A mudança de postura do presidente norte-americano sobre a guerra foi ainda notada por outros líderes mundiais, que apontaram uma visão mais realista do que está a acontecer no terreno
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terá alterado a sua visão sobre a guerra na Ucrânia, passando a adotar uma posição mais alinhada com os restantes líderes do G7.
A mudança de perspetiva terá sido influenciada por informações apresentadas pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e pelos aliados, durante contactos em Évian, em França, onde decorre a cimeira dos sete, segundo o Le Monde.
Durante o encontro em Évian-les-Bains, Emmanuel Macron convidou Zelensky para um encontro com Trump. Os dois líderes estiveram reunidos durante cerca de 20 minutos à margem de uma reunião dedicada à Ucrânia, onde o presidente ucraniano apresentou várias imagens da guerra com a Rússia.
Segundo declarações de Zelensky, as imagens mostradas terão tido impacto no presidente norte-americano, contribuindo para uma mudança na sua perceção do conflito. De acordo com um diplomata citado pelo diário francês, Trump terá deixado de ver a Ucrânia como “perdedora” e passou a encará-la de forma diferente no contexto da guerra.
"Mostrei algumas fotografias dos ataques e dos incêndios, bem como a forma como os nossos homens extinguiram heroicamente o fogo", explicou à imprensa o presidente ucraniano, referindo-se à Catedral da Dormição, em Kiev.
A mudança de postura foi ainda notada por outros líderes mundiais. Esta quarta-feira, Mark Carney, primeiro-ministro do Canadá, admitiu que os Estados Unidos e o presidente norte-americano, Donald Trump, alteraram a sua visão sobre a guerra na Ucrânia e passaram a adotar uma abordagem que os restantes líderes do G7 consideram mais próxima da realidade do conflito.
Por sua vez, Donald Trump afirmou que “a Rússia deveria chegar a um acordo”, lamentando as “35 mil” mortes russas registadas em maio. “Eles perdem tantos soldados. Desde a Segunda Guerra Mundial que não se via nada assim”, sublinhou.
Na noite de terça-feira, os Estados Unidos apoiaram a declaração dos líderes do G7, que prevê o aumento do fornecimento a Kiev de capacidades de defesa aérea, sistemas e interceptores adicionais, bem como meios de longo alcance.
O presidente norte-americano comprometeu-se ainda a restabelecer as sanções sobre o petróleo russo, que tinham sido interrompidas durante a guerra no Irão para aliviar os preços do crude. Trump reiterou que essa medida será possível “porque o petróleo está a fluir em abundância”.
