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Trump não se importa com crimes de guerra porque do outro lado estão "animais"

6 abr, 21:57
Donald Trump, presidente dos EUA, fala sobre o conflito no Irão a partir da Casa Branca. EPA/JIM LO SCALZO

As ameaças severas aos "animais" do Irão, os recados à NATO e a "todos" os norte-americanos. Trump voltou ao falar ao mundo sobre o conflito no Irão

“Esta terça-feira é a data definitiva”. Este é o mais recente prazo no rol de datas que Donald Trump tem dado ao Irão para aceitar um acordo que cesse as hostilidades entre dois países que estão em guerra há mais de um mês, e para que abra o Estreito de Ormuz, caso não queira "viver no Inferno".

A partir da Casa Branca, e perante um cenário que em nada condiz com o discurso, ou não fosse o presidente dos Estados Unidos estar a receber as celebrações de Páscoa com centenas de convidados, Donald Trump voltou a endurecer as críticas ao regime iraniano, reforçando que só o próprio poderá terminar com a guerra.

“O único que vai decretar um cessar-fogo sou eu”, afirmou Trump, deixando claro que a decisão final lhe pertence e que, desta vez, "não haverá espaço para negociações prolongadas".

Donald Trump, presidente dos EUA, fala sobre o conflito no Irão a partir da Casa Branca. EPA/JIM LO SCALZO

As declarações surgiram em resposta à contraproposta do Irão que, minutos antes, rejeitava os pontos apresentados pelos EUA para um cessar-fogo com um redondo não. A mensagem, transmitida através do Paquistão - que tem mediado os contactos - aponta para um objetivo, por parte de Teerão, ainda mais ambicioso: o fim definitivo da guerra, e não apenas um cessar-fogo, mesmo que de 45 dias.

A proposta iraniana, estruturada em dez pontos, inclui o fim dos conflitos na região, garantias de segurança no Estreito de Ormuz, levantamento de sanções e um plano de reconstrução. Para Teerão, aceitar uma pausa seria apenas dar tempo ao adversário. E isso, garante o regime, está fora de questão.

Embora seja “um passo significativo” para que a paz seja alcançada na região do Médio Oriente, Trump criticou a proposta descrevendo-a como “insuficiente” face às exigências de Washington, algo que fez o presidente norte-americano endurecer o seu discurso minutos depois, já perante um ambiente mais adequado: a sala de conferências da Casa Branca, onde dezenas de jornalistas o aguardavam.

“Todo o país pode ser derrotado numa única noite. E essa noite pode ser amanhã”, sublinhou, avisando que o Irão tem até 01:00, horário de Lisboa, quando cá já for quarta-feira, “para reabrir o Estreito de Ormuz à navegação, a menos que queira "viver no Inferno".

Num discurso duro, como aqueles que nos tem vindo a habituar sobretudo nas últimas semanas, também as infraestruturas críticas iranianas não ficaram esquecidas. “Não terão pontes, não terão centrais elétricas, não terão nada. Não vou dizer mais nada porque há outras coisas piores do que essas duas.”

“Terça-feira será o Dia da Central Elétrica e o Dia da Ponte, tudo num só, no Irão. Não haverá nada igual!!! Abram a porra do estreito, seus sacanas, ou vão viver no Inferno - VÃO VER!”, prometeu no domingo na rede social Truth Social.

"Eles são animais"

Questionado sobre se os ataques a centrais elétricas e outras infraestruturas poderiam configurar um crime de guerra, Trump respondeu sem hesitar. “Sabem o que é um crime de guerra? O crime de guerra é permitir que o Irão tenha uma arma nuclear".

"Não estou preocupado com essa possibilidade [de ser um crime de guerra]. Eles [iranianos] são uns animais", acusou o líder norte-americano, defendendo que os Estados Unidos estão a “destruir” o Irão, ainda que, diga, estão a “detestar fazê-lo”.

Apesar da escalada, Trump admitu ainda ter “muitas alternativas” para o Irão, incluindo uma retirada imediata, uma hipótese que, para já, não está em cima da mesa. “Podíamos sair agora mesmo e levariam 15 anos a reconstruir o que tinham. Podíamos sair agora mesmo, mas quero resolver isto”, disse, admitindo que se dependesse de si "os EUA ficariam com o petróleo do país". "Ficaria com o petróleo, ganharia muito dinheiro.”

Donald Trump, presidente dos EUA, fala sobre o conflito no Irão a partir da Casa Branca. EPA/JIM LO SCALZO

Os recados à NATO, ao Japão e… aos próprios norte-americanos

Mas não foi apenas o Irão a estar na mira de Donald Trump. Num discurso que rapidamente ultrapassou o campo de batalha, o presidente norte-americano deixou vários avisos aos aliados, mas também aos próprios cidadãos que contestam a guerra e que descreveu como “todos”.

Tal como tem vindo a acontecer em discursos recentes, as baterias de Trump voltaram a virar-se a NATO, acusando a aliança de falta de compromisso num momento decisivo. “Tenho de vos dizer que estou muito desapontado com a NATO”, afirmou, acrescentando que o conflito com o Irão já deixou “uma marca que nunca desaparecerá”.

No entanto, admitiu uma mudança de postura por parte dos Estados-membros, ainda que tardia. “Eles vêm ter comigo na quarta-feira”, lembrou numa alusão à visita de Mark Rutte aos EUA esta semana. "De repente, agora querem enviar ajuda”.

Mas, desta vez, as críticas não ficaram por aqui. O presidente dos Estados Unidos alargou o alcance dos recados e incluiu países como a Austrália, o Japão e a Coreia do Sul, questionando a ausência de apoio num conflito que, insiste, "tem implicações globais".

Trump à caça de um "informador"

Antes das ameaças, das acusações ou dos prazos, o discurso de Trump começou por aquilo que descreveu como um "feito histórico": o resgate de dois pilotos em solo iraniano no passado fim de semana depois de serem ejetados devido a ataques iranianos.

Depois de rasgar vários elogios a todas as equipas envolvidas na difícil operação, mais de 170 aeronaves segundo o próprio, o presidente norte-americano revelou que as autoridades do país estão agora a tentar identificar o “informador” que divulgou à imprensa a existência de um segundo piloto retido no Irão, após o resgate do primeiro.

Segundo o presidente, Teerão desconhecia essa informação até ao momento em que foi tornada pública, um detalhe que, garante, "complicou significativamente a operação no terreno".

“Estamos a procurar incansavelmente esse informador”, afirmou. “Acreditamos que conseguiremos descobri-lo, porque iremos à empresa de comunicação social e diremos: ‘revelem a identidade ou vão para a prisão’”.

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