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Big show Trump: a oportunidade de uma europa mais forte?

5 mar 2025, 11:33
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O que poderia ter sido um momento decisivo para definir o futuro da guerra na Ucrânia tornou-se um espetáculo de humilhação pública. Trump voltou a fazer do Salão Oval um palco, reduzindo a diplomacia a um jogo de transações onde a realidade é apenas um detalhe descartável. As reações foram imediatas: líderes europeus em choque, senadores norte-americanos preocupados e um Kremlin que, provavelmente entre risos, vê a sua estratégia avançar sem precisar de disparar um único tiro.

Zelensky aterrou em Washington com um objetivo claro: garantir um compromisso mínimo de segurança por parte dos EUA. Macron e Starmer já tinham tentado construir pontes, oferecendo incentivos para manter Trump numa posição, no mínimo, cooperante. Mas quem conhece Trump sabe que ele não joga segundo as regras tradicionais. A sua linguagem política não assenta em compromissos, mas sim no espetáculo e na ilusão de sucesso. Ele não precisa que um acordo seja real, precisa apenas que pareça um feito extraordinário para reforçar a sua narrativa.

O padrão repete-se. Cria um cenário onde se apresenta como o grande negociador, mesmo que a proposta seja impossível ou desconectada da realidade. Perante a resistência de Zelensky, a reunião transformou-se numa armadilha cuidadosamente montada. JD Vance e outros aliados interromperam, ridicularizaram e atacaram verbalmente o presidente ucraniano, enquanto Trump alimentava o espetáculo. No final, Zelensky foi expulso da Casa Branca por Marco Rubio e Mike Waltz. Pouco depois, Trump escreveu na Truth Social que Zelensky “não está interessado na paz”.

Não há espaço para ilusões. O que aconteceu no Salão Oval foi mais do que um episódio de caos diplomático. Foi um sinal de rutura na ordem mundial. Durante décadas, os países europeus confiaram nos EUA como pilar da sua segurança e estabilidade, acreditando que a América era uma força para o bem e que o seu presidente era o líder do mundo livre. Essa visão morreu ali, diante das câmaras, entre insultos e risos.

A Europa enfrenta agora uma escolha inevitável. Pode resignar-se a um papel secundário na política global, aceitando que está sozinha e vulnerável à Rússia, à China e a outros atores que se aproveitem da fraqueza alheia. Ou pode reorganizar-se e ocupar o vazio deixado pelos EUA, assumindo um papel independente e investindo seriamente na sua própria defesa. Se optar pela primeira via, arrisca-se a reviver os piores momentos da sua história. A retirada dos EUA do tabuleiro geopolítico não significa apenas o enfraquecimento da Ucrânia. Significa que qualquer país europeu pode ser o próximo alvo de Putin.

Se quiser manter a sua segurança e relevância, a Europa precisa de agir agora. Criar uma verdadeira estratégia de defesa europeia, deixando de depender exclusivamente da NATO, não pode continuar a ser um conceito vago. Exige investimento militar, modernização das forças armadas e a capacidade real de responder a ameaças sem depender de Washington. Além disso, há alianças estratégicas a fortalecer. O Japão, a Coreia do Sul e a Austrália são exemplos de países que enfrentam ameaças semelhantes e que podem fazer parte de uma nova configuração diplomática global.

A linguagem política de Trump e dos seus aliados não é apenas um reflexo da sua personalidade. É uma arma estratégica usada para reconfigurar o cenário mundial. O que aconteceu no Salão Oval não foi um episódio isolado. Foi a confirmação de que a política internacional mudou e que a Europa tem de decidir, de uma vez por todas, se quer continuar a assistir ao espetáculo ou se quer assumir o controlo do seu próprio destino. Se não agir agora, poderá ser tarde demais.

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