Trump vs. Ikea. EUA vão aplicar tarifas a mobiliário importado por questões de “segurança nacional”

CNN Portugal , JAV
27 set 2025, 09:06
Donald Trump (AP/Evan Vucci)

Novas tarifas de 50% e 30% anunciadas por Donald Trump deverão entrar em vigor a 1 de outubro

As ações das empresas de móveis com sede nos EUA e que dependem de importações caíram na sexta-feira, dia em que o presidente, Donald Trump, anunciou mais uma salva de tarifas tendo como alvos sofás, armários e outro mobiliário.

Como anunciado por Trump, a partir de 1 de outubro os EUA vão passar a taxar em 50% as importações de armários de cozinha e cómodas e em 30% móveis estofados, nomeadamente sofás. Os analistas continuam a alertar que esta guerra tarifária terá efeitos a longo prazo nos preços finais pagos pelos consumidores.

“Vamos impor uma tarifa de 50% sobre todos os armários de cozinha, armários de casa de banho e produtos associados, a partir de 1 de outubro de 2025”, anunciou Trump nas redes sociais. “Para além disso, vamos cobrar uma taxa de 30% sobre móveis estofados. A razão para isto é a ‘INUNDAÇÃO’ em larga escala dos EUA por estes produtos por outros países. É uma prática muito injusta, mas devemos proteger, por questões de Segurança Nacional e outras, o nosso processo de fabrico.”

Reagindo ao anúncio, a internet não perdeu tempo, com publicações e memes irónicos partilhados nas redes sociais. “Segurança nacional – uma visita ao Ikea é a Normandia de Donald Trump”, comentou um internauta. “Nada grita insurreição mais alto do que uma chaise longue”, respondeu outro.

“Cálculo rápido feito num guardanapo sobre armários de cozinha – porque estamos a pensar fazer uma remodelação – isto aumentará o custo de uma cozinha em US$ 1.000 [cerca de 854 euros] para US$ 5.000 [cerca de 4.200 euros]”, escreveu um outro. “Provavelmente, armários como os do Ikea continuarão a ser mais baratos do que os fabricados nos Estados Unidos ou feitos à medida, então isto será apenas mais um imposto sobre as famílias de classe média americanas, com muito poucos benefícios para os fabricantes americanos.”

Como refere a Reuters, as tarifas sobre importações que a administração Trump tem vindo a aplicar de forma generalizada tornarão mais difícil para as empresas manterem os preços baixos, enquanto os executivos do setor têm elevado preocupações sobre a falta de capacidade de produção nos Estados Unidos, já que o país depende fortemente das compras feitas à China, ao México e ao Vietname.

Os preços de tudo, desde roupas a televisores, subiram nos últimos meses nos EUA, à medida que fabricantes e retalhistas combatem o ambiente tarifário em constante mudança enquanto tentam compensar os custos crescentes das matérias-primas e nas cadeias de abastecimento. Este é um risco para o qual o próprio CEO do Ikea tinha alertado no rescaldo da vitória de Trump nas presidenciais de novembro, quando ainda não era conhecida a escala da sua prometida guerra tarifária.

“As tarifas levam tempo a chegar aos consumidores”, refere Zak Stambor, da eMarketer, à Reuters. “A maioria dos produtos para as festas de fim de ano será importada antes de 1 de outubro, então é improvável que as novas tarifas afetem as vendas. Mas elas representam mais um obstáculo para os vendedores a retalho de materiais de construção e móveis, que já enfrentam um mercado imobiliário estagnado.”

E.U.A.

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