"O futuro da Ucrânia é na NATO". Aliados garantem "caminho irreversível" para adesão à organização

10 jul, 22:13
Cimeira da NATO em Washington (Associated Press)

Estados-membros da NATO firmaram uma promessa de assistência de segurança de longo prazo para a Ucrânia. Foi também garantido mais "apoio imediato"

Mesmo com alguma reticência por parte da Hungria, os Estados-membros da NATO quiseram deixar claro que o futuro da Ucrânia passa pela Aliança Atlântica. Na declaração conjunta da cimeira que decorre em Washington, os chefes de Estado e de governo expressam a vontade de "reforçar" o "apoio imediato" e “de longo prazo à Ucrânia” para que possa “prevalecer na sua luta pela liberdade”. E a porta de entrada para a adesão ficou ainda mais aberta, mas não sem que se corram riscos.

"Apoiamos totalmente o direito da Ucrânia de escolher os seus próprios acordos de segurança e decidir o seu próprio futuro, livre de interferência externa. O futuro da Ucrânia está na NATO. A Ucrânia tornou-se cada vez mais interoperável e politicamente integrada à Aliança. (...)  À medida que a Ucrânia continua esse trabalho vital, continuaremos a apoiá-la no seu caminho irreversível para a integração euro-atlântica completa, incluindo a adesão à NATO. Reafirmamos que estaremos em posição de estender um convite à Ucrânia para se juntar à Aliança quando os Aliados concordarem e as condições forem atendidas", lê-se no documento.

Esta mensagem de apoio - em tom de promessa de acolhimento - foi sendo passada ao longo do dia pelas várias personalidades que marcaram presença na cimeira, que também celebra os 75 anos da NATO, e na qual está o primeiro-ministro português, Luís Montenegro. Foi o próprio secretário-geral da Aliança Atlântica um dos primeiros a afirmar - e a repetir - que Kiev tem espaço na NATO assim que houver um cessar-fogo. "Acho que a maneira de garantir que [a Rússia] se detém é a adesão [da Ucrânia] à NATO", reiterou Jens Stoltenberg. Também Andrzej Duda, presidente da Polónia, vincou que "a discussão (...) é sobre quando [a Ucrânia] irá aderir e não se vai aderir".

Para firmar o compromisso de ajudar a Ucrânia, mesmo sem que esta faça, para já, parte da Aliança, os países comprometem-se com acordos bilaterais - o que já tem vindo a acontecer e que levou a imprensa a dizer que Volodymyr Zelensky está a criar a sua própria NATO - e prometeram mais um pacote de cerca de 40 mil milhões de euros de ajuda para o próximo ano, que inclui treino de soldados e compra de equipamento militar, além de apoio político, humanitário e económico. Ainda antes do anúncio do montante acordado, o secretário-geral da NATO - que nomeou um representante sénior da NATO na Ucrânia - disse estar confiante de que o pacote de ajuda destinado à Ucrânia “constitui uma forte ponte para a adesão da Ucrânia à NATO”.

No que toca ao apoio militar, a Aliança compromete-se a “estabelecer a Assistência de Segurança e Treino da NATO [NSATU] para a Ucrânia”, que é como quem diz, vai haver uma maior coordenação para o “fornecimento de equipamento militar e treino para a Ucrânia”. A NSATU “operará em estados Aliados, apoiará a autodefesa da Ucrânia em linha com a Carta da ONU”, diz o documento, que vinca ainda um outro objetivo: apoiar a transformação das forças de defesa e segurança da Ucrânia, “permitindo sua maior integração com a NATO”.

Os Estados-membros da NATO dizem estar “unidos e solidários diante de uma guerra brutal de agressão no continente europeu”, um conflito que consideram ser “um momento crítico para a nossa segurança”, uma vez que “a Rússia continua a ser a ameaça mais significativa e direta à segurança” da NATO.

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