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“Estamos a morrer! Crianças, mulheres, avós.” Campeão mundial de boxe desafia Trump: “Que venha viver uma semana na minha casa na Ucrânia”

8 jun 2025, 17:05
Oleksandr Usyk
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Oleksandr Usyk, pugilista ucraniano e campeão mundial de pesos pesados, deixou um convite sem luvas a Donald Trump: viver durante uma semana na sua casa, sob bombardeamentos noturnos, para entender o que é a guerra. É a resposta às declarações do Presidente dos EUA, que disse que Zelensky “começou o conflito” e que bastariam “24 horas” (quando regressasse à Casa Branca) para o pôr fim à guerra

A casa de Oleksandr Usyk na Ucrânia não é um ringue mas tem noites que soam a décimo assalto. Usyk, campeão unificado de pesos pesados, ofereceu a Donald Trump a possibilidade de viver nessa sua casa durante uma semana. Um convite que tem tanto de simbólico como de provocador: o pugilista quer que o Presidente norte-americano sinta na pele a realidade da guerra, “o que se passa todas as noites”.

Desde que Vladimir Putin ordenou a invasão total da Ucrânia, em fevereiro de 2022, Trump vem repetindo a mesma promessa: se voltasse à Casa Branca, resolveria a guerra “em 24 horas”. Uma garantia que se tornou bordão de campanha, mas que nunca conheceu corpo — nem plano, nem consequência. Pelo contrário: o republicano chegou a culpar Volodymyr Zelensky pela guerra. E até pelo seu prolongamento.

Usyk, que em 2022 dedicou a vitória frente a Anthony Joshua (pelo título mundial) ao povo ucraniano, falou agora à BBC. Sem peitas nem teias, sem floreios nem metáforas. “Aconselho o Presidente americano, Donald Trump, a vir à Ucrânia e viver uma semana na minha casa. Só uma semana. Dou-lhe a minha casa. Viva, por favor, na Ucrânia e veja o que se passa todas as noites. Todas as noites há bombas e aviões a sobrevoar a minha casa. Bombas, mísseis. Todas as noites. Já chega.”

O momento desta declaração não é inocente: em fevereiro, a visita de Zelensky a Washington terminou em tensão — Trump, então anfitrião na Sala Oval, exigira mais gratidão do líder ucraniano pelo apoio norte-americano. Uma cena carregada de subtexto político e que agora ecoa no desafio lançado por Usyk.

Quando questionado se acredita que Trump mudaria de opinião sobre a guerra, caso aceitasse o desafio, Usyk foi contido na resposta, hesitou, escolheu as palavras com o peso com que mede cada golpe: “Não sei. Talvez perceba, talvez não. Mas os ucranianos estão a morrer! Não são só soldados: são crianças, mulheres, avós. Para mim é duro. É o meu país. Preocupo-me com o que lhe acontece.”

Desde 2022 — ano em que derrotou Anthony Joshua e dedicou o título ao povo ucraniano — que Usyk se tornou mais do que um atleta e tem sido uma das vozes públicas mais firmes na defesa da paz. Junta-se, nesse esforço, a outros nomes lendários do boxe ucraniano, como os irmãos Klitschko: Wladimir e Vitali  — este último, hoje, presidente da câmara de Kiev.

O próximo combate de Usyk está marcado para 19 de julho, no Estádio de Wembley, em Londres, frente ao britânico Daniel Dubois — o mesmo que venceu por KO técnico, ao nono assalto, em agosto do ano passado. Em jogo estará a possibilidade de Usyk se tornar campeão mundial unificado pela segunda vez. Mas, até lá, há outras batalhas a travar.

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