A "lista de compras" da Rússia que a Ucrânia quer que todos vejam (e como isso pode influenciar a guerra)

7 set, 14:19
Microchip (Foto: Pexels)

Semicondutores, transformadores, conectores, invólucros, isoladores e outros componentes. A mensagem da Ucrânia é clara: não deixem os russos pôr as mãos nestas tecnologias

Mais de meio ano após a invasão da Ucrânia, as sanções do Ocidente começam a ter efeito no poder bélico da Rússia, que tem vindo a apoiar-se cada vez mais nos stocks de munições da era soviética. 

Segundo noticia o Politico, a Ucrânia está ciente de que o resultado da guerra poderá depender de a Rússia encontrar uma forma de recuperar o acesso a chips de alta tecnologia - e está empenhada em garantir que Moscovo não os consiga.

Para isso, Kiev está a enviar alertas internacionais de que o Kremlin elaborou "listas de compras" de semicondutores, transformadores, conectores, invólucros, isoladores e outros componentes - a maioria feita por empresas de Estados Unidos, Alemanha, Holanda, Reino Unido, Taiwan e Japão (entre outros) - dos quais precisa para alimentar a guerra.

A lista, à qual o jornal norte-americano teve acesso, está dividida em três categorias prioritárias, dos componentes mais críticos aos menos, e inclui até o preço por item que Moscovo espera pagar:

 

 

O artigo mais barato na lista de prioridade máxima - o transceptor ethernet 88E1322-AO-BAM2I000 gigabit (utilizado para comunicação), feito pela Marvell - pode custar a Moscovo cerca de 7 euros. O item mais caro, um conjunto de portas programáveis ​​em campo 10M04DCF256I7G, fabricado pela Intel, pode ser adquirido por 1.107 euros cada.

Embora o jornal advirta que não pôde verificar de forma independente a proveniência da lista, dois especialistas em cadeias de abastecimentos militares confirmaram ao Politico que esta estava de acordo com informações anteriores sobre equipamentos e necessidades militares da Rússia.

Rússia já terá gasto quase metade do seu arsenal

Ora, com apenas tecnologia doméstica e básica, o Kremlin confiou durante os últimos anos em empresas dos Estados Unidos, da União Europeia e do Japão como fornecedores de semicondutores, mas estes estão atualmente fora do alcance por causa das sanções. A dificuldade agora surge em saber se um país intermediário - como a China - deve comprar estas tecnologias para depois vendê-las a Moscovo, sugere o Politico, que escreve que, em casos extremos, os russos já estarão a arrancar chips de eletrodomésticos.

O primeiro-ministro ucraniano Denys Shmyhal afirmou que a guerra chegou a um ponto de inflexão onde a vantagem tecnológica se mostra decisiva.

"De acordo com as nossas informações, os russos já gastaram quase metade do seu arsenal", disse ao Politico.

Denys Shmyhal acrescentou que a Ucrânia estima que a Rússia estará reduzida a apenas "quatro dúzias" de mísseis hipersónicos. "Estes são os que têm maior precisão e exatidão devido aos microchips que possuem. Mas por causa das sanções impostas à Rússia, as entregas deste equipamento de alta tecnologia pararam e eles não têm como reabastecer esses stocks. ”

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