Zelensky mostra bunker onde esteve nas primeiras horas da invasão e recorda telefonema de Biden: "Volodymyr, há perigo, precisas de sair da Ucrânia"

24 fev, 14:23
Ucrânia assinala quatro anos de guerra (GettyImages)

No dia em que se assinalam quatro anos de guerra, Volodymyr Zelensky recorda as primeiras horas da invasão russa, quando todos subestimavam a resistência dos ucranianos. Joe Biden, então presidente dos EUA, ofereceu ajuda a Zelensky. "Eu respondi que precisava de armas, não de uma boleia", recorda o chefe de Estado ucraniano, num vídeo de 18 minutos para assinalar a data

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pressionou os líderes europeus a adiantarem uma “data concreta” para a adesão da Ucrânia à União Europeia (UE) e voltou a desafiar Donald Trump a visitar Kiev para perceber “quem é o agressor”.

Num vídeo de 18 minutos publicado nas redes sociais, Zelensky aparece a depositar rosas num memorial na Praça Maidan, em Kiev, em homenagem aos milhares de militares ucranianos que morreram nos últimos quatro anos de guerra. “Queria muito vir aqui com o presidente dos EUA, um dia”, desabafa. “Uma coisa é certa: só vindo à Ucrânia e vendo com os próprios olhos a nossa vida e a nossa luta, sentindo o nosso povo e a imensidão desta dor - só então se poderá compreender o verdadeiro significado desta guerra”, sublinha.

Volodymyr Zelensky sugere que, dessa forma, Trump saberia “quem é o agressor e quem deve ser pressionado”. “Isto não é uma luta de rua – é um ataque de um Estado doente contra um Estado soberano. Ele [Putin] é a causa do seu início e o obstáculo ao seu fim. E é a Rússia que deve ser colocada no seu devido lugar. Para que possa haver verdadeira paz”, vinca.

O vídeo inclui imagens divulgadas pela primeira vez do bunker subterrâneo na rua Bankova, em Kiev, onde Zelensky e os seus assessores trabalharam e dormiram durante as primeiras horas após o ataque russo que lançou a invasão em larga escala, há precisamente quatro anos.

Nas imagens, surge um longo corredor sem janelas, com um cartaz a anunciar o “Gabinete do Presidente da Ucrânia”. "Este escritório – esta pequena sala no bunker da Rua Bankova – foi onde tive as minhas primeiras conversas com líderes mundiais no início da guerra”, indica.

Zelensky lembra um telefonema que recebeu na altura de Joe Biden, então presidente dos EUA, que se ofereceu para o ajudar a sair do país imediatamente. "Falei com o presidente Biden aqui, e também o ouvi dizer: 'Volodymyr, há perigo, precisas de sair da Ucrânia urgentemente. Estamos prontos para te ajudar com isso'. E eu respondi que precisava de armas, não de uma boleia", contou o presidente ucraniano.

Esta manhã, Volodymyr Zelensky recebeu em Kiev o presidente do Conselho Europeu, António Costa, e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Ao contrário do que aconteceu no ano passado, em que os líderes europeus chegaram a Kiev com o anúncio de um financiamento de 3,5 mil milhões de euros à Ucrânia, desta vez Costa e Von der Leyen assinalaram a ocasião sem anúncios, um dia depois de os 27 Estados-membros da UE não terem conseguido chegar a um consenso sobre um novo pacote de sanções à Rússia.

Zelensky pressiona UE a definir "data concreta" para adesão da Ucrânia

Presidente ucraniano avisa que, sem uma "data concreta" para a adesão da Ucrânia à UE, Vladimir Putin "vai arranjar forma" de "bloquear" o processo (GettyImages)

Num discurso transmitido por videoconferência no Parlamento Europeu, Zelensky pressionou os líderes europeus a definirem uma “data concreta” para a adesão da Ucrânia ao bloco comunitário, advertindo que Putin pode aproveitar a indefinição nesta matéria para “bloquear” quaisquer avanços nesse sentido.

“Sem uma data, sem qualquer garantia, ele [o presidente russo] vai arranjar forma de bloquear a Ucrânia, (...) dividindo-vos, dividindo a Europa. Temos de nos proteger disto”, avisou.

Numa entrevista ao jornal Público divulgada esta terça-feira, António Costa afirma que fixar uma data realista para a adesão da Ucrânia à UE “depende muito da dinâmica de todo o processo de guerra, do processo da paz e do processo de negociação”. O presidente do Conselho Europeu indica que o ano de 2027 “é o prazo para (...) concluir as negociações”, lembrando que ainda falta uma “fase muito exigente” da ratificação do Tratado de Adesão.

Do lado russo, a manhã fica marcada pelo reconhecimento, por parte do Kremlin, de que os objetivos da “operação militar especial”, como descreve a invasão em larga escala da Ucrânia, ainda não foram alcançados.

"É verdade que os objetivos não foram totalmente alcançados. Por isso, a operação militar especial continua", adiantou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, em conferência de imprensa, responsabilizando o Ocidente pelo alargamento do conflito.

"Após a intervenção direta dos países da Europa Ocidental e dos Estados Unidos neste conflito, a operação militar especial transformou, de facto, a Rússia num confronto muito maior entre a Rússia e os países ocidentais, que tinham e continuam a ter o objetivo de destruir o nosso país", disse Peskov.

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