800 drones a jato em quatro dias: Rússia está a usar um tipo de aeronave quase inalcançável contra a Ucrânia

1 set, 11:21
Nesta imagem, divulgada pelo Serviço de Emergências da Ucrânia, os bombeiros combatem um incêndio na sequência de um ataque russo com mísseis em Kiev, na Ucrânia, a 1 de setembro de 2026. (Serviço de Emergências da Ucrânia via AP)
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A Ucrânia consegue abater entre 88% e 90% dos drones, mas essa percentagem é inferior quando estão em causa os aparelhos a jato

A Rússia está a apostar cada vez mais em drones a jato nos ataques contra a Ucrânia. Nos últimos quatro dias, Moscovo terá lançado mais de 1.500 drones, dos quais cerca de 800 eram movidos a jato, segundo Yurii Ihnat, coronel e responsável pelo departamento de comunicações do Comando da Força Aérea ucraniana, ouvido pelo Euromaidan. Kiev tem sido o principal alvo desta nova vaga de ataques.

A ofensiva contra a capital e a região envolvente começou a 27 de agosto e tem sido marcada por sucessivos alertas aéreos. A diferença está na velocidade: os Shahed equipados com motores turbojato conseguem voar muito mais depressa do que os modelos convencionais, tornando a sua interceção mais difícil.

Conhecidos como Geran-4, a Rússia só começou, na primavera, a produzir e a utilizar em larga escala esta nova variante de drones com motor a jato. Atualmente, Moscovo fabrica mais drones a jato do que as versões originais equipadas com motores de pistão. Existem dois modelos principais: o Geran-4, com uma característica asa em delta, e o Geran-5, com um formato semelhante ao de um míssil equipado com asas.

Segundo alguns dados, a Ucrânia consegue abater entre 88% e 90% dos drones, mas essa percentagem é inferior quando estão em causa os aparelhos a jato.

O problema é também tecnológico. Os drones intercetores ucranianos atingem cerca de 300 quilómetros por hora, mas não conseguem acompanhar alvos que voam mais depressa e a cerca de cinco quilómetros de altitude.

A Rússia tem aumentado o recurso a estes aparelhos: em julho lançou cinco vezes mais drones a jato do que em junho. Segundo o coronel da Força Aérea ouvido pelo Euromaidan, os destroços recuperados revelam ainda que alguns foram produzidos apenas duas semanas antes, sinal de que a fabricação continua.

Moscovo está também a utilizar mais Banderol, sistemas que combinam características de drones e mísseis e podem atingir 600 quilómetros por hora. Para os travar, a Ucrânia recorre a sistemas de defesa antiaérea de curto alcance e a aviões equipados com mísseis ar-ar.

Segundo o jornal, os ataques russos procuram atingir alvos específicos, como centros logísticos e comerciais, terminais postais e infraestruturas críticas. Nas últimas semanas, estes ataques destruíram cerca de 90% do espaço moderno de armazéns da Ucrânia e abrandaram as exportações de cereais através do corredor do Mar Negro.

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