Amanhã, dia 4 de setembro, o Presidente ucraniano Volodymy Zelensky irá ser recebido em Paris por Emmanuel Macron. Também estarão presentes o primeiro-ministro britânico Keir Starmer, o chanceler alemão Friedrich Merz, o secretário-geral da NATO Mark Rutte, e a presidente da Comissão Europeia Ursula von der Leyen. O encontro assinala mais um passo no debate europeu sobre as garantias de segurança à Ucrânia, mas também expõe as fragilidades de uma Europa ainda a tatear perante a nova ordem internacional.
Embora bem-vindo, o conceito de uma coalition of the willing é, em si mesmo, uma admissão tácita da insuficiência da União Europeia. A saída do Reino Unido e o bloqueio constante da Eslováquia e da Hungria impedem soluções dentro do quadro da União. O resultado é forçosamente uma coligação ad hoc, que reúne os principais Estados europeus a nível de defesa, mas tem um alcance limitado e frágil credibilidade.
Salvo um grau de compromisso muito maior, as garantias de segurança saídas desta coligação só serão verdadeiramente credíveis com um backstop americano. Mas acreditar na fiabilidade desse backstop é pensamento mágico. A política externa de Donald Trump e da sua administração tem sido altamente errática, mas revela um padrão: um descomprometimento crescente com a Europa e a sua defesa. No quadro atual, é muito difícil acreditar que os Estados Unidos viriam em defesa de peacekeepers europeus caso estes fossem atacados por forças russas na Ucrânia. O Presidente russo tem plena consciência disso, ou não teria atacado a delegação da União Europeia nem o British Council em Kyiv.
Ao mesmo tempo, os líderes amanhã reunidos vivem um ambiente político interno tóxico. O governo francês, mais um, está à beira de cair; o governo britânico, eleito com uma solidíssima maioria, é já altamente impopular; a Alemanha está a braços com uma contração económica, que causa e continuará a causar dificuldades ao Chanceler alemão. Em cada um desses países, o crescimento febril dos extremismos impede, por agora, um grau de maturidade suficiente para assumir o nível de compromisso que uma defesa europeia independente exige.
Como resultado, a Europa está crescentemente isolada, entre alianças precárias e uma fronteira hostil a leste. As negociações comerciais com os Estados Unidos expuseram a fragilidade de um bloco comercial sem unidade, nem sequer coordenação cabal, na esfera da política externa e de segurança. Os líderes europeus amanhã reunidos em Paris conhecem este quadro. O preço a pagar pela defesa europeia é elevado, mas a alternativa é o definhamento contínuo. A coalition of the willing está disposta a pagar esse preço?