Presidente da Turquia alerta para risco de nova catástrofe nuclear

Agência Lusa , CF
18 ago, 21:54
Recep Tayyip Erdogan

“Não queremos uma nova Chernobyl”, disse Recep Tayyip Erdogan em conferência de imprensa com Volodymyr Zelensky e António Guterres

O Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, alertou esta quinta-feira para o risco de uma nova catástrofe nuclear que poderá resultar da invasão russa da Ucrânia, depois da que ocorreu na central de Chernobil em 1986.

“Não queremos uma nova Chernobyl”, disse Erdogan numa conferência de imprensa conjunta com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e o secretário-geral da ONU, António Guterres, em Liv, oeste da Ucrânia.

Zelensky reuniu-se separadamente com Guterres e com Erdogan, antes de um encontro trilateral para discutir a guerra na Ucrânia, iniciada pela Rússia em 24 de fevereiro deste ano.

Trata-se do primeiro encontro entre Erdogan e Zelensky e da primeira deslocação do líder turco à Ucrânia desde o início da guerra.

“Ao continuarmos os nossos esforços para uma solução, temos estado e continuamos a estar do lado dos nossos amigos ucranianos”, disse Erdogan, que desde início do conflito tem procurado manter uma posição de mediação entre Moscovo e Kiev.

A situação na central nuclear de Zaporijia (sudeste) tem causado preocupação generalizada, com ucranianos e russos a acusarem-se mutuamente de ataques contra o complexo, o maior do género na Europa, que podem causar um desastre nuclear.

Em 1986, quando ocorreu o acidente na central nuclear de Chernobyl, considerado o mais grave de sempre, a Ucrânia integrava a antiga União Soviética.

A Ucrânia tem quatro centrais nucleares em funcionamento, com um total de 15 reatores, seis dos quais na de  Zaporizhzhia.

Acordo sobre exportação de cereais foi "exemplo histórico"

Erdogan disse que em Lviv foram ainda discutidas formas de “aumentar as atividades do mecanismo” que permitiu retomar a exportação dos cereais ucranianos que estavam retidos pela guerra.

Considerou que Ucrânia, Rússia, Turquia e ONU deram um “exemplo histórico” com o acordo sobre os cereais, alcançado no final de julho, em Istambul.

Desde que o acordo entrou em vigor, a 1 de agosto, 25 navios transportaram cerca de 625.000 toneladas de cereais que estavam retidos nos portos ucranianos, referiu.

“Não só a Ucrânia, mas o mundo inteiro começou a sentir os reflexos positivos do acordo de Istambul, que tornou possível a exportação segura de cereais para os mercados mundiais através do Mar Negro”, afirmou, citado pela agência turca Anadolu.

Erdogan disse que avaliou com Zelensky e Guterres “possibilidades de transformar numa paz permanente a atmosfera positiva criada pelo consenso de Istambul”.

Os três líderes concordaram que a comunidade internacional deve “assumir mais responsabilidades” no processo diplomático.

“Pessoalmente, mantenho a minha convicção de que a guerra acabará por terminar à mesa das negociações”, afirmou Erdogan, referindo que Zelensky e Guterres “estão de acordo sobre este ponto”.

Erdogan considerou ser necessário “identificar o caminho mais curto e mais justo para a mesa de negociações”, e reafirmou a oferta da Turquia para relançar as negociações entre a Ucrânia e a Rússia.

“Estamos prontos a desempenhar novamente o papel de facilitador ou mediador para fornecer todo o tipo de apoio para este objetivo”, disse.

Na reunião, os três líderes também falaram sobre a troca de prisioneiros de guerra entre as duas partes em conflito, disse ainda Erdogan, sem pormenorizar.

Antes do encontro trilateral, Erdogan reuniu-se com Zelensky e os dois chefes de Estado assistiram à assinatura de um memorando de entendimento para a participação da Turquia na reconstrução das infraestruturas da Ucrânia.

O documento foi assinado pelos ministros das Infraestruturas ucraniano, Oleksandr Kubrakov, e do Comércio turco, Mehemet Mus.

Após quase seis meses de guerra, desconhece-se o número de baixas civis e militares, mas diversas fontes, incluindo a ONU, têm alertado que será elevado.

A guerra provocou também 12 milhões de refugiados e de deslocados internos.

A União Europeia e países como os Estados Unidos, o Reino Unido ou o Japão têm decretado sucessivos pacotes de sanções contra interesses russos e fornecido armas à Ucrânia.

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