Ex-chanceler amigo de Putin diz que "o Kremlim quer uma solução negociada" na Ucrânia (e aponta a solução)

3 ago, 19:46
Vladimir Putin e Gerhard Schröder durante uma reunião do G8, em 2005 (Chris Young/AP)

Gerhard Schröder continua muito próximo do presidente da Rússia, e diz mesmo que nada se resolveria se houvesse um distanciamento

O antigo chanceler da Alemanha, Gerhard Schröder, esteve com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscovo na semana passada. Agora, em entrevista à revista Stern, traz novidades: a Rússia está disposta a negociar o fim da guerra.

Num encontro confirmado por Dimitry Peskov, porta-voz do Kremlin, Schröder afirma que “o Kremlin quer uma solução negociada”, o que o ex-chanceler alemão classifica como uma “boa notícia”.

Schröder deu inclusive o exemplo do sucesso das negociações da exportação de cereais, defendendo que “talvez se possa expandir gradualmente para um cessar-fogo”.

Mas nem tudo é um mar de rosas. Isto porque, segundo o político alemão, os problemas têm de ser resolvidos, o que implicaria não só um compromisso para a região leste de Donbass baseado num “modelo de cantão suíço”, como também “neutralidade armada” para a Ucrânia como alternativa da adesão à NATO.

“A ideia de que o presidente ucraniano Zelensky possa reconquistar a Crimeia militarmente é absurda”, disse Schröder, pelo que a Ucrânia deve também abandonar a reivindicação da Crimeia.

No conflito, a França e a Alemanha têm especial responsabilidade, segundo o ex-chanceler, que acrescenta que “está claro que nada acontecerá sem conversas” com os dois países.

A proximidade com Putin

Desde o início do conflito que Gerhard Schröder tem sido criticado não só por continuar a manter uma relação próxima com Vladimir Putin, como por continuar a manter ligações empresariais com empresas de energia russas. Mas a verdade é que as relações se mantêm.

“Condenei a guerra muitas vezes, vocês sabem disso. Mas ajudaria alguém se eu me distanciasse pessoalmente de Vladimir Putin?”, questionou Schröder na entrevista à Stern, não abdicando da relação com Putin.

O ex-chanceler vai mais longe e confessa que acha que esta relação de proximidade ainda poderá “ser útil”, revelando que recebeu cartas de alemães que defendem ser bom ”que ainda haja alguém a manter os canais de comunicação com a Rússia abertos no conflito atual”.

Apesar deste apoio que diz receber, as críticas multiplicam-se e os militantes do seu partido estão a tentar expulsá-lo.

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