Mais de 260 militares retirados da Azovstal, 53 gravemente feridos. "A Ucrânia precisa de heróis ucranianos vivos", diz Zelensky

16 mai, 22:40

Soldados simbolizavam a resistência ucraniana durante os quase três meses de invasão da Rússia. Foram esta segunda-feira transportados para duas cidades controladas pelas forças russas. O Batalhão Azov - a unidade escondida sob a siderurgia - afirma que está a "cumprir ordens para salvar vidas"

O Ministério da Defesa da Rússia anunciou, ao início da noite desta segunda-feira, a retirada dos soldados ucranianos feridos na siderurgia Azovstal, em Mariupol. A informação foi avançada pela agência russa RT, que divulgou um vídeo com cerca de 10 a 12 autocarros a saírem da fábrica. Segundo noticia a CNN Internacional, alguns veículos estavam marcados com uma cruz vermelha. Também uma testemunha da agência Reuters confirmou que cerca de uma dúzia de autocarros saíram do complexo com soldados ucranianos. 

A vice-ministra da Defesa, Hanna Malyar confirmou, entretanto, que foram levados 53 combatentes gravemente feridos para a cidade de Novoazovsk - controlada por rebeldes apoiados pela Rússia. Outros 211 foram retirados através de um corredor humanitário para Olenivka - cidade perto de Donetsk na linha da frente de combate, mas em território ocupado pelos russos.

"Será realizado um procedimento de troca para devolvê-los a casa", disse Hanna Malyar, que deixou claro que alguns combatentes ainda permanecem na Azovstal. Estima-se que estivessem 600 soldados retidos na siderurgia.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, também já se pronunciou sobre a retirada dos militares, num vídeo publicado nas redes sociais.

“Esperamos poder salvar a vida dos nossos homens”, disse Zelensky.

"Um dia difícil. Mas este dia, como todos os outros, visa salvar o nosso país e o nosso povo. Quero reiterar que a Ucrânia precisa de heróis ucranianos vivos", acrescentou o presidente ucraniano.

Importa referir que, durante a tarde desta segunda-feira, Moscovo anunciou que tinha chegado a acordo para retirar militares feridos da fábrica de Mariupol.   "Atualmente, foi estabelecido um regime de cessar-fogo na área da empresa e foi aberto um corredor humanitário, através do qual militares ucranianos feridos estão a ser entregues a um centro médico em Novoazovsk, na República Popular de Donetsk, para fornecer-lhes toda a assistência necessária".

Novoazovsk - controlada pelos russos - fica a cerca de 40 quilómetros da cidade portuária sitiada. Ao longo da tarde, os media locais da autoproclamada República Popular de Donetsk mostraram pelo menos um combatente ferido a chegar numa maca a um hospital da região. O soldado não prestou declarações e não foi possível confirmar a sua identidade.

Batalhão Azov diz estar a cumprir ordens "para salvar vidas"

Um comandante do Batalhão Azov, a unidade ucraniana escondida sob a siderurgia Azovstal, em Mariupol, disse que o seu regimento está a cumprir ordens para salvar a vida das tropas, avança o The Guardian.

"Para salvar vidas, todo o regimento de Mariupol está a implementar a decisão aprovada pelo Comando Militar Supremo e espera o apoio do povo ucraniano”, disse o Batalhão Azov, numa publicação nas redes sociais.

"O principal é perceber todos os riscos: existe um plano B, estás totalmente comprometido com esse plano, que deve permitir o cumprimento das tarefas atribuídas e preservar a vida e a saúde do pessoal? Este é o nível mais alto de supervisão de tropas. Ainda mais quando a decisão é tomada pelo mais alto comando militar", afirmou Denys Prokopenko.

Prokopenko não detalhou, contudo, que ação os defensores estavam, afinal, a tomar. O vídeo foi divulgado horas depois de a Rússia ter concordado em retirar soldados ucranianos feridos para um centro médico na cidade de Novoazovsk, controlada pela Rússia.

Os combates em Azovstal, nas ruínas de Mariupol, simbolizaram a resistência ucraniana durante os quase três meses de invasão da Rússia. A maioria dos civis que procuraram abrigo na vasta fábrica foram retirados no início deste mês.

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