Homem mais rico do mundo pode ainda ser condenado a pagar uma indemnização milionária
Um júri da Califórnia decidiu esta sexta-feira em grande parte a favor dos acionistas do Twitter que acusaram o bilionário Elon Musk de fazer declarações falsas e de derrubar intencionalmente o preço das ações da empresa de redes sociais antes da sua aquisição por 44 mil milhões de dólares em 2022. No entanto, Musk foi absolvido das acusações de envolvimento num "esquema" para defraudar investidores.
A decisão põe fim a uma ação coletiva interposta por um grupo de acionistas do Twitter contra Musk em outubro de 2022 - semanas antes de este assumir o controlo da empresa. O julgamento, que durou semanas, obrigou Musk a testemunhar num tribunal federal de São Francisco para defender a tumultuosa aquisição.
Musk concordou em comprar o Twitter, agora conhecido como X, em abril de 2022, mas passou meses a lutar para desistir da compra antes de finalmente concluir a aquisição.
Os acionistas acusaram Musk de derrubar deliberadamente o preço das ações do Twitter com tweets e declarações públicas durante este período intermédio, sugerindo que o negócio poderia não se concretizar. Os investidores, observando a queda das ações em resposta aos comentários de Musk e temendo que o negócio não fosse concluído, disseram que venderam as suas ações, acabando por perder a oportunidade quando a aquisição foi finalizada.
Os acionistas também pretendiam uma indemnização por danos financeiros não especificados. Não ficou imediatamente claro qual seria o valor da indemnização atribuída pelo júri após a decisão desta sexta-feira.
A CNN contactou a X e o advogado de Musk, Alex Spiro, para obter um comentário de Musk sobre a decisão.
A equipa jurídica de Musk tinha tentado arquivar o caso, negando que as declarações de Musk fossem falsas e argumentando que a alegação "falhada" dos investidores não ligava adequadamente as suas declarações às perdas dos acionistas. Durante o julgamento, Musk testemunhou: "Se este fosse um julgamento sobre se fiz tweets estúpidos, diria que sou culpado", segundo o The New York Times, embora tenha acrescentado que não acreditava que as publicações causariam algo "material".
O júri considerou Musk culpado por causa de dois tweets: um de 13 de maio de 2022, alegando que o acordo com o Twitter estava "temporariamente suspenso" enquanto procurava informações sobre a prevalência de contas de bots na plataforma, e outro de 17 de maio, alegando que o acordo não poderia prosseguir até que recebesse tais informações.
Os acionistas do Twitter que apresentaram a ação coletiva não foram os únicos a manifestar preocupação com as declarações de Musk relacionadas com a aquisição.
A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) processou Musk em janeiro de 2025 por alegadamente não ter divulgado adequadamente a extensão da sua participação acionista no Twitter, o que lhe permitiu comprar ações da plataforma a "preços artificialmente baixos". A SEC alegou que Musk não divulgou, dentro do prazo de 10 dias, que detinha mais de 5% das ações ordinárias da empresa, adquiridas até meados de março de 2022.
Musk apresentou um pedido de arquivamento do processo da SEC em agosto passado, alegando que a queixa era "constitucionalmente inválida". O advogado de Musk, Alex Spiro, declarou anteriormente à CNN que Musk "não fez nada de errado" e que o processo era "uma admissão da SEC de que não podem apresentar um caso sólido".