A chamada "Operação MoLoChKa" tem tido algum sucesso e motivado as tropas ucranianas que nela participam
Bem longe da linha da frente, os soldados da 414.ª Brigada de Aviação de Ataque Não Tripulada da Ucrânia são, desde o início de julho, a maior ameaça aos navios russos no Mar Negro e no Mar de Azov.
Esta unidade é uma das envolvidas na chamada “Operação MoLoChKa”. O nome espelha bem o objetivo da mesma: MoLoChKa, que também significa “leite” em ucraniano, é composta pelas letras iniciais das palavras que formam a frase “Moscovo vai cair através da Crimeia”.
A liderar a operação está Robert ‘Magyar’ Brovdi. ‘Magyar’ fundou a brigada acima referida, também conhecida como “Os Pássaros de Magyar”, em 2022. Brovdi publica frequentemente no Telegram atualizações sobre o trabalho da brigada, bem como de outras envolvidas na “Operação MoLoChKa”. Os seus updates são muito populares entre os internautas ucranianos devido ao seu registo irónico e até cómico, complementado com muitos emojis. No entanto, o trabalho é bem sério. “Vamos resistir, Moscovo vai render-se, vamos fazer a Crimeia prosperar e reconstruí-la” é uma das frases com que ‘Magyar’ termina frequentemente as suas publicações.
Desde que foi lançada a operação, a 6 de julho, até dia 22, as forças ucranianas atingiram 196 navios russos ou afetos ao inimigo nos mares que banham o país. Aumentar os custos da ocupação russa da Crimeia, que dura desde 2014, é o objetivo principal. Nos últimos meses, a Ucrânia tem atacado estradas, caminhos-de-ferro, centrais elétricas e refinarias na península ocupada, o que tem provocado escassez de combustíveis e outros bens essenciais. Agora, a guerra transbordou para os mares.
"Esta é uma guerra constante - uma luta contínua entre medidas e contramedidas"
A Reuters acompanhou um dia de trabalho da 414.ª Brigada de Aviação de Ataque Não Tripulada no sul da Ucrânia. “Trabalhamos dia e noite todos os dias, sem descanso”, disse ‘Ray’, comandante do batalhão.
A unidade utiliza os drones FP-1 e FP-2, desenvolvidos e fabricados pela Ucrânia. A agência de notícias explica que estes drones voam automaticamente até à zona de operações até passarem para o controlo de pilotos que, remotamente e por vezes a muitos quilómetros de distância, desferem o ataque final.
Estas equipas nunca estão posicionadas na mesma localização durante muito tempo. Após o lançamento do último drone, todo o equipamento é arrumado e os soldados preparam-se para partir para outro local, por vezes anunciado com pouco tempo de antecedência, explica a Reuters. "Esta é uma guerra constante — uma luta contínua entre medidas e contramedidas", disse ‘Ray’ à agência.
‘Panama’, comandante de outro esquadrão, afirma à Reuters que as forças ucranianas estão a ficar moralizadas pelos resultados “tangíveis” das operações no Mar Negro e no Mar de Azov. "É ótimo que o nosso ritmo seja tão elevado, mas precisamos de o manter”, disse.
A intensificação da campanha ucraniana nos mares tem sido igualada por uma forte resposta russa, que tem atacado infraestruturas portuárias do país, principalmente em Odessa, e navios que transportam cereais ucranianos para destinos como África. Só nas duas primeiras semanas de julho, afirma a Reuters, citando as autoridades portuárias da Ucrânia, a Rússia atacou portos ucranianos 23 vezes e navios civis 17 vezes. No domingo, 10 marinheiros morreram após o navio Golden Leo, com pavilhão da Guiné-Bissau, ter sido atingido por mísseis de cruzeiro russos, naquele que foi o ataque mais mortal contra navios mercantes desde o início da guerra.
