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opinião

A guerra do Irão é uma guerra entre "força e astúcia" e os EUA cometeram uma "gravíssima falha de planeamento"

5 abr, 21:25

Paulo Portas é muito crítico do comportamento da administração americana, em particular do seu presidente, Donald Trump, e afirma que, uma a uma, vão caindo as justificações americanas para o ataque

Paulo Portas considera que EUA e Irão estão a utilizar estratégias diferentes na guerra que vai assolando o Médio Oriente, classificando-a como um confronto entre “força e astúcia”.

“A força dos americanos, que em termos militares é incomparável, era previsível para os iranianos. O que é um pouco mais surpreendente é que a astúcia dos iranianos não tivesse sido prevista pelos americanos, naquilo que eu considero uma gravíssima falha de planeamento”, observou o comentador da TVI no Global deste domingo.

Portas foi muito crítico do comportamento da administração americana, em particular do seu presidente, Donald Trump, e afirma que, uma a uma, vão caindo as justificações americanas para o ataque: primeiro foi a mudança de regime, depois foi a obtenção do urânio enriquecido que o Irão tem guardado, passando pela mudança das lideranças do regime de Teerão, que Trump já alegou serem “mais razoáveis”.

“Restam muito poucas justificações neste carnaval de explicações sem evidências e que tornam o ceticismo da opinião pública americana mais complexo. Neste momento, cerca de 65% dos americanos são desfavoráveis à intervenção militar no Irão e ainda mais a qualquer intervenção no terreno”, explicou o comentador.

Portas visou também a sucessão de ultimatos feitos por Trump.

“Como o presidente [dos EUA] não se sabe calar e confunde um mundo com um reality show e o inimigo com um comprador de uma casa (…) passa a vida a fazer ultimatos”, começa por dizer.

“Depois, os ultimatos não se cumprem nem são eficazes. Isso resulta mais em descredibilização de quem faz o ultimato. Lembre-se, 48 horas ou libertam Ormuz ou nós obliteramos tudo. Depois, cinco dias para negociar porque tenho conversações produtivas. Depois, 10 dias para negociar, que terminariam agora. E por fim, outra vez, este fim de semana, 48 horas para desimpedir o estreito de Ormuz, que esta mesma semana era um assunto dos outros, não tinha nada a ver com os americanos, porque os americanos não dependem do petróleo que vem de lá”, acrescentou.

O comentador da TVI afirmou também que a demissão de Randy George, Chefe do Estado-Maior do Exército dos EUA, “nunca é bom sinal a meio de uma guerra”.

“Ou bem que ele não concordava com aspetos da guerra, nomeadamente a intervenção terrestre, ou bem que há um grande caos na administração americana, coisa que não é nova, nem sequer exclusiva deste presidente”, completou Portas.

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