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Turismo queixa-se de "cancelamentos massivos" nas reservas por causa dos incêndios. Taxas de ocupação passaram de 100% para "níveis abaixo de 5%"

Agência Lusa , BCE
28 ago 2025, 12:19
Quarto
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Associação de Hotelaria e Restauração "aguarda a concretização das medidas de apoio para o turismo" na sequência dos incêndios

Os incêndios que afetaram o país levaram a “cancelamentos massivos” de reservas em hotéis, alojamentos e restaurantes, em plena época alta, ameaçando comprometer os resultados de 2025, disse à Lusa a AHRESP, que aguarda medidas de apoio ao setor.

“Para já, sabemos que muitos negócios ficaram inoperacionais, não por terem sido fisicamente atingidos pelas chamas, mas por vários fatores”, como “cancelamentos massivos de reservas, que deixaram hotéis, alojamentos e restaurantes praticamente sem clientes”, avançou a secretária-geral da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), Ana Jacinto, em resposta escrita enviada à Lusa.

Adicionalmente, os incêndios que afetaram sobretudo as regiões Norte e Centro do país causaram “falhas graves nas comunicações fixas e móveis, que impediram a realização de reservas, pagamentos, contactos com fornecedores e até o cumprimento de requisitos básicos de segurança”, bem como encerramentos forçados por despacho de Situação de Alerta, que interditaram o acesso a zonas florestais, afetando empresas situadas fora do perímetro direto dos incêndios.

A associação adiantou que “já teve oportunidade de apresentar as suas propostas ao Governo e aguarda a concretização das medidas de apoio para o turismo”, lembrando que nos territórios de baixa densidade, onde estes incêndios mais se fizeram sentir, o verão é uma época crucial para o exercício económico anual.

“O mês de agosto, tradicionalmente com taxas de ocupação próximas dos 100%, registou quebras que atiraram essas taxas para níveis abaixo dos 5%”, realçou a AHRESP.

Desta forma, a associação apontou que não está apenas ameaçado o exercício económico de 2025, mas também “a atratividade futura de destinos já de si frágeis”, sendo, por isso, urgente a reconstrução daqueles territórios.

“Sem floresta não há paisagem, nem turismo, nem futuro para estas regiões”, salientou Ana Jacinto, considerando ser “fundamental restituir a perceção de segurança e envidar todos os esforços para que a mancha verde, que dá identidade e vida a estes territórios, seja regenerada o quanto antes”.

Portugal continental foi afetado por múltiplos incêndios rurais de grande dimensão em julho e agosto, sobretudo nas regiões Norte e Centro.

Os fogos provocaram quatro mortos, incluindo um bombeiro, e vários feridos, alguns com gravidade, e destruíram total ou parcialmente casas de primeira e segunda habitação, bem como explorações agrícolas e pecuárias e área florestal.

Segundo dados oficiais provisórios, até 23 de agosto arderam cerca de 250 mil hectares no país, mais de 57 mil dos quais só no incêndio que teve início em Arganil.

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