Do papel para impressoras ao papel higiénico. Tribunais portugueses enfrentam “escassez geral de matérias-primas”

14 jun, 21:16

Denúncias são feitas por três sindicatos da Justiça

Vários tribunais portugueses, de Norte a Sul do país, enfrentam falhas de papel para impressoras, mas também de capas, contracapas de processos e até escassez de papel higiénico. A denúncia é feita à CNN Portugal por três representantes do sector da Justiça: Sindicato dos Funcionários Judiciais, Sindicato dos Magistrados do Ministério Público e Associação Sindical dos Juízes Portugueses.

O problema agravou-se no último mês e tem obrigado vários magistrados do Ministério Público a levarem de casa o papel para usar nas impressoras, tendo em conta que o papel é essencial em muitos processos. “Cada magistrado desenrasca-se como pode”, diz Adão Carvalho, presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público. Em Castelo Branco, por exemplo, a Câmara Municipal está a doar papel ao tribunal e mesmo assim não chega para todas as necessidades. 

Alexandra Lopes, do Sindicato dos Funcionários Judiciais, explica que as últimas ordens no tribunal onde trabalha, em Aveiro, pedem para só se imprimirem processos urgentes, num claro racionamento do papel que ocorre em inúmeras comarcas do país.

Manuel Soares, presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, vai mais longe e refere que há tribunais onde até existe escassez de papel higiénico, problema confirmado por Alexandra Lopes: “Numa comarca do Porto já existe essa carência”, refere a representante dos funcionários judiciais que fala num mau planeamento das compras por quem gere os stocks de vários consumíveis necessários ao funcionamento dos tribunais.

Contactada, a Direcção Geral da Administração da Justiça (DGAJ), entidade tutelada pelo Ministério da Justiça, confirma uma “escassez geral de matérias-primas” que “tem vindo a provocar uma disponibilidade limitada de papel no mercado, com impacto no fornecimento aos tribunais do papel de cópia, capas, contracapas de processos, entre outros”.

Apesar dos problemas, a DGAJ indica que “sempre que têm sido assinaladas interrupções no fornecimento, a DGAJ tem conseguido solucioná-las através da partilha deste tipo de material entre os armazéns das diferentes comarcas”.

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