Como Elon Musk ganhou mil milhões em 24 horas apenas por ser quem é

6 abr, 07:15

Ações do Twitter dispararam 36% de um dia para o outro, depois de saber-se que Elon Musk se tornara o maior acionista da empresa, com 9,2%. Mesmo nada se sabendo sobre o que bilionário pretende fazer

“O primeiro milhão é o mais difícil”, diz um ditado americano. Para os mil milhões seguintes basta esperar pouco mais de 24 horas sentado, poderia dizer Elon Musk. Foi esse o valor que o já multi-bilio-zilionário fundador da Tesla viu aumentar a sua fortuna desta segunda para terça-feira, sem ter feito muito mais do que assistir à valorização em Bolsa de uma empresa de que se tornou acionista, valorização essa que aconteceu por… ele ter se ter tornado seu acionista. Essa empresa é o Twitter.

Segunda-feira: não são ainda 9:30 em Wall Street quando a surpreendente noticia é publicada, Elon Musk acabara de comunicar ao regulador norte-americano que tinha adquirido 73,5 milhões de euros de ações do Twitter, tornando-se o seu maior acionista, com 9,2% da dona da rede social. Ao preço de fecho de sexta-feira, de 39,31 dólares por ação, Musk investira 2,89 mil milhões de dólares. Quando o sino toca para abrir as negociações, as ações disparam mais de 25% num segundo. Não ficariam por aí.

Terça-feira: são 9:30 em Nova Iorque quando o sino volta a cumprir o refrão diário em Wall Street. As ações do Twitter dão mais um piparote num segundo e valem agora 53,53 dólares. É mais 36% do que antes do anúncio da compra por Elon Musk. As ações do fundador da Tesla e da SpaceX valem agora 3,95 mil milhões de dólares. Em pouco mais de 24 horas, a participação de Musk no Twitter valorizou 1.045 milhões de dólares. Ou mais 960 milhões de euros.

O que fez Musk além de anunciar o seu investimento? Nada. Bom, em rigor não é assim, ele interveio duas vezes no Twitter: numa, publicou um tweet escrevendo “Oh hi lol”, sete letras apenas que foram interpretadas como um comentário ao seu investimento; na outra, publicou uma pergunta aos seus mais de 80 milhões de seguidores, “Querem um botão de editar? Smi / noa”. Percebe-se o bom humor, mas não é propriamente um plano estratégico para a empresa.

Não há um plano, não um que seja público. “Por enquanto, pouco é conhecido sobre as intenções de Musk”, escrevia o Wall Street Journal esta terça-feira, já depois de saber-se que o fundador da Tesla será indicado como administrador do Twitter.

Sabe-se das críticas que ele tem feito no Twitter ao Twitter: pôs várias vezes em causa as restrições desta rede à liberdade de expressão, chegando a anunciar que iria fundar uma nova rede social. Como recordava o Journal, a 25 de março perguntou aos seus seguidores: “Liberdade de expressão é essencial a uma democracia funcional. Acredita que o Twitter adere rigorosamente a este princípio?” Mais de dois milhões dos seus seguidores responderam. 70% deles votaram “não”.  

Posições anteriores de Musk, como esta, estão agora a ser reinterpretadas, à luz da sua entrada em força no capital da empresa.

Estará Musk contra o banimento de políticos como Donald Trump? Ou a favor de abertura pública do algoritmo do Twitter, como antes escreveu, talvez para aumentar as suas receitas? Quererá ele afastar os gestores executivos? Estas perguntas alimentaram entretanto páginas de jornais financeiros, como de novo o Wall Street Journal ou a Bloomberg. Mas não são estas discussões que fazem a empresa valer mais em Bolsa. São-no as expectativas e as especulações, incluindo a de que o novo acionista pode querer tirar a empresa de Bolsa, como há uns anos ameaçou fazer à Tesla.

Não, não há um plano, há um nome. O nome de Musk. E isso pareceu bastar como almíscar para investir nestas ações. O mero facto de saber-se que Elon Musk tomou uma grande participação no Twitter fez a empresa valorizar, porque muitos investidores acreditam que o empresário entra para mudar e muda para ganhar. Porque assim construiu a sua reputação. E a sua fortuna.

Terça-feira, ainda de manhã. A revista Forbes publica a sua lista anual de bilionários, que nos últimos quatro anos foi liderada pelo fundador da Amazon, Jeff Bezos. Já não é, este ano há um novo líder. O homem mais rico do mundo é Elon Musk, com uma fortuna de 219 mil milhões de dólares. São 200 mil milhões de euros de património. Mais mil milhões, menos mil milhões.

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