Autarquias apanhadas pelo Tribunal de Contas a manipular ajustes diretos. E há um caso que deixou o tribunal "perplexo"

CNN Portugal , BCE
8 out 2024, 08:12
Tribunal de Contas (Tribunal de Contas)
Adicione a CNN como fonte preferidaSiga-nos no Google News ?Saiba mais

REVISTA DE IMPRENSA | Tribunal de Contas diz-se "perplexo" com a forma como uma autarquia conseguiu contratar serviços no valor de 342,1 mil euros, quando estava obrigada por lei a um teto máximo de 221 mil euros. Mas não é caso único

O Tribunal de Contas (TdC) denuncia várias situações de "manipulação" na contratação pública a envolver projetos financiados por fundos europeus ou pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

Os dados constam do terceiro “Relatório de Acompanhamento da Contratação Pública abrangida pela Lei n.º 30/2021”, resultante de uma auditoria a contratos públicos feitos “ao abrigo das medidas especiais de contratação pública (MECP)", e no qual, segundo o Diário de Notícias (DN) e o Jornal de Notícias (JN), o TdC conclui que há inúmeros casos em que a entidade pública que adjudica uma obra ou compra bens e serviços concede contratos sucessivos à mesma empresa ou beneficiário último, inibindo assim a concorrência.

Segundo o TdC, há casos em que os contratos violam os limites financeiros estabelecidos por lei, havendo mesmo situações de "fraude à lei". Há um caso específico em que o TdC se diz mesmo "perplexo" pela forma como a entidade pública em causa - o "Município de Viseu" - decidiu "fatiar" a contratação de trabalho (como a limpeza de florestas ardidas) em vários contratos por ajustes diretos, de forma a contornar os limites impostos pela lei.

Neste caso em concreto, e segundo o TdC, a autarquia conseguiu contratar assim serviços no valor de 342,1 mil euros, quando estava obrigada por lei a um teto máximo de 221 mil euros.

Mas este não é um caso único. Segundo o TdC, citado pelo DN, também o município de Valongo fez contratos num valor total de 324 mil euros, quando estaria limitado a gastar 221 mil euros em projetos de arquitetura e engenharia para renovar escolas básicas da região. Segundo o TdC, este caso “evidencia mais uma situação em que, para um limite de 221mil euros, uma sequência de contratos resulta num valor de adjudicações sucessivas bastante superior”.

Informação em todas as frentes, sem distrações? Navegue sem anúncios e aceda a benefícios exclusivos.
TORNE-SE PREMIUM

Crime e Justiça

Mais Crime e Justiça

Mais Lidas