Trump mostrou dedo do meio e disse "vai-te f...." a trabalhador da Ford durante visita a fábrica

CNN , Samantha Waldenberg
15 jan, 11:29
Trump durante a visita à fábrica da Ford, em Dearborn, Michigan, em 13 de janeiro de 2026 (AP Photo/Evan Vucci)

Casa Branca defende o comportamento do presidente dos Estados Unidos, considerando o gesto obsceno "apropriado". Trabalhador em questão dirigiu-se a Trump chamando-lhe "protetor de pedófilos", numa referência a Jeffrey Epstein

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um gesto obsceno a um trabalhador do setor automóvel durante uma visita a uma fábrica da Ford, no Michigan, na terça-feira, num incidente captado em vídeo. A Casa Branca defendeu a atitude, considerando-a uma resposta “apropriada” a alguém que estaria a gritar com o comandante-chefe.

“Um lunático estava a gritar palavrões de forma descontrolada, num acesso completo de fúria, e o presidente deu uma resposta apropriada e inequívoca”, afirmou o diretor de comunicações da Casa Branca, Steven Cheung, num comunicado.

Um vídeo com cerca de 30 segundos, obtido pelo site TMZ, mostra alguém a gritar na direção do presidente, embora não seja claro exatamente o que essa pessoa está a dizer. Segundo o TMZ, o indivíduo parece gritar “protetor de pedófilos” ao presidente.

As imagens mostram depois Trump, que se encontrava no primeiro andar, a apontar várias vezes para o piso de baixo da fábrica enquanto continua a caminhar por uma das áreas da unidade industrial. Em seguida, faz um gesto obsceno com a mão direita na direção de alguém que se encontra nesse piso inferior.

Um segundo vídeo, apresentado de seguida, mostra o que parece ser uma imagem mais aproximada da mesma interação. Também aí se vê o que o TMZ diz ser alguém a gritar “protetor de pedófilos” ao presidente, enquanto este permanece parado.

Nesse vídeo do TMZ, Trump parece responder apontando para a pessoa e dizendo ou articulando “vai-te foder” duas vezes.

TJ Sabula, um operário de 40 anos da linha de montagem, disse ao The Washington Post que foi ele quem gritou ao presidente e que se referia especificamente à forma como Trump lidou com o caso do falecido agressor sexual Jeffrey Epstein. Sabula afirmou ao jornal que foi suspenso do trabalho enquanto decorre uma investigação.

“Quanto a confrontá-lo, não tenho absolutamente nenhum arrependimento”, disse Sabula ao Post.

A CNN tentou contactar Sabula para obter comentários adicionais. Laura Dickerson, vice-presidente do sindicato UAW, que representa os trabalhadores do setor automóvel, afirmou num comunicado que a organização irá “assegurar que o associado recebe a proteção total de todas as cláusulas contratuais negociadas que salvaguardam o seu emprego e os seus direitos”.

“O trabalhador da fábrica Dearborn Truck Plant é um orgulhoso membro de um sindicato forte e combativo — a UAW. Ele acredita na liberdade de expressão, um princípio que abraçamos plenamente, e estamos ao lado dos nossos associados na proteção da sua voz no local de trabalho”, argumentou, acrescentando: “Os trabalhadores nunca devem ser sujeitos a linguagem ou comportamentos vulgares por parte de ninguém — incluindo o presidente dos Estados Unidos.”

O diretor executivo de Comunicação Corporativa da Ford, David Tovar, adotou um tom diferente, elogiando o evento num comunicado e acrescentando que a empresa está “orgulhosa da forma como os trabalhadores representaram a Ford”.

“Vimos o vídeo a que se refere. Um dos nossos valores fundamentais é o respeito e não toleramos que alguém diga algo inapropriado dentro das nossas instalações. Quando isso acontece, temos um processo para lidar com a situação, mas não entramos em questões específicas de pessoal”, indicou Tovar.

Sabula, que disse ao Post identificar-se como politicamente independente e nunca ter votado em Trump, embora tenha apoiado outros republicanos, acredita que o presidente o conseguiu ouvir “muito, muito, muito claramente”. Disse ainda que agora se sente “alvo de retaliação política” por ter “envergonhado Trump à frente dos seus amigos”.

“Não sinto que o destino nos olhe muitas vezes, e quando isso acontece, é melhor estarmos prontos para aproveitar a oportunidade”, afirmou Sabula ao Post. “E hoje acho que fiz exatamente isso.”

Após o incidente, surgiram na internet campanhas de angariação de fundos para apoiar Sabula.

Desde que Trump regressou à Casa Branca, o Departamento de Justiça prometeu, recuou e voltou a prometer divulgar novas e potencialmente explosivas provas sobre o alegado submundo de pedofilia associado a Epstein.

O Departamento de Justiça já divulgou milhares de documentos relacionados com Epstein, depois de o Congresso ter aprovado uma lei que obrigou a administração Trump a fazê-lo. Ainda assim, o departamento continua a ter dificuldades em processar o enorme volume de ficheiros, segundo noticiou anteriormente a CNN.

Trump não foi acusado de qualquer irregularidade nem formalmente acusado de crimes relacionados com Epstein.

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