"O inimigo está a aumentar os seus contra-ataques". Ucrânia perdeu mais de 40% do território conquistado durante incursão de Kursk

23 nov 2024, 18:46
Combates em Kursk (AP)

Anteriormente Kiev já tinha afirmado que cerca de 11 mil soldados norte-coreanos se tinham juntado à contra-ofensiva em Kursk

A Ucrânia perdeu mais de 40% do território que conquistou anteriormente no Oblast de Kursk, na Rússia, devido aos contra-ataques russos, noticiou a Reuters, citando uma fonte do Estado-Maior da Ucrânia. "No máximo, controlamos cerca de 1.376 quilómetros quadrados, agora é claro que este território é menor. O inimigo está a aumentar os seus contra-ataques", disse a mesma fonte, acrescentando que o exército de Kiev controla "agora aproximadamente 800 quilómetros quadrados". "Manteremos este território enquanto for militarmente apropriado".

A Ucrânia conquistou pela primeira vez uma posição no Oblast de Kursk durante uma incursão surpresa na região russa no início de agosto. Desde então, a Rússia lançou extensos contra-ataques num esforço para retomar a região.

A mesma fonte acrescenta que cerca de 60 mil militares russos estão atualmente estacionados no Oblast de Kursk, estando a planear neste momento alcançar a fronteira com o Oblast de Sumy para criar ali uma "zona tampão", como a Ucrânia pretendia fazer com a sua incursão no Oblast de Kursk.

Anteriormente Kiev já tinha afirmado que cerca de 11 mil soldados norte-coreanos se tinham juntado à contra-ofensiva em Kursk, com a fonte do Estado-Maior a referir que maior parte desses soldados estava a chegar ao fim do treino juntamente com as forças russas.

À medida que a tentativa da Rússia de retomar Kursk continua a progredir, a Rússia também intensificou os seus ataques ao longo da frente oriental nas últimas semanas, colocando as forças ucranianas sob pressão crescente, enquanto lutam para defender posições-chave.

Esta informação surge numa altura em que se sabe que ao longo deste sábado ocorreram cerca de 125 combates na linha da frente, estando ainda em curso batalhas em cinco setores da frente. Os ataques russos são mais intensos em Pokrovsk e Kurakhove, segundo informa o Estado-Maior General das Forças Armadas da Ucrânia no Facebook..

"Os invasores continuam a utilizar a aviação, incluindo bombas aéreas guiadas, e a realizar ataques em todas as direções leste e sul do nosso país, particularmente intensamente nos setores Pokrovsk e Kurakhove. As Forças de Defesa estão a manter as suas posições e a tomar todas as medidas necessárias para prevenir uma violação da defesa", refere o comunicado.

Kursk foi alvo de mísseis fornecidos pelos EUA e Reino Unido

No seu discurso de cerca de oito minutos na quinta-feira, Vladimir Putin indicou que o Exército russo vai alertar a população civil ucraniana para a utilização dos novos mísseis “por razões humanitárias” e também, insistiu, porque “hoje não existem meios para contrariar estas armas”.

O líder do Kremlin confirmou os ataques ocorridos esta semana com mísseis norte-americanos de longo alcance ATACMS e mísseis britânicos Storm Shadow, dirigidos contra infraestruturas militares das regiões fronteiriças de Bryansk e Kursk, numa mudança sem precedentes, em quase três anos de conflito, das posições de Washington e Londres em relação à utilização do seu armamento pelas forças ucranianas em território russo.

Putin defendeu que o uso de armas ocidentais pelas forças ucranianas para atingir o seu país transformou a guerra na Ucrânia num “conflito global” e admitiu atacar os aliados de Kiev envolvidos.

O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, instou a comunidade internacional a reagir, avisando para o aumento da "escala e brutalidade" do conflito, iniciado em 24 de fevereiro de 2022 com a invasão russa da Ucrânia.

"O mundo deve reagir. Neste momento, não há uma reação forte", lamentou Zelensky numa mensagem nas redes sociais.

A Aliança Atlântica e a Ucrânia vão reunir-se em Bruxelas na terça-feira para discutir o ataque russo de quinta-feira, revelaram fontes diplomáticas à agência France Presse.

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