Informado em todas as frentes, sem interrupções?
TORNE-SE PREMIUM

"Vamos devolvê-los à Idade da Pedra": Trump garante que os EUA vão "atingir o Irão com extrema dureza" nas próximas semanas e insta aliados a tomarem o Estreito de Ormuz

2 abr, 03:34

Trump dirigiu-se à nação esta madrugada para fazer o balanço do conflito no Médio Oriente, num discurso onde não faltaram ameaças ao Irão, agradecimentos aos aliados e um apelo especial ao controlo do Estreito de Ormuz. Ao contrário do habitual, a intervenção foi curta e seguiu rigorosamente o teleponto

Era um dos discursos mais aguardados dos últimos tempos, tal era a expectativa em torno do mesmo. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dirigiu-se aos EUA esta madrugada para anunciar que as forças norte-americanas vão atacar o Irão com “extrema dureza” nas próximas duas a três semanas, advertindo que, caso não seja alcançado um acordo, as centrais elétricas iranianas poderão ser alvo de ataques simultâneos.

“Continuaremos até que os nossos objetivos estejam totalmente alcançados. Graças ao progresso que fizemos, posso dizer que estamos no bom caminho para cumprir todos os objetivos da América em breve, muito em breve”, disse Trump, acrescentando que vai atingir o Irão “com extrema dureza nas próximas duas a três semanas” e que vai “devolvê-los [ao Irão] à Idade da Pedra, onde pertencem.”

Mas os avisos não se ficaram por aí, Trump quis ir mais longe. "Se durante este período de tempo não for alcançado nenhum acordo, temos os nossos olhos sobre alvos-chave. Se não houver acordo, vamos atingir todas as suas centrais elétricas muito duramente, e provavelmente de forma simultânea.”

Durante um discurso de 20 minutos, relativamente curto para o estilo habitual de declarações do presidente norte-americano, Trump sublinhou ainda que “a mudança de regime nunca foi o objetivo” para os EUA, reconhecendo, no entanto, que acabou por acontecer devido à morte do então líder supremo. Temas como tropas no terreno ou a saída dos EUA da NATO, tal como ameaçara horas antes, ficaram de fora da aguardada declaração.

Trump desafia aliados a "tomar" o Estreito de Ormuz

Era outro dos pontos sensíveis naquele que era o primeiro grande discurso sobre o conflito no Irão: o futuro do Estreito de Ormuz. Sem se alongar muito no tema que tem provocado uma enorme crise no Ocidente, Trump desafiou outros países a retomarem o controlo do estreito, que permanece bloqueado pelo Irão.

“Desenvolvam alguma coragem adiada. [Eles] deviam ter feito isto antes, deviam ter feito connosco, como pedimos. Vão ao estreito e tomem-no, protejam-no”, pediu o presidente norte-americano de olhos postos nos países aliados.

Num discurso sobretudo virado para a população norte-americana, e em linha com aquilo que tem vindo a defender nas últimas semanas, Trump voltou a reforçar que os objetivos estratégicos dos EUA estão próximos de serem alcançados.

“Em conjunto, estas ações vão paralisar militarmente o Irão. Esmagar a sua capacidade de apoiar proxies terroristas e negar-lhes a possibilidade de construir uma bomba nuclear. As nossas forças armadas têm sido extraordinárias. Esta noite, tenho o prazer de dizer que estes objetivos estratégicos centrais estão quase concluídos”, declarou a partir da Casa Branca sem nunca tirar os olhos do teleponto, ao contrário dos improvisos que por norma o caracterizam.

Ainda assim, não só de ameaças e avisos se fez a declaração. Durante o discurso não faltaram também agradecimentos aos aliados do Médio Oriente por continuarem a ser "incríveis". “Vamos concluir o trabalho. Estamos muito próximos. Quero agradecer aos nossos aliados no Médio Oriente – Israel, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos e Bahrein. Eles têm sido incríveis e não os vamos deixar falhar de forma alguma.”

As "várias vitórias no campo de batalha"

Ainda antes das ameaças, dos agradecimentos ou dos apelos aos aliados, Trump quis realçar as “várias vitórias no campo de batalha”.

“Passou apenas um mês desde que as forças militares dos Estados Unidos iniciaram a Operação Fúria Épica, direcionada ao principal patrocinador do terror no mundo, o Irão. Nas últimas quatro semanas, as nossas forças armadas têm alcançado vitórias rápidas, decisivas e esmagadoras no campo de batalha”, afirmou o presidente dos EUA.

O presidente dos EUA, Donald Trump, faz um discurso dirigido a toda a nação sobre o Irão. EPA/DOUG MILLS / POOL

Sozinho e numa sala repleta de bandeiras que simbolizam a nação norte-americana, Trump admitiu ainda que a marinha e a força aérea iranianas sofreram perdas significativas. “A capacidade deles de lançar mísseis e drones está dramaticamente limitada, e as suas fábricas de armamento e lançadores de foguetes estão a ser destruídos - restam muito poucos deles”, lembrou, acrescentando em tom assertivo que "os EUA estão a vencer como nunca antes”.

Tal como em Portugal e em toda a Europa, também nos EUA o preço dos combustíveis começa a pesar no bolso dos norte-americanos. Com vista a agradar aos eleitores, que cada vez mais parecem distanciar-se das suas políticas, Trump aproveitou a audiência para reconhecer uma preocupação com a escalada dos preços.

“Muitos americanos têm estado preocupados com o recente aumento dos preços da gasolina cá. Este aumento a curto prazo foi inteiramente resultado do regime iraniano ter lançado ataques terroristas descontrolados contra petroleiros comerciais em países vizinhos, que nada têm a ver com o conflito. Esta é mais uma prova de que o Irão nunca pode ser confiável com armas nucleares”, alegou.

O presidente dos EUA, Donald Trump, faz um discurso dirigido a toda a nação sobre o Irão. EPA/DOUG MILLS / POOL

Perante uma sala repleta de jornalistas e de alguns membros da sua administração, como o secretário da Defesa, Pete Hegseth, ou o vice-presidente dos EUA, JD Vance, Trump voltou a defender a sua postura firme perante o Irão, sublinhando que a saída do acordo nuclear de 2015 foi decisiva para evitar uma catástrofe regional. “Eles teriam tido essas [armas nucleares] há anos, e teriam usado. Teria sido um mundo diferente. Não haveria Médio Oriente nem Israel neste momento.”

O discurso não terminou sem que Trump deixasse uma garantia aos norte-americanos. “Este é um verdadeiro investimento no futuro dos vossos filhos e netos. O mundo inteiro está a assistir, e eles não conseguem acreditar no poder, na força e no brilho. Simplesmente não conseguem acreditar no que estão a ver.”

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

E.U.A.

Mais E.U.A.