As mais recentes declarações do presidente surgem no mesmo dia em que o vice-presidente JD Vance vai receber, esta quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca e o seu homólogo da Gronelândia, numa reunião que contará também com a presença do secretário de Estado Marco Rubio
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta quarta-feira que “qualquer coisa menos” do que o controlo norte-americano da Gronelândia é “inaceitável”, defendendo que os EUA precisam do território por razões de segurança nacional — algo que, segundo diz, poderia reforçar a NATO.
“A NATO torna-se muito mais formidável e eficaz com a Gronelândia nas mãos dos ESTADOS UNIDOS”, escreveu Trump numa publicação feita de madrugada na rede social Truth Social. “Qualquer coisa menos do que isso é inaceitável.”
As mais recentes declarações do presidente surgem no mesmo dia em que o vice-presidente JD Vance vai receber, esta quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca e o seu homólogo da Gronelândia, numa reunião que contará também com a presença do secretário de Estado Marco Rubio.
Na publicação nas redes sociais, Trump reiterou a sua afirmação de que a aquisição da Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca, é essencial para a segurança nacional dos Estados Unidos. Acrescentou ainda que é “vital para o Golden Dome” [Cúpula Dourada]” que estão a construir, numa referência ao sistema de defesa antimíssil que o Pentágono está a desenvolver. Trump defendeu também que os líderes da NATO deveriam estar a pressionar para que os Estados Unidos assumam o controlo da Gronelândia.
“A NATO devia estar a liderar este esforço para que a consigamos. SE NÃO O FIZERMOS, A RÚSSIA OU A CHINA FARÃO, E ISSO NÃO VAI ACONTECER! Militarmente, sem o enorme poder dos Estados Unidos, grande parte do qual construí durante o meu primeiro mandato e que agora estou a elevar para um nível ainda mais alto, a NATO não seria uma força eficaz nem um elemento de dissuasão — nem de perto! Eles sabem disso, e eu também”, escreveu Trump.
Na terça-feira, Trump tinha desvalorizado declarações do primeiro-ministro da Gronelândia, Jens-Frederik Nielsen, que afirmou numa conferência de imprensa em Copenhaga: “A Gronelândia não quer ser propriedade dos EUA. A Gronelândia não quer ser governada pelos EUA. A Gronelândia não fará parte dos EUA. Escolhemos a Gronelândia que conhecemos hoje, que faz parte do Reino da Dinamarca.”
Em resposta, Trump afirmou: “Esse é o problema deles. Discordo dele. Não sei quem ele é. Não sei nada sobre ele, mas isso vai ser um grande problema para ele.”
Líderes europeus rejeitam exigências de Trump
Os líderes europeus rejeitaram firmemente os apelos de Trump para controlar a Gronelândia, com o presidente francês Emmanuel Macron a avisar, também nesta quarta-feira, que os efeitos em cadeia de uma tentativa dos EUA de se apoderarem da Gronelândia à Dinamarca serão “sem precedentes”.
“Não subestimamos as declarações sobre a Gronelândia. Se a soberania de um país europeu e aliado fosse afetada, as consequências seriam sem precedentes”, afirmou Macron, segundo o porta-voz do seu governo. Acrescentou que França está a acompanhar a situação e “agirá em total solidariedade com a Dinamarca e com a sua soberania”.
Também esta quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reiterou que a Gronelândia pertence ao seu povo, pelo que cabe à Dinamarca e à Gronelândia decidir.
“Para mim, é importante que os gronelandeses saibam (…) que respeitamos os seus desejos e que podem contar connosco”, acrescentou.
A estação pública dinamarquesa DR noticiou que foram enviados reforços militares dinamarqueses para a Gronelândia, em preparação para uma eventual mobilização de maior escala. O Comando de Defesa da Dinamarca, em Copenhaga, recusou comentar o conteúdo específico da notícia, mas disse à CNN que “aumentou o nível de atividade no Ártico ao longo do último ano”.
“As Forças Armadas dinamarquesas, entre outras coisas, treinam continuamente o destacamento de capacidades no Ártico e mantêm uma presença no âmbito da execução de tarefas de rotina, bem como na preparação de atividades futuras”, indicou Louise Hedegaard, do Comando de Defesa da Dinamarca.
Trump tinha sugerido durante o fim de semana que avançaria com o objetivo de adquirir a Gronelândia com ou sem acordo.
“Gostava muito de fazer um acordo com eles. É mais fácil. Mas, de uma forma ou de outra, vamos ficar com a Gronelândia”, afirmou aos jornalistas a bordo do Air Force One.
Questionado sobre a possibilidade de esta iniciativa comprometer a NATO, Trump respondeu: “Fui eu quem salvou a NATO.”
Sem dizer explicitamente que retiraria os EUA da aliança, acrescentou que “talvez ficassem chateados” se tomasse a Gronelândia, mas mostrou indiferença quanto aos efeitos dessa decisão: “Se afetar a NATO, então afeta a NATO.”
Confrontado pela CNN no domingo sobre se iria, entretanto, aumentar o número de bases militares norte-americanas na Gronelândia, Trump respondeu: “Podíamos colocar lá muitos soldados agora mesmo, se eu quisesse, mas é preciso mais do que isso. É preciso propriedade. É preciso, de facto, ter o título.”
*Camille Knight contribuiu para este artigo