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Trump ameaça futuro da NATO - que será "muito mau" - se aliados não ajudarem a reabrir o Estreito de Ormuz

16 mar, 11:18
Donald Trump (Getty)

Presidente dos Estados Unidos quer os aliados e os rivais a contribuir para o esforço de guerra norte-americano, porque, argumenta, todos beneficiam do petróleo que passa pelo estreito e que está a bloquear a economia mundial

É a mais recente ameaça do presidente dos Estados Unidos e não se dirige a um inimigo, pelo contrário: Donald Trump quer a ajuda dos aliados para reabrir o Estreito de Ormuz, ou melhor, Donald Trump exige a ajuda dos aliados para reabrir a via marítima por onde passa um quinto da produção mundial de petróleo e que foi encerrada pelo Irão após a guerra iniciada pelos EUA e Israel.

A NATO é a principal visada da ameaça, mas também os aliados asiáticos - Coreia do Sul e Japão - e ainda o rival económico China, que devem, segundo o presidente dos Estados Unidos, juntar-se ao esforço de guerra norte-americano, que dura já há duas semanas.

"É apenas apropriado que aqueles que beneficiam do Estreito ajudem a garantir que nada de mau acontece ali", argumentou Trump, em entrevista ao Financial Times, sublinhando que a Europa e a China dependem fortemente do petróleo proveniente do Golfo, ao contrário dos Estados Unidos.

"Se não houver resposta ou se a resposta for negativa, acho que será muito mau para o futuro da NATO", acrescentou, durante a entrevista telefónica de oito minutos.

Para Trump nem deveria ser preciso pedir ajuda, por tudo o que os EUA têm feito pela Ucrânia na guerra com a Rússia.

"Temos uma coisa chamada NATO. Fomos muito simpáticos. Não tínhamos de os ajudar na Ucrânia. A Ucrânia está a milhares de quilómetros de nós, mas ajudámos. Agora vamos ver se eles nos ajudam. Porque há muito tempo que digo que estaremos lá por eles, mas eles não estarão por nós. E não tenho a certeza de que estariam", afirmou.

Sobre o tipo de ajuda que pretende, depois de responder "o que for preciso", acabou por confirmar que gostaria que os aliados enviassem, por exemplo, navios caça-minas, que a Europa terá em maior número do que os Estados Unidos, mas também tropas.

"Estamos a atacá-los com muita força. Eles não têm nada além de causar alguns problemas no estreito, mas estes países são beneficiários e devem ajudar-nos a policiá-lo. Nós ajudamo-los. Mas eles também devem estar lá. Por vezes é preciso muita gente para vigiar alguns poucos", defendeu.

Trump insistiu que os Estados Unidos, "basicamente, dizimaram o Irão", pelo que os aliados não têm nada a recear ao envolver-se no conflito. "Eles não têm marinha, não têm defesa antiaérea, não têm força aérea, tudo desapareceu. A única coisa que podem fazer é causar alguns problemas colocando minas na água — um incómodo, mas um incómodo que pode causar problemas", apontou.

Entre os aliados, a resposta do Reino Unido ao conflito é a que mais tem frustrado Trump.

"O Reino Unido pode ser considerado o aliado número um, o mais antigo e tudo o mais, e quando lhes pedi para virem, não quiseram. E assim que basicamente eliminámos a capacidade de perigo do Irão, disseram: ‘ah, então vamos enviar dois navios’. E eu disse: precisamos desses navios antes de ganharmos, não depois de ganharmos. Sempre disse que a NATO é uma via de sentido único", criticou.

Além da ameaça ao futuro da NATO, Trump também ameaçou adiar a visita de estado à China no final de março para um encontro com Xi Jinping, caso o rival comercial, tecnológico e militar não ajude a desbloquear o Estreito de Ormuz.

“Acho que a China também devia ajudar, porque a China recebe 90% do seu petróleo do estreito", indicou, sublinhando que não quer o anúncio dessa ajuda aquando da cimeira em Pequim, dentro de duas semanas, porque seria "muito tarde".

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