Trump culpou o homólogo ucraniano pela guerra e pede eleições da Ucrânia. Zelensky lamenta que Trump tenha caído na armadilha "da desinformação"
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, acusa Donald Trump de repetir desinformação, um dia depois de o presidente dos EUA ter acusado falsamente a Ucrânia de ter iniciado a guerra com a Rússia.
Em declarações em Kiev aos jornalistas, Zelensky contestou várias afirmações infundadas feitas terça-feira por Trump.
“Infelizmente, o presidente Trump - tenho grande respeito por ele como líder de uma nação pela qual temos grande respeito, o povo americano que sempre nos apoia - infelizmente vive numa bolha de desinformação”, afirmou Zelensky.
Na terça-feira, em Riade, capital da Arábia Saudita, os responsáveis norte-americanos e russos mantiveram conversações de alto nível sobre o fim da guerra na Ucrânia, uma reunião da qual Kiev foi excluída.
Os dois lados concordaram em nomear equipas de alto nível para negociar o fim da guerra e disseram que estavam a trabalhar para restabelecer os canais diplomáticos.
Foi a queixa de Kiev sobre o facto de ter sido excluída das conversações que desencadeou a tirada de falsidades de Trump na terça-feira.
No final da tarde de terça-feira, Trump afirmou: “Hoje ouvi: 'Oh, bem, não fomos convidados. Bem, vocês estiveram lá durante três anos. Deviam ter acabado com isto ao fim de três anos. Nunca o deviam ter começado. Podiam ter feito um acordo”.
A alegação incorrecta de que a Ucrânia, de alguma forma, começou a guerra há muito que é repetida pelo Kremlin e pelos seus apoiantes. O conflito começou em 2014, quando a Rússia anexou ilegalmente a Crimeia, a península do sul da Ucrânia, e começou a patrocinar separatistas pró-russos no leste da Ucrânia.
Moscovo lançou então uma invasão em grande escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, atacando o seu vizinho mais pequeno durante a noite, enviando tanques através da fronteira, bombardeando cidades ucranianas e enviando forças especiais para Kiev para assassinar Zelensky.
A popularidade de Zelensky: 4% ou 57%?
Mas Trump não se limitou a questionar quem começou a guerra na Ucrânia. Repetindo uma outra linha frequentemente defendida pelo Kremlin, Trump pareceu questionar a legitimidade de Zelensky.
“Temos uma situação em que não houve eleições na Ucrânia, onde temos lei marcial”, declarou Trump aos jornalistas no seu resort em Mar-a-Lago, afirmando incorretamente que o índice de aprovação de Zelensky era de “4%”.
Zelensky obteve mais de 73% dos votos na segunda volta das eleições presidenciais de 2019. Embora o seu mandato devesse ter terminado em maio passado, não foram realizadas novas eleições porque a Ucrânia está sob lei marcial desde que a Rússia lançou a sua invasão não provocada do país. A lei marcial proíbe a realização de eleições.
Zelensky disse que a afirmação de que a sua taxa de aprovação é de 4% vem da Rússia e que Kiev tem provas de que os números foram discutidos entre os EUA e a Rússia.
Zelensky referiu-se a uma sondagem realizada pelo Instituto Internacional de Sociologia de Kiev (KIIS) no início deste mês, que revelou que, embora a popularidade do presidente tenha diminuído significativamente desde os primeiros dias da guerra, a sua taxa de aprovação nunca desceu abaixo dos 50%, situando-se atualmente nos 57%.