Além de peças de ouro ou de prata dourada, o presidente dos Estados Unidos colocou um total de 20 quadros na parede - Biden tinha seis
Enquanto o presidente Donald Trump remodela drasticamente o governo federal, tem também em curso outra transformação histórica da sua presidência: a Sala Oval.
Há quase oito semanas, desde que regressou ao cargo, Trump triplicou o número de quadros pendurados nas paredes do gabinete. As prateleiras e superfícies foram adornadas com bandeiras, estátuas e ornamentos.
E, mantendo o estilo a que aderiu durante décadas, há ouro por todo o lado: novas figuras em vermeil [prata dourada] e medalhões na lareira, águias douradas nas mesas de apoio, espelhos dourados rococó nas portas e, aninhados nos frontões acima das portas, pequenos querubins dourados enviados de Mar-a-Lago, a residência de Donald Trump na Florida. Até o comando televisão está envolto em dourado.
De acordo com duas pessoas familiarizadas com os seus planos, o presidente chegou a pensar em pendurar um candelabro na Sala Oval, embora tal pareça improvável agora.
Tudo isto faz com que a Casa Branca se assemelhe cada vez mais à casa de Trump. Espera-se que dentro de semanas comecem os trabalhos sobre os planos de Trump para renovar o Jardim das Rosas, pavimentando a relva e transformando-o numa área de estar ao estilo de um pátio, muito semelhante à área onde faz as receções em Mar-a-Lago. O presidente analisou pessoalmente os planos para o Jardim das Rosas recentemente com os curadores da Casa Branca.
Trump tem discutido a sua visão para o espaço exterior, originalmente concebido pela primeira-dama Ellen Wilson, com os chefes de Estado que o visitam enquanto caminham ao longo do Pórtico Sul, de acordo com um responsável de uma delegação visitante.
No relvado sul, o presidente espera construir um novo salão de baile para acolher jantares de Estado, inspirado no de Mar-a-Lago, que, por sua vez, foi inspirado no Salão dos Espelhos de Versalhes. Desde a sua tomada de posse, o presidente já analisou vários projetos, mostrando-os aos visitantes e fazendo alterações aos desenhos. Há muito que Trump afirma que será ele próprio a pagar a construção - chegou mesmo a oferecer-se para o construir durante a administração Obama - mas ainda não é claro se o projeto irá avançar no terreno histórico.
“Mantém a minha energia imobiliária a fluir”, disse Trump ao The Spectator recentemente sobre as possíveis renovações. “Mas vai ser lindo.”
Tudo isto contribui para um espaço de trabalho muito ao estilo de Trump, com o presidente rodeado de muito mais objetos, curiosidades e arte do que os homens que o precederam no cargo. Nunca conhecido por uma estética minimalista, Trump parece sentir-se mais à vontade no meio de todas as coisas: troféus, arte, papéis, recordações.
Há muito que Trump vê o seu gabinete tanto como um local de exposição como um local de trabalho. Durante décadas, a sua suite no 26.º andar da Trump Tower, em Nova Iorque, estava repleta de objetos de coleção no parapeito da janela e nas mesas, com fotografias emolduradas e capas de revistas nas paredes. A Sala Oval, em particular a sua secretária, é muito mais ordenada, mas ainda assim faz lembrar o local onde fez a sua fama.
Todos os acrescentos à Sala Oval - independentemente de serem grandes ou pequenos - são feitos sob a sua direção, dizem os seus assessores, uma vez que ele procura refazer o espaço como bem entende.
A Sala Oval é o centro de poder predominante de qualquer administração, mas desde que Trump regressou há dois meses a sala tornou-se uma das mais visíveis da Casa Branca. Utiliza-a para falar com os líderes estrangeiros em visita, incluindo a sessão notavelmente hostil com o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky, como local para dar posse aos secretários do gabinete e como pano de fundo para as suas sessões quase diárias de perguntas e respostas com os jornalistas.
“É uma sensação óptima”, afirmou Trump, sentado atrás da sua secretária, a resolute desk [mesa do século XIX que foi um presente da rainha Vitória para o presidente Rutherford B. Hayes em 1880 e foi concebida com partes da fragata britânica HMS Resolute], no dia da tomada de posse, quando lhe perguntaram qual era a sensação de regressar à Sala Oval. “Uma das melhores sensações que já tive.”
Trump chega normalmente a meio da manhã, já depois de pegar no telefone pelas 06:00, ligando a diferentes assessores ou aliados para discutir o que acabou de ver na televisão, o que leu no jornal ou os vários planos para o dia. A sua equipa sabe que deve esperá-lo na Ala Presidencial por volta das 10 ou 11 da manhã.
O espaço a que chega hoje em dia tem a aparência de uma galeria de exposição cheia. Embora soubesse de imediato alguns dos retratos que queria pendurar, Trump também analisou catálogos e mais catálogos de potenciais retratos da coleção nacional para pendurar na Sala Oval, folheando páginas para decidir quais os retratos dos seus antecessores que gostaria de adornar as paredes do gabinete que todos eles ocuparam.
Depois de selecionar os homens que quer na parede, passa para as molduras. Tal como acontece com a decoração das suas outras propriedades, Trump prefere normalmente molduras mais escuras. No total, pendurou cerca de 20 quadros na Sala Oval, todos de antecessores ou estadistas que venera ou em quem se inspira. Joe Biden, por comparação, tinha seis retratos nas paredes - bem mais do que Barack Obama, que pendurou dois retratos de Abraham Lincoln e George Washington, mas deu o restante espaço de parede a pinturas modernas, incluindo dois Edward Hoppers emprestados pelo Museu Whitney.
Um grande retrato a óleo de Ronald Reagan ocupa agora um lugar de destaque à esquerda de Trump, quando este se senta à secretária. Do outro lado da sala, uma nova imagem de George Washington está pendurada por cima da lareira: já não é o pequeno quadro que lá estava quando Trump chegou em janeiro, mas um imponente retrato de Charles Willson Peale de 1776, que mostra o primeiro presidente com uma espada.
Quase todos os centímetros quadrados de parede foram cobertos com retratos a óleo de pais fundadores ou de antigos presidentes; em alguns sítios, as molduras quase se tocam enquanto competem pelo espaço. A parede da galeria inclui agora Thomas Jefferson, Benjamin Franklin, Lincoln, Andrew Jackson, Franklin D. Roosevelt e James Polk - emprestado pelo Capitólio - todos a olhar para os procedimentos no gabinete.
Embora muitos presidentes tenham considerado a Casa Branca uma bolha confinada, Trump exalta frequentemente a beleza e a grandeza da mansão executiva, em particular da Sala Oval. Alguns presidentes realizaram reuniões de trabalho nas salas Roosevelt ou do gabinete, mas Trump passa a maior parte do seu dia na Sala Oval e nas pequenas salas adjacentes, incluindo uma sala de jantar.
Até agora, todas as mudanças neste mandato têm-se centrado na decoração. Mas durante o seu primeiro mandato, Trump presidiu a uma extensa renovação da Sala Oval e de outras salas da Ala Presidencial. As renovações, no valor de 1,75 milhões de dólares, foram concluídas durante as suas férias de verão.
“Encontrámos ouro atrás das paredes, o que eu sempre soube. As renovações são grandiosas”, disse Trump à revista TIME na altura. “Lembram-se de como eles trabalharam arduamente? Queriam fazer-me feliz.”
Mesmo quando se aproxima a marca dos dois meses do seu regresso ao poder, Trump continua a acrescentar novas peças de decoração ou recordações à Sala Oval. Algumas são rotativas. Outras parecem estar em exposição permanente.
Na mesa atrás da sua secretária está uma réplica dourada e brilhante do troféu do Campeonato do Mundo de Futebol, conhecido como Troféu Jules Rimet. Trump fala frequentemente sobre o próximo Mundial, que terá lugar em julho de 2026 na América do Norte, com a maioria dos jogos a serem disputados nos EUA.
O chefe de gabinete adjunto da Casa Branca, Dan Scavino, que é um dos mais antigos assessores do presidente, publica atualizações ocasionais feitas por Trump.
“Todos os presidentes têm o direito de decorar o Salão Oval”, esclareceu à CNN um ex-responsável da Casa Branca que trabalhou em administrações democratas e republicanas. “Mas a decoração dele é tão estranhamente não presidencial que é mais parecida com a de um rei.”
Trump removeu algumas das características mais icónicas da sala, incluindo os tufos de hera sueca que costumavam ficar por cima da lareira. As plantas são descendentes de estacas originalmente oferecidas a John F. Kennedy pelo embaixador irlandês nos EUA. Sobre a lareira estão agora sete artefactos de ouro, dispostos em fila a ladear um centro de mesa alto de estilo império.
As simples mesas de apoio de madeira foram substituídas por consolas mais vistosas, com tampo de mármore, com águias douradas na base a segurar bustos de bronze de Martin Luther King Jr. e Winston Churchill.
Uma mesa atrás da secretária de Trump está coberta por fotografias, incluindo a da sua mãe. A resolute desk foi enviada para ser renovada no mês passado. Uma secretária mais pequena ocupou temporariamente o seu lugar.
Ao lado dela, um cartaz que mostra a massa de água a que deu o nome de “Golfo da América” está permanentemente num cavalete. As chávenas de ouro estão colocadas em nichos por cima das janelas e ao longo da parede.
Um pisa-papéis dourado de aspeto pesado está posicionado sobre a mesa de café, com o selo presidencial gravado no topo e a palavra “TRUMP” estampada na lateral. Por vezes, alguns convidados usaram-no como base para copos.
E é possível que haja mais. O presidente passa a maior parte dos fins de semana em Mar-a-Lago e regressa frequentemente a bordo do Air Force One com uma nova peça para a Sala Oval ou outro lugar de honra na Casa Branca.