Informado em todas as frentes, sem interrupções?
TORNE-SE PREMIUM

Sem apoio, Trump pode não ter uma boa saída da guerra com o Irão

CNN , Aaron Blake
27 mai, 06:40
Donald Trump fala aos jornalistas na Casa Branca (AP)
Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

ANÁLISE | Várias sondagens sugerem que os norte-americanos querem simplesmente que a guerra acabe

A guerra de Donald Trump com o Irão não tem sido propriamente um sucesso retumbante até agora. E grande parte do público norte-americano espera que o fim do conflito — seja quando for — não altere isso.

As sondagens das últimas semanas traçam o retrato de um público norte-americano que já está farto. As pessoas não gostaram da guerra desde o início, não acreditam que dela resulte algo de positivo e não parecem esperar concessões significativas — ou, pelo menos, concessões que realmente valham a pena.

Em suma, não há muita confiança de que Trump tenha uma boa forma de sair desta guerra.

O fim de semana do Memorial Day oferece alguma perspetiva sobre esse sentimento. Houve alguns dos sinais mais significativos até agora de progresso real rumo a um acordo para pôr fim à guerra. Mas, à medida que os detalhes foram sendo conhecidos, tornou-se claro que eram completamente inaceitáveis para muitos republicanos mais belicistas. Alguns desses republicanos chegaram mesmo a alertar que o acordo poderia deixar o Irão mais forte do que estava antes da guerra.

E, se o Irão mantiver a sua linha dura, não é claro que acordo poderá permitir a Trump salvar a face e terminar a guerra antes que esta se torne num problema ainda maior para o Partido Republicano.

Várias sondagens sugerem que as pessoas querem simplesmente que isto acabe.

Uma sondagem da Fox News na semana passada mostrou que apenas 39% dos eleitores registados queriam que as operações militares dos EUA durassem “o tempo necessário para atingir os objetivos norte-americanos”, face a 61% que preferiam, em vez disso, “um prazo limitado”.

Da mesma forma, uma sondagem do New York Times-Siena College mostrou que 52% dos eleitores registados afirmaram que os Estados Unidos deveriam terminar as operações militares mesmo que não consigam alcançar um acordo com o Irão sobre o seu programa nuclear.

Apenas 37% queriam retomar as operações militares caso os países não consigam chegar a um entendimento sobre o programa nuclear iraniano.

E essa última sondagem, bem como outros dados, reforçam que os norte-americanos não estão propriamente otimistas quanto a um acordo aceitável. Pelo contrário, parecem inclinados a olhar com ceticismo para qualquer resultado que venha a surgir.

A sondagem Times-Siena revelou que apenas 22% consideravam que a guerra seria “muito bem-sucedida” na eliminação do programa nuclear do Irão — um programa que, importa sublinhar novamente, a administração Trump já afirmou ter sido “obliterado” no verão passado.

(Outros 18% consideraram que seria “algo bem-sucedida”, enquanto 50% esperavam que fosse mal-sucedida.)

Da mesma forma, 65% dos norte-americanos estavam “pouco confiantes” ou “nada confiantes” de que um acordo para pôr fim à guerra impediria o Irão de desenvolver armas nucleares (o que tem sido a linha vermelha repetida de Trump), segundo uma sondagem do Washington Post-ABC News.

E quase dois terços mostravam-se apenas “algo confiantes”, ou menos, de que a administração conseguiria atingir os seus objetivos no Irão, segundo uma sondagem recente do Pew Research Center.

Mesmo que seja alcançado um acordo com condições razoavelmente favoráveis para os Estados Unidos, isso não significa que os norte-americanos o considerem compensador.

Os eleitores registados afirmaram, por 55% contra 21%, que a guerra não valerá os custos, segundo a sondagem Times-Siena.

As sondagens também têm mostrado repetidamente que os norte-americanos acreditam que a guerra será contraproducente em várias frentes. A sondagem Post-ABC mostrou que os norte-americanos consideram:

• 61%-11% que a guerra aumentou o risco de terrorismo contra norte-americanos
• 56%-12% que arriscou enfraquecer as relações externas dos EUA
• 49%-21% que a estabilidade no Médio Oriente irá piorar

Mesmo que Trump desafie as probabilidades e consiga obter um acordo favorável para os EUA, enfrenta outro problema crítico: os norte-americanos já não confiam nele nesta matéria.

A sondagem mais recente da CNN, por exemplo, mostra que apenas 20% dos norte-americanos têm “muita confiança” em Trump para tomar boas decisões sobre o Irão. Cerca de três vezes mais — 59% — têm “pouca” ou nenhuma confiança.

Trump já recuou de muitas das suas exigências mais absolutistas. Chegou, por exemplo, a afirmar que só aceitaria uma “RENDIÇÃO INCONDICIONAL”. Noutras ocasiões, disse que os seus principais objetivos eram acabar por completo com o programa nuclear iraniano e impedir que o Irão financiasse grupos aliados como o Hamas e o Hezbollah.

Com base nos mais recentes termos negociais, esses objetivos parecem estar a ser diluídos.

Trump parece ter cometido dois erros críticos desde o início: não tinha um plano claro e exequível para terminar a guerra e não conseguiu vender suficientemente o conflito ao povo norte-americano. Em vez disso, colocou a fasquia do sucesso tão alta que terá dificuldade em superá-la — a menos que reinicie hostilidades em larga escala e prolongue a guerra, pelo menos — e disse aos eleitores, após lançar os ataques, que isso valeria o sofrimento.

Claramente, os norte-americanos não concordam. E, embora sair agora possa ser politicamente melhor do que deixar a situação arrastar-se, pode simplesmente ser a opção menos má.

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Médio Oriente

Mais Médio Oriente