Esta mulher quer ser a mais jovem a dar a volta ao mundo de mota

CNN , Tamara Hardingham-Gill
4 dez 2022, 10:00
Bridget McCutchen

Bridget McCutchen acaba de deixar a Cidade do México - e planeia viajar pelo Brasil, Chile, Argentina e Uruguai antes de voar para a Europa. Quer bater o recorde.

Nascida numa família de motociclistas, Bridget McCutchen pôde testemunhar em primeira mão a emoção que andar de mota poderia suscitar desde muito cedo.

A jovem de 22 anos, que cresceu no Norte do Wisconsin (EUA), teve a primeira moto aos 19 anos e começou logo a fazer viagens para locais como Baltimore e Nova Iorque.

Mas a ideia de andar por todo o mundo nunca lhe tinha ocorrido até que o irmão mais velho lhe disse que ainda era suficientemente jovem para bater o recorde da pessoa mais jovem a circum-navegar o Globo de moto.

McCutchen, cuja viagem mais longa tinha sido do Wisconsin a Washington, declarou que rejeitou a ideia no inicialmente, mas de vez em quando voltava a lembrar-se.

"Algum tempo depois, pensei: 'Porque não?' A única razão pela qual pensei que não ia fazê-lo foi por ter medo",  conta à CNN. "Eu estava a dizer a mim mesma, 'não.' E depois decidi dizer a mim mesma: 'Sim'.  Portanto, cá estamos nós."

Desafio recorde

Bridget McCutchen está a tentar bater o recorde da pessoa mais jovem a circum-navegar o Globo numa moto. Cortesia Bridget McCutchen

McCutchen passou cerca de um ano a planear a rota, procurando os conselhos de Henry Crew, que tinha 23 anos quando completou a circum-navegação do globo de moto em 2019, e de outros que já tinham tentado o desafio. Kane Avellano, que conseguiu este feito um dia antes de fazer 24 anos em 2017, é atualmente considerado recordista no site do Guinness World Records.

Para se tornar a nova recordista, McCutchen é obrigada a cumprir uma lista de especificações, incluindo usar a mesma moto durante toda a viagem e evitar ficar num só local mais de duas semanas.

McCutchen também terá de atravessar o Equador pelo menos uma vez, e a viagem deverá ter um mínimo de 40 075 quilómetros para se qualificar.

Depois de poupar o máximo de dinheiro que conseguiu, McCutchen partiu em agosto, passando as primeiras semanas "a deambular pelos Estados Unidos", antes de ir para Baja e de atravessar para o México de ferry.

Ela viaja com uma parceira, Kiva, que conheceu há alguns meses, durante esta parte da viagem, e conta que elas muitas vezes causam sensação quando, ao chegarem a algum sítio, tiram o capacete.

"Muitas vezes as pessoas ficam muito surpreendidas", diz. "Como se esperassem que fossem homens a andar nestas motas."

Ao tentar bater este recorde em particular, McCutchen, que tem narrado as suas viagens na sua conta de Instagram, “bike.will.travel”, espera "representar a nova geração" de motociclistas", sublinhando que há uma enorme diferença entre ver o mundo enquanto se viaja de carro e enquanto se viaja de moto.

"Num carro, estamos numa bolha que se move pelo mundo", declara. "Mas numa moto, estamos sujeitos a tudo, para o bem e para o mal. Paisagens, cheiros, sons… Tudo é mais relevante.

Estamos expostos a tudo, e é muito mais envolvente. É mais íntimo.”

Passagem complicada

McCutchen está neste momento a viajar do México para a América do Sul como parte da primeira etapa da sua viagem. Cortesia Bridget McCutchen

McCutchen, que acaba de deixar a Cidade do México, planeia chegar devagar à América do Sul, viajando pelo Brasil, Chile, Argentina e Uruguai antes de voar para a Europa.

"É aqui que o plano é mais genérico", explica. "Porque tenho de encontrar um sítio para enviar a minha mota de barco, o que vai demorar cerca de dois meses."

Quando tanto McCutchen como a sua mota chegaram à Europa, idealmente através de Espanha, McCutchen espera viajar pelo Reino Unido, Irlanda e até à Turquia, que é atravessada pela Europa e pela Ásia, e "ir a seguir para o Mar Cáspio. Nesta fase, ela tem um  número limitado de opções de rota para ir mais longe para a Ásia, apresentando cada uma delas grandes desafios.

McCutchen tinha inicialmente planeado entrar na Rússia, mas isso pode não ser possível devido à  guerra em curso na Ucrânia.

A perspetiva de viajar pela China ou pelo Irão é talvez ainda menos viável devido às  restrições fronteiriças em vigor na primeira, e à agitação política no último (o Governo dos EUA aconselha os viajantes a não visitar o  Irão).

"A situação é muito complicada", diz. "Continuo  a acreditar que a Rússia é a minha melhor opção."

Quando, ou se, ela for capaz de completar com sucesso a etapa asiática da sua viagem, McCutchen pretende que a sua moto seja enviada de volta para o México, de onde vai regressar aos EUA.

Por enquanto, ela está focada em passar a primeira etapa, e estava encantada por estar no México no Día de los Muertos, o Dia dos Mortos, que se estende pelos primeiros dois dias de novembro.

Claro que viajar de moto em estradas desconhecidas tem os seus perigos, e McCutchen tem achado, nalguns casos, difícil navegar nalguns troços fora das estradas principais do país.

Caiu da moto na areia em algumas ocasiões e teve algumas "tangentes a camiões nos chamados ângulos mortos".

"O mais difícil até agora foram as passagens de montanha", diz."Porque temos evitado as estradas com portagem."

McCutchen diz que teve de aprender a abrandar e a apreciar o ambiente em vez de correr de um lado para o outro.

Início de conversa

McCutchen com o grupo de motociclistas Los Renecidos na aldeia mexicana Bernal. Cortesia Bridget McCutchen

"Normalmente, quando fazia uma viagem de moto, ia a algum lado e não tinha muito tempo", explica. "E agora tenho tempo de sobra."

McCutchen optou por descarregar algum do seu equipamento ao longo do caminho para manter uma gestão racional, e atualmente leva dois pares de calças, duas camisas, um pequeno compressor de ar, um recipiente de combustível extra, um fogão de campismo, uma tenda, um saco-cama, equipamento fotográfico e um computador portátil.

"Algumas podem ser pesadas, mas na verdade são coisas muito básicas", diz.

Apesar de ter juntado algum dinheiro antes de começar a viagem, rapidamente percebeu que não seria suficiente para cobrir todas as suas despesas.

Ela conseguiu angariar fundos a vender autocolantes que ela própria desenhou, e tem um GoFundMe, no qual os seus seguidores podem fazer doações.

"No início, pensei: 'Como vou pagar isto?'" admite. "Porque não poder ficar em lado nenhum mais de duas semanas limita a minha capacidade de trabalhar na viagem."

McCutchen está extremamente grata àqueles que a apoiaram e/ou doaram ao seu fundo, reconhecendo que a generosidade dos outros tem sido "praticamente a principal  razão pela qual eu tenho sido capaz de fazer isto.”

Ela tem gostado particularmente de interagir com as populações locais enquanto está na estrada, explicando que a moto, uma Kawasaki Versys-X 300, revelou-se ser um grande início de conversa.

"As pessoas acham as motas fixes e vêm falar connosco", diz. "É uma espécie de ponte para mais pessoas. Tornamo-nos mais acessíveis."

Superando obstáculos

McCutchen, que tem uma família de motociclistas, teve a sua primeira moto aos 19 anos. Cortesia Bridget McCutchen

Apesar de, antes de iniciar a viagem, se preocupar com os perigos que poderia enfrentar ao andar de mota em países desconhecidos, McCutchen diz que as suas experiências até agora têm ajudado deixá-la mais descansada.

"Ouve-se  muita coisa sobre como o mundo é muito perigoso, e que devemos estar onde estamos a salvo", diz. "Em parte, é verdade. Não há como contornar que estou a pôr a minha vida em risco ao fazer isto. Mas também há muito do mundo que é muito amável e incrível. E acho que isso supera imenso as partes assustadoras."

Embora a viagem tenha corrido relativamente bem até agora, McCutchen não está a tomar nada por garantido, e diz que está ciente de que a sua tentativa de desafio pode ser frustrada por motivos alheios à sua vontade.

"Estou sem dúvida algo apreensiva por não poder continuar por causa de algo que aconteça", admite. "Como a mota avariar-se, ou a situação no mundo piorar."

Claro que, se ela conseguir bater este recorde em particular, a probabilidade é que alguém ainda mais jovem um dia surja e estabeleça novo recorde. McCutchen não está nada preocupada com isto. Na verdade, ela diz que vai ajudar de bom grado qualquer um que queira fazê-lo, mesmo que isso signifique que a vençam.

"Quero que outras pessoas façam coisas destas", diz. "Talvez não necessariamente esta habilidade, porque nem todos têm tempo. Mas se alguém viesse ter comigo agora e dissesse: 'Quero bater este recorde', e se o batessem antes de mim, estaria tudo bem na mesma.”

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