Pentágono: russos estão “frustrados” e a lançar mais bombardeamentos de longe contra alvos civis

22 mar, 03:11
As imagens da destruição: forças russas atacam centro comercial em Kiev

EUA desvalorizam avanços do invasor no terreno e dizem que é esse impasse que leva os russos a lançar "incêndios de longo alcance" com mísseis que atingem áreas de habitação e infraestruturas civis. "Estão a pressionar para forçar a rendição"

"Quando se vê o que conseguiram fazer em 26 dias, não é assim tão impressionante", disse o porta-voz do Pentágono, John Kirby, sobre o avanço russo na Ucrânia. Em conferência de imprensa, ao fim do dia na segunda-feira, Kirby resumiu a análise do Pentágono ao que se passa no terreno com duas ideias: os russos estão “atordoados” e "frustrados" com a feroz resistência ucraniana desde que começou a invasão. Porém, alertou que esta frustração poderá ditar um patamar de ainda maior violência, apontada sobretudo aos civis.

"Uma das razões por que os russos se têm sentido frustrados com os progressos que não fizeram é a resistência ucraniana. Mas também não os temos visto planear e executar corretamente a logística e a sustentabilidade", disse Kirby, acrescentando que a Rússia está com dificuldades de todo o tipo - até para “alimentar as suas tropas".

"Eles ainda estão essencialmente parados fora de Kiev, fora de Kharkiv, fora de Chernihiv e tantos outros lugares que estão a intensificar aquilo a que nós no Pentágono chamamos incêndios de longo alcance, bombardeamentos de longe", disse Kirby, sobre a maior pressão sobre cidades e infraestruturas civis. "Quer sejam mísseis de cruzeiro, mísseis balísticos [ou] fogo de artilharia, eles estão a pressionar imensos equipamentos nestas cidades para tentarem forçar a sua rendição". 

Segundo o porta-voz do Pentágono, esses bombardeamentos intensificaram-se nos últimos dias e é isso que está a causar mais baixas entre a população e as infraestruturas civis. "Isso resulta em mais baixas civis, mais danos em áreas residenciais, hospitais, escolas, e vítimas inocentes a preços mais elevados e em maior número. E, em muitos aspetos, é em grande parte indiscriminado".

Boa parte destes bombardeamentos, diz o Pentágono, tem sido conduzida a partir de silos, e não de forças no terreno. A descoordenação entre as várias forças russas tem sido uma marca desta invasão, segundo o porta-voz do Pentágono. 

"Eles ainda têm problemas de combustível” e “ainda estão a ter problemas em alimentar algumas das suas tropas. Estão a ter problemas com o comando e o controlo no terreno, por isso deram passos errados. E isso incluiria também aquilo a que nós, no Pentágono, chamamos ‘integração’ [jointness]. Não vemos um nível de integração entre as suas forças aéreas e as suas forças terrestres com qualquer nível de eficiência". 

 

Mais atividade russa no Mar Negro

 

O mesmo problema, diz o Pentágono, verifica-se com a Armada russa. Apesar de ter notado um aumento da atividade marítima russa no Mar Negro, nesta fase os EUA não valorizam muito a componente marítima. 

Há cerca de uma dúzia de navios de guerra russos no Mar Negro, o que levanta a suspeita de que Moscovo esteja a considerar um ataque anfíbio à cidade de Odessa. Porém, segundo Kirby, não é claro o que a Rússia estará a planear para essas forças, que incluem navios anfíbios.

"Será o prelúdio de um assalto a Odessa? Será uma táctica de diversão para deter e fixar tropas ucranianas no sul, para que não possam vir em socorro dos seus camaradas em Mariupol e Kiev? É difícil de saber.”

Apesar das dúvidas, um alto responsável da Defesa dos EUA disse esta segunda-feira que não parece que Odessa esteja sob a ameaça iminente de um ataque anfíbio.

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