macron e Keir Starmer, o primeiro-ministro britânico, vão viajar até Washington DC para tentar negociar com a administração Trump. E num momento em que a UE procura desesperadamente por uma figura de proa, a importância descomunal destas visitas não pode ser menosprezada, sobretudo quando cada vez menos políticos e analistas veem os EUA como o tradicional aliado transatlântico que foi no último século.
“Os europeus ainda não parecem compreender isto, os líderes estão agitados e a debater-se, mas a mensagem que Trump e JD Vance passaram é muito simples”, destaca Julien Hoez, especialista em geopolítica e editor do The French Dispatch. “Os americanos já não estão aqui para serem nossos amigos e isto está a forçar a Europa a focar-se nos equipamentos que produz, no desenvolvimento das suas capacidades, em vez de depender das armas americanas e do gás russo – e a aumentar a pressão para as reformas urgentes que a UE já deveria ter iniciado há muito.”
Considerando os encontros de Paris “muito importantes” no atual contexto, o especialista francês é apenas um de muitos que ressaltam como, no espaço de um mês desde a tomada de posse de Trump, entrámos oficialmente numa “nova ordem mundial perigosa”, que vem aumentar a pressão sobre a UE para, acima de tudo, contar consigo própria. “Temos de ser autónomos e precisamos de fazer alguma coisa – pode parecer idiotar o que Mario Draghi dizia há uns dias, mas é mesmo assim como ele disse: temos de fazer algo se queremos que algo aconteça.”
A questão é: como fazer algo quando um suposto aliado “se deita na cama com o inimigo” (a analogia pertence a um diplomata britânico) e oferece trunfos antes de as “verdadeiras” negociações de paz começarem? Em primeiro lugar, é preciso encarar a realidade com frieza. “É verdade que Trump e Rubio e Kellogg vieram avançar concessões que não deviam ter avançado, dizendo que é irrealista falar de uma Ucrânia com as fronteiras pré-anexação da Crimeia ou que é irrealista a adesão da Ucrânia à NATO – isso são tudo trunfos que o Ocidente pode usar num eventual processo de paz e Kaja Kallas disse exatamente isso”, admite Marta Mucznik.
“Agora, acho que aquilo que foi dito não é nenhuma novidade entre os analistas”, contrapõe a analista. “Mesmo em Bruxelas já se diz, à porta fechada, que é irrealista insistir em recuperar todo o território ucraniano ocupado e voltar às fronteiras de 2014. Tem havido um discurso pouco realista por parte da Europa que não tem ajudado a Ucrânia, um discurso de slogans sobre apoiar o país com o que tiver de ser pelo tempo que tiver de ser – mas depois os Estados-membros nem sequer conseguem fechar um acordo sobre que garantias podemos dar à Ucrânia.”
“Depois de travar uma guerra maioritariamente defensiva durante três anos, a maioria dos ucranianos, incluindo Zelensky, reconhece que a Ucrânia não tem força para libertar todos os territórios ocupados pela Rússia”, adianta Lucian Kim. “O que é perturbador para os ucranianos nas recentes declarações dos responsáveis norte-americanos é o facto de Washington parecer estar a ceder estes territórios à Rússia antes mesmo de as conversações começarem – em vez de tornar o seu estatuto parte do processo de negociação.”
O espetáculo Trump-Putin
Face às sucessivas réplicas do sismo Trump na Ucrânia, e em jeito de balanço de um mês da nova administração norte-americana, pululam artigos de toda a espécie sobre o fim da ordem mundial pós-II Guerra, sobre o fim da NATO e sobre a divisão irreversível da UE, entre democracias liberais e regimes iliberais, entre os que estão alinhados com os EUA de Trump (e, por arrasto, com a Rússia) e os que não estão.
Num desses artigos, publicado na Foreign Policy um dia depois da Conferência de Munique, um ex-presidente do Conselho de Segurança da ONU apontava como grande erro da Europa não ter considerado “os piores cenários possíveis”, passando demasiado tempo a “seguir servilmente Washington” e, pelo caminho, “esquecendo-se de como fazer avançar os seus próprios interesses geopolíticos”.
“Ainda é cedo para dizer quem serão os verdadeiros vencedores e vencidos da segunda administração Trump. As coisas podem mudar. Mas não há dúvidas de que a posição geopolítica da Europa diminuiu consideravelmente”, ressalta Kishore Mahbubani. “A decisão do Presidente dos EUA de nem sequer consultar ou avisar os líderes europeus antes de falar com o Presidente russo mostra como a Europa se tornou irrelevante, mesmo quando os seus interesses geopolíticos estão em jogo.”
A “única maneira” de a Europa “restaurar” a sua posição, defende o diplomata, é considerar três coisas até agora “impensáveis”, incluindo ameaçar sair da NATO, iniciar negociações diretas com a Rússia de Putin e elaborar um novo pacto estratégico com a China.
Havendo alguns pontos certeiros no artigo, a maioria dos analistas considera que está muito longe da realidade (como diz uma das fontes ouvidas pela CNN, “no mínimo Mahbubani não percebe nada da Europa”).
“Há pelo menos três razões pelas quais os europeus não podem tentar negociar sozinhos com os russos”, destaca Lucian Kim, invocando o facto de Putin apenas considerar os EUA como seu interlocutor direto, o facto de os europeus “não conseguirem formar uma frente unida” e o facto de a Europa não ter o poder militar necessário para “forçar o Kremlin a ouvir”. Os europeus até podem vir a ser envolvidos nas “verdadeiras negociações”, como refere Rubio, mas para o especialista o seu destino está traçado: “A Europa vai ter de assistir ao espetáculo Trump-Putin das laterais.”
Esse espetáculo, é, entretanto, aparente, terá a mesma natureza transacional da restante política externa desta administração norte-americana. Com o Kremlin pronto a oferecer aos EUA acesso ao seu petróleo e ao Ártico em troca do seu apoio na guerra, Trump continua a exigir a Kiev que assine um acordo de 500 mil milhões de dólares para ter acesso às vastas bolsas de minerais críticos da Ucrânia, no que diz servir para pagar a dívida do país pela proteção garantida pelos EUA ao leme de Joe Biden (e ignorando o facto de que o setor norte-americano do armamento é dos que mais dinheiro tem encaixado com esta guerra).
Na sexta-feira, Zelensky assumiu que um projeto de acordo está em negociação e disse esperar um “resultado justo” desse negócio – no mesmo dia em que Mike Waltz, conselheiro de Segurança Nacional da Casa Branca, disse que “a questão é a seguinte: o Presidente Zelensky vai assinar o acordo, e vamos ver isso a muito curto prazo.” Um dia depois, perante indícios de que os EUA pretendem abandonar as acusações de crimes de guerra a Putin no 3.º aniversário da invasão russa, uma fonte ucraniana disse à AFP que Zelensky “não está preparado” para assinar o acordo delineado pelos americanos.
“Na forma em que o projeto de acordo está agora, o presidente não está pronto para aceitar, ainda estamos a tentar fazer mudanças e acrescentar um caráter construtivo”, disse a fonte. “O acordo não prevê obrigações americanas relativamente a garantias ou investimentos, é tudo muito vago e eles querem sacar-nos 500 mil milhões de dólares. Que tipo de parceria é esta? E porque é que temos de dar-lhes 500 mil milhões de dólares? Não há resposta.”
Também não há resposta sobre até que ponto as alterações propostas por Kiev vão ser tidas em conta, isto quando fontes citadas pela Reuters dizem que os americanos estão a encostar a Ucrânia à parede sob a ameaça de cortar o seu acesso ao Starlink, o sistema de satélites de Elon Musk, o novo braço-direito de Trump, que tão valioso se tem provado para o esforço de guerra ucraniano.
Rei Trump e a extrema-direita pró-Rússia
Foi na mesma CPAC em que Waltz cantou vitória sobre os minerais ucranianos que Steve Bannon, ex-assessor e estratego de Trump, seguiu as pisadas de Musk, que na tomada de posse do Presidente foi acusado de fazer a saudação nazi – levando Jordan Bardella, coqueluche de Marine Le Pen e provável candidato da extrema-direita à presidência francesa em 2027, a cancelar o seu discurso no encontro conservador.
“Neste pódio, enquanto eu não estava presente na sala, um dos oradores permitiu-se, como provocação, fazer um gesto em referência à ideologia nazi, pelo que tomei a decisão imediata de cancelar a minha intervenção programada para este evento.” Banon, que tal como Musk nega ter feito a saudação nazi, respondeu: “Se [Bardella] está tão preocupado com isso e molha as cuecas como uma criança, então é indigno e nunca será líder de França.”
O Reagrupamento Nacional de Le Pen e Bardella até pode continuar a tentar dissociar-se da extrema-direita do século passado (e isso valer-lhes pontos em casa), mas não é essa a rota seguida por outros partidos do mesmo calibre com os quais a administração Trump parece estar mais predisposta a negociar.
O caso mais gritante é o do Alternativa para a Alemanha (AfD), um partido tão extremista que está sob vigilância estatal, mas com cuja líder Vance optou por se encontrar em Munique em vez do chanceler Scholz. O encontro com Alice Weidel (novamente seguindo as pisadas de Elon Musk) teve lugar a nove dias das legislativas alemãs (que, no domingo, abriram um novo capítulo de incerteza na maior economia europeia), depois de o vice de Trump ter dito que a grande ameaça que a Europa enfrenta não vem da Rússia nem da China mas “de dentro”, dos que querem impedir partidos considerados extremistas de governar.
No caso alemão, isso aplica-se quer à AfD, quer à recém-fundada Aliança Sara Wagenknecht (BSW), um partido de extrema-esquerda anti-imigração e que, como o movimento do extremo oposto, mantém uma postura questionável em relação à Rússia de Putin – e é contra o apoio do Estado alemão à Ucrânia.
Alguns analistas até podem considerar que o namoro do autoproclamado rei Trump e seu séquito (já coroado nas contas oficiais da Casa Branca) com a extrema-direita europeia tem os dias contados. Mas se a ela se juntarem outros movimentos conservadores – o que Julien Hoez classifica como “a quinta coluna” da Hungria de Viktor Orbán ou a Eslováquia de Robert Fico, “que só bloqueia coisas e ativamente sabota os esforços europeus” – o cenário no curto prazo não é o melhor.
Como destaca Lucian Kim: “Parece que a nova administração dos EUA está disposta a sacrificar a Ucrânia em nome da melhoria das relações com o Kremlin – e há muitas forças na Europa que gostariam de seguir esse exemplo.”