Pela primeira vez desde o início da guerra, Ucrânia vai deixar de divulgar diariamente número de mísseis russos lançados e abatidos

Agencia EFE , TFR
13 ago, 13:27
Exército ucraniano prepara canhão M777 para disparar contra as posições russas na frente de combate (Getty Images)
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Kiev promete, no entanto, continuar a fornecer aos meios de comunicação "informação geral" sobre os mísseis balísticos e outros meios de ataque aéreo utilizados pela Rússia

A Ucrânia decidiu deixar de informar todas as manhãs, como era habitual até há pouco tempo, nos seus comunicados, o número de mísseis russos lançados e abatidos. A medida coincide com o aumento dos ataques russos com mísseis balísticos, que o país invadido dificilmente consegue intercetar devido à escassez de sistemas capazes de o fazer, como os Patriot norte-americanos.

Yuri Ignat, porta-voz da Força Aérea, que divulga diariamente o seu comunicado nas primeiras horas da manhã, indicou na sua conta oficial no Facebook que "o comando militar decidiu introduzir algumas alterações" nos relatórios matinais relativamente ao número de mísseis lançados, abatidos, neutralizados ou daqueles que não atingiram os seus alvos.

Não explicou o motivo da alteração, introduzida recentemente, que foi comentada por bloguistas militares ucranianos e classificada, em alguns fóruns de debate, como uma diminuição da transparência na divulgação de informação sobre os ataques.

Ignat quis destacar que a Força Aérea não deixou de informar a população sobre as ameaças aéreas, as características dos ataques inimigos e os resultados das operações de combate.

"Em tempo real, através do Telegram, Viber e WhatsApp, é fornecida informação sobre os alvos aéreos 24 horas por dia. Mantém-se também o formato dos comunicados matinais com os resultados das operações de combate durante a noite", escreveu na rede social.

Além disso, prometeu continuar a fornecer aos meios de comunicação "informação geral" sobre os mísseis balísticos e outros meios de ataque aéreo utilizados pela Rússia.

Assim, afirmou que, em julho, a Rússia utilizou mais de 450 mísseis de diferentes tipos, dos quais quase 200 eram mísseis que atacam seguindo uma trajetória balística.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tem instado há meses todos os países a fornecerem ao país os mísseis Patriot armazenados nas suas reservas, mas tem pedido sobretudo ao seu homólogo norte-americano, Donald Trump, que permita finalmente que a Ucrânia fabrique os mísseis no seu território ou, perante as dúvidas persistentes deste, que lhe venda pelo menos um número significativo.

Numa entrevista à CNN divulgada esta quinta-feira, Zelensky afirmou que a Ucrânia dispõe este ano de duas vezes e meia menos mísseis intercetores balísticos do que em 2025, pelo que apelou a Trump para que lhe venda entre 5% e 10% das suas reservas de Patriot.

Zelensky afirmou que um décimo das atuais reservas dos Estados Unidos seria suficiente para travar todos os ataques russos com mísseis balísticos, mas que 5% seriam suficientes para permitir à Ucrânia atravessar o inverno.

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