opinião
Membro da direção da Ordem dos Psicólogos Portugueses

Psicologia em tempo de guerra. Empatia

30 mar, 14:38

"Psicologia em tempo de guerra", uma rubrica para ler no site da CNN Portugal

Ouvimos com o mesmo orgulho da nossa história, que se fez novamente história, ao registar que Portugal vive agora com mais dias de democracia do que aqueles que a ditadura registou.  E, neste mesmo momento, ecoa um pensamento “uma conquista não uma garantia”, como nos mostra o conflito armado na Ucrânia!

Ultrapassados os tempos de distanciamento físico, a incógnita das máscaras de proteção, de um momento para o outro, abrimos os braços, as casas, as respostas de emergência, as estruturas municipais, tudo o que nos é possível para apoiar, acolher favorecendo e enaltecendo a paz.

A experiência próxima com quem tem chegado a solo nacional não só nos desafia profissionalmente, mas emocionalmente. Na linha da frente chegam-nos mulheres e crianças, de sorriso fácil e com uma vontade imensa de retribuir o que conseguimos dar. Jovens que mantêm os seus sonhos, ainda que longe da sua casa, dos seus amigos, procuram honrar a sua própria história e as promessas de uma esperança que não esmorece.

Literalmente um “coração nas mãos”, estendidas, que nos mostram que, mesmo nos momentos de maior prova, de maior desafio, mudar o mundo não é perda de tempo, é perda de medo.

A este momento que ficará na história poderemos possivelmente repetir as palavras de Paul Watzlawick, quando assumimos que a guerra tem “a arte de amargar a vida”, muitas vidas!

Num momento marcado por guerra, polarizações e desigualdades, a empatia pode ser uma ponte emocional que promove os nossos comportamentos pró-sociais (como fazer o bem, ajudar o outro) e a sensibilidade à diversidade e à necessidade de não discriminação.

Praticar a empatia é ajudar a construir a Paz.

É nesta perspetiva orientada, para a paz, que tornamos relevante aquilo que é comum e pode ser partilhado, pelo que a nossa disponibilidade para acolher e ajudar está naturalmente ativada. Porque a Paz é o resultado de um esforço ativo, duradouro e sustentável de pessoas, famílias, grupos, organizações, comunidades, governos e sociedades, no sentido de reconhecerem a sua interdependência e desenvolverem a gestão não violenta de conflitos e a busca da justiça social, contribuindo para o reforço da resiliência e da coesão social.

Cada um de nós pode participar na construção da Paz, nos seus diferentes contextos de vida (na família, no trabalho ou na escola), sendo um ativista pela Paz. Neste processo, saibamos olhar as crianças que mesmo a barreira linguística, ultrapassam com sorrisos, imensos, e a mimica simples de um “faz como eu”.

Incentivar empatia, compaixão e comportamentos pró-sociais são ações tão valiosas ou determinantes como todas as outras que vemos acontecer, porque todas se complementam, em benefício de um bem-comum. Nesta simbiose de ações, cada um de nós pode contribuir para a Paz, com a sua empatia e com a certeza que somos “modelos de comportamento”, não pela imitação simples, mas porque vivemos, e somos, em sociedade.

Desenvolver as nossas competências socioemocionais pela Interculturalidade é uma oportunidade de desenvolvimento individual, social e cultural que fomenta o respeito mútuo, as relações de confiança, a cooperação e uma convivência pacífica entre todos.

Defender os direitos humanos, respeitar os valores da justiça e da igualdade permite-nos desenvolver sensibilidade, encontrando pela interação e diálogo intercultural não apenas o diferente, mas também o que nos une – a nossa Humanidade.

"Heal the World/ Make It a Better Place/ For You and For Me and the Entire Human Race" (Heal the World - Michael Jackson)

 

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