Trump tem recorrido ao seu enviado especial para se fazer representar nas negociações no Kremlin e isso não agrada a liderança russa
Pela primeira vez na história contemporânea, passaram-se mais de seis meses desde a tomada de posse de um presidente dos EUA sem que tenha havido uma reunião com o presidente russo.
Desde que tomou posse como presidente dos EUA a 20 de janeiro deste ano, Donald Trump tem recorrido ao seu enviado especial Steve Witkoff para o representar nas negociações com a Rússia para um acordo de paz com a Ucrânia.
Esta quarta-feira, aliás, Witkoff aterrou em Moscovo para uma nova reunião com Vladimir Putin, solicitada pelo Kremlin num último esforço para evitar as ameaças de sanções anunciadas por Trump. O relógio está a contar - faltam apenas dois dias para o prazo estipulado pelo presidente norte-americano para que Putin aceite um acordo de paz. Caso contrário, Trump ameaçou castigar a economia russa com novas sanções, bem como impor tarifas de 100% a todos os países que continuarem a comprar o petróleo russo - a China e a Índia lideram a lista.
O Kremlin não está surpreendido com este 'recorde' de Trump. Citado pela TASS, o porta-voz do Kremlin lembra que as relações bilaterais entre EUA e Rússia "sofreram uma deterioração sem precedentes" na administração anterior, liderada por Joe Biden.
Dmitry Peskov admite que há “inércia neste processo" e avisa que “vai demorar para que os esforços para trazer as relações bilaterais de volta ao normal surtam efeito".
Curiosamente, antes desta, a espera mais longa para um encontro entre os dois chefes de Estado também ocorreu com Donald Trump, mas durante o seu primeiro mandato. Na altura, demorou cinco meses e 18 dias até que os dois líderes se encontrassem pessoalmente. Em administrações anteriores, demorou uma média de um a cinco meses até que um novo presidente dos EUA se reunisse com o seu homólogo russo, segundo cálculos da TASS.