Donald Trump poderá avançar com novas sanções contra a Rússia nos próximos dias, numa altura em que descarrega a sua frustração contra o presidente russo, Vladimir Putin, pelo ataque aéreo à Ucrânia no fim de semana, de acordo com pessoas familiarizadas com o assunto.
Nas últimas semanas, foram elaboradas opções para aplicar novas medidas de punição a Moscovo, mas até agora Trump não as aprovou. O presidente afirmou no domingo que iria “absolutamente” considerar novas sanções no rescaldo de um bombardeamento sustentado de mísseis e drones que deixou muitos mortos.
“Ele está a matar muitas pessoas”, referiu Trump sobre Putin no domingo. “Não sei o que é que se passa com ele. Que raio lhe aconteceu?”
Trump ainda pode decidir não aplicar as novas sanções, segundos as mesmas fontes, de acordo com exemplos anteriores de recuo das ameaças de atingir a Rússia por causa das suas ações na Ucrânia. Trump avançou que está preocupado que novas sanções possam afastar a Rússia das negociações de paz.
Os deputados democratas e republicanos estão a pressionar Trump para aumentar significativamente as sanções dos EUA após os ataques do fim de semana.
“Todos nós, através das nossas declarações públicas e dos nossos contactos privados, estamos a exercer uma pressão muito forte”, avançou o senador democrata, Richard Blumenthal, à CNN na segunda-feira.
Blumenthal é uma figura-chave por detrás de um projeto de lei interpartidário do Senado, também patrocinado pelo senador Lindsey Graham, aliado de Trump, que visa impor novas medidas “incapacitantes” a Moscovo. Incluiria “sanções secundárias”, como tarifas maciças de 500% sobre os países que compram energia russa. Até ao momento, mais de 80 senadores subscreveram o projeto de lei bipartidário.
Depois de ter falado com Putin na semana passada, Trump disse aos líderes europeus, durante uma chamada telefónica, que não se juntaria a eles, por agora, na aplicação de novas medidas contra Moscovo, apesar de já ter manifestado anteriormente a sua vontade de adotar uma abordagem mais dura em relação a Putin, disse um funcionário europeu.
Trump “acredita que, neste momento, se começar a ameaçar com sanções, os russos vão parar de falar, e há valor em podermos falar com eles e levá-los a sentar-se à mesa”, disse o secretário de Estado Marco Rubio aos deputados da Comissão de Relações Exteriores do Senado na semana passada, um dia depois de Trump e Putin terem falado ao telefone. “Como veremos, eles têm de fazer isso, ninguém está a afirmar que isso é uma garantia.”
Após os comentários mais recentes de Trump, o presidente francês Emmanuel Macron expressou esperança de que o líder dos EUA mudasse de rumo.
“O presidente Trump compreende que quando o presidente Putin disse ao telefone que estava pronto para a paz, ou disse aos seus enviados que estava pronto para a paz, ele mentiu”, afirmou Macron na segunda-feira. “Vimos mais uma vez nas últimas horas Donald Trump expressar a sua raiva. Uma forma de impaciência. Espero simplesmente que isso se traduza em ação.”
Trump já tinha levantado a hipótese de novas sanções contra o setor bancário russo e sanções secundárias contra os compradores de produtos energéticos russos. Ambas as opções foram elaboradas, mas não ficou claro que medidas específicas Trump estava a considerar na sequência do bombardeamento da Rússia na Ucrânia no fim de semana.
*Matthew Chance contribuiu para este artigo
