Macron e Scholz recusaram fazer teste PCR por temerem roubo de ADN pelo Kremlin. Sim, é possível roubá-lo (Pedro Simas explica)

15 fev, 15:19
Vladimir Putin reunido com Olaf Scholz Foto: EPA

Presidente de França e chanceler alemão estiveram reunidos com o Putin a propósito da tensão na fronteira com a Ucrânia

Emmanuel Macron e Olaf Scholz recusaram-se a fazer um teste PCR à covid-19 exigido pelo Kremlin para se reunirem com Vladimir Putin. Ambos temeram que o seu ADN fosse roubado e, por isso, os encontros aconteceram numa longa mesa para salvaguardar o distanciamento social. Mas será que esse roubo de ADN é possível? A resposta é sim. E o que se consegue fazer com esse roubo?

De acordo com o virologista Pedro Simas, a zaragatoa retira "células mortas que podem ser usadas para DNA profiling", ou seja, fazer impressões genéticas. Uma zaragatoa é uma amostra biológica como um fio de cabelo, explica à CNN Portugal. Ainda assim, não é possível fazer nada de errado ou perigoso com essa amostra: "podem apenas sequenciar o DNA e ver as mutações". 

O presidente francês e o chanceler alemão estiveram reunidos com o presidente russo a propósito da tensão na fronteira com a Ucrânia. À saída do encontro desta terça-feira, Olaf Scholz disse que era "responsabilidade" da Europa evitar uma guerra. O chanceler garantiu ainda que é "necessariamente urgente" um alívio da tensão com a Ucrânia. "É possível encontrar-se uma solução. Independentemente do quão difícil e séria possa parecer a situação, eu recuso-me a dizer que é impossível." 

A Presidência russa confirmou esta terça-feira o início da retirada de algumas das suas tropas de perto das fronteiras da Ucrânia, denunciando a "histeria ocidental" sobre uma suposta invasão iminente do país.

Ainda assim, e após a reunião com Scholz, Putin disse que não quer guerra mas que não houve "nenhuma resposta construtiva" às propostas russas. A Rússia é acusada pelos países ocidentais de instigar o conflito no leste da Ucrânia e de apoiar os separatistas na guerra que eclodiu logo após a invasão e anexação da península da Crimeia, depois da chegada dos políticos pró-ocidentais ucranianos ao poder em Kiev no início de 2014.

Moscovo tem favorecido o separatismo em várias ex-repúblicas soviéticas desde os anos 1990, tendo reconhecido nomeadamente a independência dos territórios pró-russos da Ossétia do Sul e da Abkhazia, na Geórgia.

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