Ataque ao porto, que fica a mais de 300 quilómetros da linha da frente, foi descrito por Zelensky como mais um exemplo das chamadas "sanções de longo alcance" da Ucrânia
A Ucrânia utilizou 15 sistemas de mísseis, drones aéreos e drones navais de produção nacional numa única operação coordenada contra a base naval russa de Novorossiysk, no Mar Negro. O ataque, confirmado esta quarta-feira pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, atingiu vários navios da Frota russa do Mar Negro que se encontravam no porto.
A operação evidenciou o alcance crescente do armamento desenvolvido pela própria Ucrânia e a capacidade de atingir uma das principais estruturas navais russas no Mar Negro sem recorrer a armas de longo alcance fornecidas pelo Ocidente. Zelensky classificou a operação como bem-sucedida e destacou o trabalho dos militares, bem como dos responsáveis pelo desenvolvimento e produção das armas.
Segundo Zelensky, o ataque combinou diferentes tipos de armamento produzido na Ucrânia, utilizado tanto por via aérea como marítima. Pela primeira vez, de acordo com o presidente ucraniano, os sistemas Palianytsia, Peklo, Bars e Long Neptune foram utilizados em conjunto numa mesma operação.
"Hoje foi divulgado um relatório sobre os resultados da nossa operação contra Novorossiysk. Uma combinação de sanções de longo alcance com as nossas armas. Uma operação bem-sucedida", escreveu Zelensky no X.
There was a report on the results of our operation against Novorossiysk today. A combined use of long-range sanctions with our weapons. A successful operation. I am grateful to our warriors for their accuracy, and to the developers and manufacturers of our weapons for the… pic.twitter.com/nzuGIKkgfE
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) August 12, 2026
O dispositivo incluiu ainda os drones aéreos Mich, Fire Point, Ramzay, Sichen, Trust, Khariok, Bober, Liutyi e Dovbush, além dos veículos de superfície não tripulados Sargan e Mamai.
Ainda segundo o presidente ucraniano, os dados recolhidos pela Ucrânia indicam que vários navios da Frota russa do Mar Negro, que estavam abrigados na baía de Novorossiysk, foram atingidos.
Entre os navios identificados estão as fragatas Admiral Essen e Admiral Makarov, um grande navio de desembarque, uma corveta e outras embarcações. O Estado-Maior ucraniano e o Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU) tinham já comunicado danos de diferentes graus em quatro navios russos: as fragatas Admiral Makarov e Admiral Essen, do Projeto 11356, o pequeno navio lança-mísseis Buyan-M, do Projeto 21631, e o navio de patrulha Vasily Bykov, do Projeto 22160.
A Ucrânia afirmou também ter atingido um radar 30N6E pertencente a um sistema de defesa antiaérea S-300, uma equipa móvel de disparo no cais número 2, infraestruturas de outros cais e a entrada do túnel do depósito de petróleo de Hrushova, que conduz ao terminal de Sheskharis.
Novorossiysk deixa de ser um porto seguro
Novorossiysk tornou-se o último grande reduto da Frota russa do Mar Negro na região depois de sucessivos ataques ucranianos terem obrigado Moscovo a deslocar várias embarcações da Crimeia ocupada.
O porto, que fica a mais de 300 quilómetros da linha da frente, entrou em estado de emergência na sequência do ataque noturno de grandes dimensões. A ofensiva provocou danos em infraestruturas, rompeu duas condutas principais de água, afetou o abastecimento da cidade e desencadeou vários incêndios.
Zelensky apresentou a operação como mais um exemplo das chamadas “sanções de longo alcance” da Ucrânia, expressão utilizada por Kiev para designar o recurso a armas de produção nacional contra estruturas militares e económicas russas que apoiam a invasão.
Segundo o presidente ucraniano, também foram atingidas outras instalações russas que contribuíam para financiar a guerra. Zelensky defendeu que a Ucrânia tem legitimidade para responder à ofensiva russa e afirmou que cabe à Rússia pôr fim ao conflito.
